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sábado, 9 de abril de 2011

TCE manda governo de São Paulo refazer principal licitação contra enchentes no Tietê.

(da Folha de SP, por Arthur Guimarães)

O Tribunal de Contas de São Paulo (TCE-SP) anulou definitivamente nesta quarta-feira (6) a licitação lançada pelo governo estadual para contratação de empresas para limpar, transportar e separar os resíduos que se acumulam no rio Tietê, serviço essencial para evitar o assoreamento do leito e as consequentes enchentes na marginal.
Em sessão realizada hoje, o plenário referendou o voto do relator Fúlvio Julião Biazzi, que classificou como “imprópria” a modalidade de concorrência pública usada pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), o pregão.
Na análise do TCE, houve um “vício de ilegalidade”, pois o pregão deve ser usado somente para serviços comuns (cujos padrões de qualidade possam ser objetivamente definidos) e não para tarefas de alta complexidade técnica.
Assim, o TCE determinou que o DAEE elabore um novo edital para desassorear o leito do Tietê, adiando o início do projeto que é uma das bandeiras de maior destaque neste começo da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado.
No total, após enfrentar três transbordamentos do Tietê desde a posse, o tucano anunciou um pacote de intervenções de macro drenagem da ordem de R$ 558 milhões na Região Metropolitana, sendo que a limpeza do fundo do Tietê é um dos itens mais importantes do plano.
Biazzi foi o responsável pela suspensão da licitação no dia 23 de março. Na ocasião, após receber impugnações vindas de construtoras e advogados, o membro do TCE decidiu interromper momentaneamente o pleito para analisar detalhadamente a documentação referente à contratação.
Foram várias as reclamações das empresas que concorrem pelos serviços. Por exemplo, as empreiteiras julgavam distorcidos os índices econômico-financeiros do edital e inadequadas exigências para qualificação técnica dos concorrentes. Ambas as críticas foram julgadas menores pelo tribunal.
Outra impugnação apontava ser incorreta a inclusão do serviço de triagem dos detritos na mesma licitação que contratava firmas para escavar o rio. Como anunciou o governador Geraldo Alckmin, o Estado quer separar o lixo da terra retirada do Tietê, como forma de reaproveitar os resíduos e baratear o processo.
Na avaliação das empresas, o desassoreamento e o beneficiamento seriam ações distintas que mereceriam editais separados. Nisso, o TCE também concordou. Assim, sugeriu que, na próxima licitação, o governo crie ferramentas para não transformar o beneficiamento dos detritos do Tietê em elemento de desequilíbrio no pleito.

Limpeza do rio virou imbróglio político
Destino do equivalente a cerca de 400 piscinas olímpicas de lixo e resíduos todo ano, o trecho metropolitano do rio Tietê passou por uma grande obra de rebaixamento de sua calha, em intervenção entregue em 2006 e financiada em parte com recursos do Japan Bank for International Cooperation (Jbic).
Na ocasião, pelo preço de quase R$ 2 bilhões, o governo alargou o rio em até 30 metros e o aprofundou em 2,5 metros. A promessa era a de que o Tietê não voltaria a transbordar tão cedo.
Como mostrou reportagem do UOL Notícias em 25 de março, no entanto, nos três anos seguintes à inaguração da obra (2006, 2007 e 2008), o serviço de desassoreamento não foi realizado. Na ocasião da publicação da reportagem, engenheiros e geólogos criticaram tal suspensão, afirmando que o assoreamento acumulado poderia potencializar novos transbordamentos.
Em 2008, o então governador José serra (PSDB) voltou a limpar o rio, mas somente a partir de outubro. Desde então, o volume retirado anualmente do Tietê foi sendo suplementado seguidamente pelas autoridades, já que a incidência das cheias no rio passou a tornar-se novamente preocupante.

Auditoria japonesa apontou carência orçamentária
Em 2009, a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que passou a cuidar da obra executada pelo parceiro Jbic, chegou a produzir uma auditoria cujo relatório final apontava serem "insuficientes" as verbas alocadas pelo governo de São Paulo para a manutenção do rebaixamento do leito.
No documento, que classificava como "satisfatório" o estado geral de conservação da obra, os auditores destacaram que investimentos mais pesados deveriam ser feitos no desassoreamento, sob pena de novas cheias.
Por conta de todos esses problemas, o Ministério Público (MP) anunciou a abertura de inquérito civil para apurar as consequências da suspensão na limpeza e as eventuais responsabilidades pela decisão.
Atualmente, o contrato usado pelas autoridades para limpar o rio também apresenta problemas, segundo estudo da Liderança do PT na Assembleia Legislativa. Segundo levantamento feito no Sistema de Informações Gerencias da Execução Orçamentária (Sigeo), o DAEE já aditou (prolongou) em 52% o contrato inicial, sendo que o limite legal, teoricamente, é de 25%.
Tal aumento levou os deputados de oposição a fazerem uma nova representação no MP, pedindo explicações do governo. Os parlamentarem também anunciaram que convidaram os responsáveis pelo DAEE a comparecer ao Palácio Nove de Julho para esclarecer toda a questão.
Procurado para se pronunciar, o DAEE não retornou até a publicação desta reportagem.

Metrô de SP está no limite.

(do Transparência SP)

O tucanato já consagrou a expressão no "limite da irresponsabilidade" na era FHC. No Estado de SP, o Metrô caminha para esta situação. Sem investimentos acelerados em novas linhas, sobretudo perimetrais - ligando as regiões sem passar pelo centro da cidade -, o caos no sistema de transporte público e o travamento constante do trânsito já são considerados "normais" na cidade de São Paulo e região metropolitana.
Para além da questão do transporte público, os governos devem priorizar empreendimentos que aproximem os moradores de seu trabalho. Longos deslocamentos são terríveis, tanto do ponto de vista social como econômico.

''Não há mais espaço para colocarmos trens''

(do Jornal da Tarde, por Luisa Alcalde)

"Estamos no nosso limite técnico", admite Mário Fioratti, diretor de Operações do Metrô. "Não é que não temos mais trens para colocar em circulação. Não temos é mais espaço dentro das nossas margens de segurança."
Em 2010, houve 11 interferências na circulação dos trens por tempo maior que cinco minutos. A maioria dessas paradas foi motivada por objetos caídos na via e portas obstruídas.
Em virtude dos incidentes, o tempo médio de viagens do Jabaquara ao Tucuruvi no ano passado cresceu em relação ao de três anos atrás: de 42h34 para 43h41.
Para colocar mais trens em operação - hoje são 42 na Linha 1-Azul em horários de pico -, o Metrô quer reduzir a distância de um trem para outro de 120 metros para 20 metros.
Tecnologia. A companhia está testando, no novo trecho de 3,5 quilômetros do Sacomã à Vila Prudente, o Communication Based Train Control (CBTC), sistema de sinalização usado em metrôs do mundo todo. Isso deve ajudar na fluidez e redução nos intervalo entre os trens - o primeiro vagão passa a transmitir, eletronicamente, informações aos demais, como posição, distância, velocidade e tempos de percurso e de parada.
O CBTC deve reduzir o intervalo de tempo entre trens em 20%. Na Linha 1-Azul poderá haver o incremento de seis a oito trens.

Só esticar a rede de metrô é um modelo insustentável
(por Ailton B. Pires, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos)

São Paulo cresceu com erros.Seu planejamento foi feito apenas pelo empresariado, que construía empreendimentos em locais que considerava lucrativos.O resultado foi um crescimento para a periferia, que afastou as pessoas do trabalho, do ensino. Esse modelo e bastante caro.
Esticar a rede de metro e da CPTM é insustentável. O aumento na oferta de vagas atrai mais e mais usuários, pois a rede é segura e confiável. Por outro lado, compromete-se o conforto e aumentam os custos - financeiros e pessoais, com a perda de tempo.
Aumentar a conectividade das linhas e construir mais corredores de ônibus (municipais e intermunicipais) ajudam a aliviar a superlotação. Mas,a longo prazo,continuaremos a construir cidades caras. Por isso, e preciso criar um Plano Diretor Metropolitano eficiente. Os futuros prefeitos precisam discutir como será a região na próxima década, não apenas fazer promessas. Não adianta fazer novas linhas e manter as pessoas morando longe. Assim, problemas com superlotação só aumentam.

Caos no metrô de SP: usuário é obrigado a descer no meio do caminho.

(do Transparência SP)

Seguindo o receituário de cortes nos investimentos públicos para gerar superávit fiscal e honrar o pagamento de dívidas públicas, o governo paulista passou duas décadas adiando investimentos em infraestrutura, principalmente no Metrô e na CPTM (trens metropolitanos). A falta de investimentos neste período estão cobrando o seu preço.
Trens superlotados, atrasos e falhas quase diárias no sistema revelam que mesmo a retomada recente dos investimentos não estão conseguindo superar os problemas. São Paulo está parando. Só não vê quem não quer.

(do Jornal da Tarde, por Luisa Alcade)
Metrô obriga usuário a descer no meio do caminho

Para remanejar 'trens fantasmas' a estações mais lotadas, empresa faz passageiro desembarcar e aguardar a próxima composição
A lotação do metrô de São Paulo nos horários de pico está tornando mais frequente uma operação feita quando há superlotação nas plataformas. Para esvaziar estações cheias, passageiros são obrigados a descer em algumas paradas e o trem vazio é levado para onde existe mais demanda. Os usuários deixados no meio do caminho são forçados a aguardar a próxima composição.
Trens são esvaziados na Estação Ana Rosa para prestar serviço a partir do Paraíso
A intensificação desse tipo de manobra acontece porque há cada vez mais passageiros e isso faz com que o horário de pico também dure mais tempo. Para evitar a lotação, os usuários adiantam ou atrasam a saída de casa ou do trabalho e, por isso, o rush do metrô aumentou em 2h30.
No período da manhã, das 6h30 às 9 horas, usuários da Linha 1-Azul que partem do Jabaquara, na zona sul, em direção ao Tucuruvi, na zona norte, podem ter de descer na Estação São Bento e aguardar o vagão seguinte. Na Linha 2-Verde, os trens são esvaziados na Estação Ana Rosa para prestar serviço a partir do Paraíso. À tarde, das 17 horas às 19h30, quem segue para a zona leste pode ter de saltar na Penha ou no Tatuapé e esperar o trem que vem logo atrás. Os trens esvaziados são redirecionados nos pátios de manobras e voltam para pegar passageiros nas estações mais cheias.
Na última segunda-feira, a reportagem acompanhou do Centro de Controle Operacional (CCO) do Metrô o embarque de passageiros no pico da manhã, às 7h. Em 40 minutos, quatro trens tiveram de ser redirecionados na Linha 1-Azul para dar vazão à grande demanda de passageiros na Estação Sé. No pico da tarde, na Estação Barra Funda, para cada trem que sai cheio, o seguinte, batizado pelos usuários de "trem fantasma", parte vazio.
Essas estratégias já eram usadas pelo Metrô quando a companhia registrava problemas operacionais. Elas passaram a ser mais frequentes após o aumento do horário de pico e depois que o Metrô atingiu a marca de 3,7 milhões de passageiros por dia.
A alteração no trajeto dos trens não é a única tática para evitar a lotação das plataformas. No horário de rush em estações mais cheias, como Sé, Luz, Barra Funda, Paraíso, República e Anhangabaú, por exemplo, o Metrô também tem desligado escadas rolantes e diminuído a oferta de catracas para não superlotar ainda mais as plataformas.
"Nesses momentos, prefiro os passageiros represados nos mezaninos do que nas plataformas. É uma questão de segurança", afirma o diretor de Operações do Metrô, Mário Fioratti. Ele admitiu que vira mais trens e aciona mais composições vazias, mas o Metrô não divulgou o número de vezes que isso é feito por dia.
A superlotação também obrigou a companhia a comprar novas composições com portas mais largas (de 1,30 metro para 1,60 metro) para dar maior fluidez ao embarque e desembarque. "Foi também por isso que adquirimos esses trens sem assentos perto das portas, para as entradas e saídas de passageiros serem mais ágeis", diz Fioratti.
Transtornos. "Venho sentada, porque pego o trem no começo da linha. Acho incômodo ter de sair do vagão e esperar o que vem atrás, mesmo que não demore, porque tenho de seguir a viagem em pé", reclama a assistente financeira Maria Glória Galhardo, passageira da Linha 1-Azul.
O encarregado de transportes Rafael Cunha também pega o metrô vazio todos os dias na Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul, mas já foi obrigado a descer três vezes na Estação São Bento do Metrô. "O próximo trem sempre vem lotado."
A auxiliar de enfermagem Telma, que preferiu omitir o sobrenome, segue da Estação Jabaquara para a Armênia todos os dias. "Quando o trem está na Vila Mariana ou na Ana Rosa, o condutor já avisa pelo alto-falante que ele fará a viagem apenas até a São Bento", conta. "E já peguei várias vezes as escadas rolantes desligadas na Sé."



terça-feira, 5 de abril de 2011

Cai diferença entre salários de São Paulo e resto do país

(do Transparência SP)
Este blog já noticiou a perda de importância da economia paulista em relação a outras regiões do país.


Em reportagem desta segunda feira, na Folha de SP, constata-se o baixo crescimento dos rendimentos médios dos paulistanos em relação a outras capitais do país. Reforça-se, mais uma vez, a falta de políticas de desenvolvimento no Estado de SP.

Renda de outras regiões cresce mais rapidamente que a dos paulistanos
Investimentos em infraestrutura, reajuste do salário mínimo e programas sociais explicam fenômeno

(da Folha de SP, por Mariana Schreiber)

 
A diferença entre os salários de São Paulo e do resto do Brasil está diminuindo. E, em algumas regiões e setores, ela já desapareceu.

Levantamento do IBGE comparando o rendimento médio dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo com os de outras cinco -Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador- mostra que em todas houve redução da diferença entre 2003 e 2011.

Isso aconteceu porque os salários dos paulistanos e dos habitantes dos municípios vizinhos cresceram em ritmo menor do que os dos trabalhadores das outras regiões metropolitanas.

No Rio, a remuneração média aumentou mais -chegou a R$ 1.682 em fevereiro, superando em R$ 45 a de São Paulo (R$ 1.637).

Em Porto Alegre, os salários médios do setor de serviços e comércio já estão no mesmo patamar do rendimento dos paulistanos.

O economista da FGV Marcelo Neri ressalta que esse movimento é mais profundo: dados do IBGE de 2001 a 2009 mostram que a renda tem crescido em ritmo maior do que em São Paulo no país.

"A queda da desigualdade regional é inédita. Nos últimos 50 anos, desde quando há dados do assunto, nunca tinha acontecido", disse.

Especialistas em mercado de trabalho e desenvolvimento regional apontam três causas principais para esse fenômeno- a transferência de renda por meio do Bolsa Família, o forte aumento do salário mínimo e os investimentos em infraestrutura.

Clemente Ganz, diretor-técnico do Dieese, observa que o salário mínimo vem crescendo acima da média da remuneração do trabalho no país. Isso, acrescenta, tem impacto maior nas regiões mais pobres, onde uma parte maior da remuneração está atrelada ao piso nacional.

Grandes investimentos do governo em infraestrutura também são considerados importantes, ao estimularem indústria e construção civil.

No caso de Pernambuco, os investimentos públicos mais que duplicaram, passando de um média anual de R$ 680 milhões, entre 2003 e 2006, para R$ 1,68 bilhões, entre 2007 e 2010.

Empresas em busca de incentivos fiscais e mão de obra mais barata também explicam o aquecimento da economia e dos salários fora de São Paulo.

No caso de Minas Gerais, há ainda o fator "China", país que consome ferozmente o minério de ferro produzido no Estado.

CONTINUIDADE

Com o fortalecimento do mercado doméstico, a tendência, dizem economistas, é que a diferença entre os salários regionais caia mais.

"Nosso mercado de trabalho está ficando mais homogêneo, com um forte crescimento da classe média em todo o país", destaca João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ.

Apesar do otimismo generalizado, Raul Silveira Neto, da Universidade Federal de Pernambuco, considera que a baixa qualidade do ensino e da saúde no país pode limitar a expansão dos salários.

"O bem-estar não está evoluindo no mesmo ritmo dos rendimentos. Melhorar emprego e renda dá mais voto que melhorar saneamento e educação", disse.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0404201102.htm

Rendimento médio no Rio de Janeiro cresceu 30% em 8 anos

Os salários médios da região metropolitana fluminense cresceram mais de 30% em oito anos, superando os de São Paulo.

Grande parte desse crescimento está associado à recuperação da indústria do Rio, com destaque para a siderúrgica, automotiva e naval.

O salário industrial médio na região metropolitana chegou a R$ 1.934,80 em fevereiro, 11,6% acima do de São Paulo (R$ 1.733,90).

Ruvail de Souza Paulista Filho, 51, é um dos trabalhadores do Rio que melhoraram de vida com o ressurgimentos dos grandes projetos industriais e os investimentos no setor de petróleo.

O operário trabalhou na construção da siderúrgica CSA até 2009 e fez um curso técnico patrocinado pelo Prominp (Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo) depois que saiu da obra.

O curso o ajudou a arrumar uma posição melhor no emprego atual, de inspetor de controle na construção do novo prédio do Cenpes, o centro de pesquisa da Petrobras, na zona norte do Rio.

Ele não revela o salário, mas diz que ganha "bem mais" e consegue guardar dinheiro. "Melhorei de vida."

Das metrópoles pesquisadas mensalmente pelo IBGE, Porto Alegre é onde os rendimentos mais vêm se aproximando dos de São Paulo, depois dos do Rio.

No setor que engloba educação, saúde e servidores públicos, os salários já aumentaram em média 17%.


‘Máfia da merenda’ pagou propina em 57 prefeituras e 2 governos estaduais.

(do Transparência SP)

Empresas acusadas de participarem da chamada "máfia da merenda" também possuem contratos com o Governo do Estado de SP e diversas prefeituras importantes comandadas pelos tucanos, mas a reportagem veiculada pelo Estadão não aborda tais relações.
Continua a seletividade política do MPE e de parte da grande imprensa.

""Máfia da merenda"" pagou propina em 57 prefeituras e 2 governos estaduais.

(dO Estado de S. Paulo, por Marcelo Godoy e Fausto Macedo) 

Segundo pivô do esquema, empresário Genivaldo Marques dos Santos, pagamentos irregulares para obter contratos teriam ocorrido em cidades administradas por diferentes partidos; citados negam denúncias, feitas mediante acordo de delação premiada
O empresário Genivaldo Marques dos Santos, pivô da chamada "máfia da merenda", relatou ao Ministério Público Estadual (MPE) supostos pagamentos de propinas e doações ilegais para campanhas eleitorais em pelo menos 57 cidades e dois governos estaduais. Entre elas estão quatro capitais, além de municípios administrados por diversos partidos. O empresário fornece informações a promotores desde 2006 em troca da redução da pena (delação premiada).
O Estado publicou no sábado reportagem revelando depoimentos do empresário ao Ministério Público com detalhes do funcionamento do suposto esquema na capital, envolvendo três gestões - de Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab.
A "máfia da merenda" atuaria também em Recife e Diadema, São Luís (MA) e Carapicuíba, Taubaté, Marília, entre outras. Há ainda pelo menos um deputado federal entre os citados: Abelardo Camarinha (PSB-SP). Todos os citados alegam inocência e negam as acusações feitas pelo empresário por meio de acordo de delação premiada.
O Estado teve acesso a sete dos depoimentos prestados pelo empresário desde 26 de março de 2006. Logo no primeiro deles, Santos contou detalhes sobre o suposto esquema de propinas em troca da terceirização da merenda em sete cidades. Além de São Paulo, afirmou que a propina era paga diretamente para Fuad Gabriel Chucre (PSDB), então prefeito de Carapicuíba, e para Mário Bulgareli (PDT) e seu antecessor na prefeitura de Marília, o deputado Camarinha.
Valores. No caso de Chucre, a propina seria entregue pessoalmente pelo empresário Eloizo Durães, dono da empresa SP Alimentação, a maior do ramo do País. O valor da propina corresponderia a 10% do total do contrato com a prefeitura da cidade. Em Marília, a suposta propina de 10% seria dividida entre o prefeito (5%) e o antecessor.
Isso teria ocorrido depois que, em 2005, Bulgareli suspendeu os pagamentos da prefeitura para a SP Alimentação. Durães teria ido até a cidade para resolver o impasse - a empresa teria R$ 1 milhão a receber. Ele teria mantido reunião com os dois políticos e foi nela que a partilha da propina teria sido acertada.
O empresário relatou que a administração petista de Diadema ( 2005 e 2008), mantinha um esquema que, além da merenda, envolvia o restaurante dos funcionários. Durães destinaria 10% dos contratos ao então secretário municipal da Administração Donisete Fernandes dos Santos.
Bancos. O dinheiro da SP Alimentação para os acusados sairia de contas correntes mantidas nos bancos BMG, Pine, Bic, e Banco do Brasil e Bradesco. A denúncia não envolve a gestão atual, Mário Reali (PT). Donisete Santos foi secretário do governo anterior - José de Filippi Jr., que foi tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff e também não é citado pelo delator. "Não vou me manifestar porque não tive acesso ao relatório."
Além da própria empresa, Durães ainda estaria por trás da Gourmaitre e da Verdurama, da qual Santos era sócio. Em depoimento no dia 31 de março de 2010, Santos voltou a detalhar o suposto esquema, desta vez, com denúncias sobre 15 cidades.
Entre essas está a cidade de Porto Ferreira (SP). Ali o edital de licitação teria sido igual ao feito para a contratação da merenda em Marília. "Mudou apenas o cabeçalho", afirmou. A prefeitura nega, assim como as outras administrações e políticos citados.
O MPE investiga a atuação da máfia em Taubaté (SP). O dinheiro seria entregue ao prefeito Roberto Peixoto (PMDB). Há um mês, o MPE obteve a quebra do sigilo bancário do prefeito. Ontem foi divulgado o afastamento de sua mulher, Luciana Peixoto, e de seu genro, Anderson Ferreira, que ocupavam cargos de secretários na prefeitura.
O Tribunal de Justiça acolheu requerimento da promotoria e determinou o afastamento dos familiares do peemedebista por entender que houve ofensa à Súmula 13 do Supremo Tribunal Federal, que impede o nepotismo. Para o desembargador Israel Góes dos Anjos "há risco de lesão grave e de difícil reparação" aos cofres públicos.
Maranhão. Fora de São Paulo, o grupo SP usaria preferencialmente a empresa Gourmaitre para fazer seus contratos. Há entre os papéis apreendidos em julho de 2010 na casa do diretor financeiro da Gourmaitre, Silvio Marques, memorandos em que são citados supostos pagamentos de propina definida como "Estado do Maranhão". Ao todo, são R$ 350 mil em quatro pagamentos. Os papéis não especificam quem são as autoridades que teriam recebido os pagamentos e se foram em troca de contratos ou financiamento de campanha.
A investigação do MPE detectou ainda que em São Luís havia diferentes tipos de pagamentos: um de 6%, outro de 2% e um terceiro de 1,6% do total do contrato. Havia ainda R$ 10 mil entregues todo dia 5. A prefeitura nega (veja texto abaixo).
A "máfia da merenda" teria feito pagamentos também em Maceió - propina de 15% mais um mensalinho de R$ 35 mil todo dia 20. Os contratos foram rompidos após o início da investigação. No Recife, a administração petista receberia propina de 7%.

Dengue tipo 4 chega ao interior de SP.

(do Valor Econômico)

Uma moradora de São José do Rio Preto, no interior paulista, contraiu a dengue tipo 4. É o primeiro caso de circulação desse tipo de vírus no Estado de São Paulo, mas a paciente já está curada. A informação foi divulgada ontem, por meio de nota, pela Secretaria de Estado da Saúde. No comunicado, o órgão destaca que "a paciente não tinha histórico de viagem recente a outros Estados".
Já o município do Rio de Janeiro registrou mais uma morte causada pela dengue. A estudante universitária Fernanda de Freitas, de 19 anos, que estava internada no Hospital Barra D"Or, na Barra da Tijuca, morreu no sábado à noite, vítima da doença.
Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram a ocorrência da dengue tipo 4 em São José do Rio Preto. Até esse caso, havia o registro de transmissão do vírus tipo 1, 2 e 3. "Os pacientes infectados uma vez pelo vírus 1,2 e 3 ficam imunes a eles, mas não aos demais [tipo 4]", alerta a nota da Secretaria de Saúde de São Paulo.
A dengue tipo 4 tem os mesmos sintomas das outras versões, como febre alta, dores de cabeça, musculares e nas articulações, cansaço, indisposição, enjoos, vômitos e manchas vermelhas na pele, acompanhadas ou não de dores abdominais e sangramentos espontâneos. As autoridades advertem que, ao apresentar esses sintomas, os pacientes devem se hidratar, não tomar remédios por conta própria e procurar, imediatamente, orientação médica em uma unidade básica de saúde.
Por meio do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), a secretaria está enviando comunicados de alerta sobre a possibilidade de um avanço desse tipo de vírus. O surgimento da doença não alterou a rotina dos trabalhos de combate ao mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, nem da conduta clínica de atendimento nos serviços de saúde.
Os dados sobre a incidência da dengue em São Paulo indicam uma queda no primeiro trimestre, quando 10,3 mil pessoas contraíram a doença, ante 108,2 mil, em igual período do ano passado - uma redução de 94%. Do total de pacientes, seis morreram, sendo dois casos de pessoas que contraíram o vírus fora do Estado. Nos demais casos, as vítimas moravam em Taubaté, Andradina e Ribeirão Preto.
No Rio, a confirmação da morte da estudante Fernanda de Freitas ocorreu ontem. Os seus pais tentaram interná-la antes, sem sucesso, no Hospital da Barra, antiga Clínica São Bernardo. Embora o hospital afirme que a jovem apresentava apenas uma leve desidratação no momento em que foi atendida, o pai da jovem, Hernani de Freitas, sustenta que houve negligência por parte do Hospital da Barra.
Com a morte de Fernanda, subiu para nove o total de óbitos no município, elevando para 25 o total de vítimas em todo o Estado. O número total do Estado, no entanto, pode ser ainda maior, tendo em vista que outros casos de possíveis vítimas da doença continuam a ser investigados.
No município do Rio, o número de casos de dengue confirmados chega a 14.720.

Reportagem confirma pagamento de propina para aprovar carros na inspeção em São Paulo.

Ato público contra lei que vende 25% dos hospitais do SUS a planos de saúde.

(do site Vi o Mundo)

No próximo dia 7 de abril, quinta-feira, Dia Mundial da Saúde, acontece um ato público que reúne diversas entidades da saúde e movimentos de usuários contra a Lei Complementar Nº.1131/2010, que permite direcionar 25% dos leitos e outros serviços hospitalares do SUS para os planos e seguros de saúde privados. A lei abrange os hospitais do Estado de São Paulo que atualmente têm contrato de gestão com Organizações Sociais.
A lei complementar Nº.1.131/2010 desconsidera a existência da legislação (Lei n º 9656/98) que prevê o ressarcimento ao SUS, toda vez que um usuário de plano de saúde é atendido em hospital público. Além disso, ao visar a arrecadação de recursos com a venda de serviços do SUS, a lei cria a chamada “fila dupla” de atendimento, pois os usuários dos planos de saúde terão assistência diferenciada e preferência na marcação e no agendamento de consultas, exames e internação, como já acontece em alguns hospitais universitários.
O ato público será às 10h30 à Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 188 ( Em frente à sede da Secretaria de Estado da Saúde).
Mais informações: (11) 3334-0704/forumongsp@forumaidssp.org.br
Apóiam o ato as seguintes entidades:
1. Conselho Estadual de Saúde
2. Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo – Cosems/SP
3. Fórum das ONG Aids do Estado de São Paulo
4. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec,
5. Instituto de Direito Sanitário Aplicado – Idisa,
6. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva – Abrasco
7. Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – CEBES
8. SindSaúde SP
9. Sindicato dos Médicos de São Paulo – Simesp
10. Plenária das Entidades e Movimentos Populares de Saúde do Estado de São Paulo
11. Associação Paulista de Saúde Pública – APSP
12. Associação Brasileira dos Delegados e Amigos da Confederação Espírita Pan-Americana
13. Associação Cidadania e Saúde
14. Associação dos Moradores do Núcleo Habitacional Santo Ivo
15. Associação Jovens pela Pazlei
17. Conselho das Associações Amigos de Bairro (Consab’s) de São Miguel Paulista, Itaim, Ermelino Matarazzo e Penha
18. Conselho Regional de Psicologia de São Paulo
19. Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo - Cress SP, 9ª Região
20. Grupo de Incentivo à Vida – GIV
21. Grupo Pela Vidda-SP
22. Instituto Vida Nova
23. Movimento de Moradia do Centro
24. Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – MORHAN
25. Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul
26. Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo
27. Sindicato dos Traballhadores nas Indústrias de Vidros, Cristais e Espelhos de São Paulo
28. SindSaúde ABC

Procuradoria Geral do Estado de SP é acusada de favorecer empresários com pagamento de precatórios.

(do Consultor Jurídico, por Marília Scriboni)

O credor que tem um precatório a receber participa de uma novela, e não como protagonista. Só em São Paulo, as 400 mil pessoas que esperam pela execução do título possuem um crédito de R$ 20 bilhões com o estado. Apesar da demora habitual, uma dupla de empresários recebeu R$ 228 milhões a título de juros pela venda da área onde hoje fica o Parque Villa Lobos, na zona oeste da capital. Como consequência, atual e ex-procurador-geral do estado estão sendo processados pelo suposto erro.

A área do parque tem 600 mil m2 e custou aos cofres públicos R$ 2,5 bilhões. O local, vizinho à marginal Pinheiros, foi desapropriado em 1988 pelo então governador do estado Orestes Quércia. Os antigos donos da área são os empresários e primos Antonio João Abdalla Filho e José João Abdalla Filho. Eles, que também foram acionados na Ação Popular acolhida pela 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, receberam a quantia em dez parcelas anuais de R$ 250 milhões.

Para o autor da ação, o jornalista e ex-deputado Afanasio Jazadji, o problema estaria nos pagamentos efetuados entre o quarto e nono anos, que coincidem com as gestões de José Serra e de Geraldo Alckmin. Apesar de não responderem solidariamente no processo, a administração pública é representada pelo ex-procurador-geral Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo e pelo atual, Elival da Silva Santos.

Afanasio Jazadji argumenta que o dano ocorreu porque, nas parcelas pagas entre 2004 e 2010, teriam sido computados juros moratórios indevidos. Tais débitos já teriam sido citados dentro do exercício financeiro do vencimento, antes de 31 de dezembro de cada ano.

O papel da Procuradoria-Geral de São Paulo entra na história com a chegada da Emenda Constitucional 30, de 2000, que permitiu que Alckmin desse preferência à quitação de precatórios envolvendo processos de desapropriação em detrimento dos alimentares. "Como a Procuradoria pagou as seis parcelas já discriminadas ainda dentro de cada exercício, não poderia fazer incidir sobre as mesmas juros moratórios", alega o autor da ação.

O ex-procurador-geral Marcos Fábio Nusdeo disse desconhecer a Ação Popular e negou a existência de juros pagos indevidamente. "A PGE nunca pagou juros a mais", enfatizou. A Assessoria de Comunicação do órgão também desconhecia a existência do processo e, falando em nome do atual procurador-geral, Elival da Silva Santos, disse que vai esperar o desenrolar da história e os elementos da inicial para se posicionar.

A juíza que acolheu a decisão, Alexandra Fuchs de Araújo, resolveu incluir também a Prefeitura Municipal de São Paulo como ré na Ação Popular, além da Fazenda Pública paulista e a empresa S.A. Central Imóveis, de propriedade dos Abdalla.

Com a Emenda Constitucional 62, de 2009, a responsabilidade quanto aos valores devidos pela Administração Pública passou para os Tribunais de Justiça. Por isso, a juíza determinou que o TJ paulista tome ciência das incorreções, devendo atualizar os dados relativos ao precatório pago aos empresários.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prova de assassinato some em delegacia de SP

Gio Mendes

do Agora
A família de uma jovem de 24 anos, que morreu vítima de bala perdida no Butantã (zona oeste de SP), promete entrar, nos próximos dias, com uma ação na Justiça contra o Estado por danos morais e também para saber quem foi responsável pelo sumiço da prova do crime --uma bala de arma de fogo que estava em poder da Polícia Civil.
O principal suspeito do crime, ocorrido em 2007, era um PM, que foi absolvido. O projétil foi retirado do crânio da jovem e ainda passaria por exame balístico --o que poderia provar se a bala partiu ou não da arma do policial.
A balconista Maria Cícera Santos Portela, a Cicinha, estava na sacada de casa quando foi baleada na cabeça, no dia 20 de fevereiro de 2007, na favela São Remo. Cicinha observava uma confusão envolvendo PMs e adolescentes que participavam de uma "guerra de ovos" para comemorar o Carnaval

domingo, 3 de abril de 2011

Fifa nega que tenha local de abertura; cidade de São Paulo tenta ganhar "no grito"

Fifa nega que tenha local de abertura

Autor(es): Luiz Roberto Magalhães
Correio Braziliense - 01/04/2011
 


COPA 2014
Maior entidade do futebol mundial e Comitê Organizador desmentem notícias veiculadas na imprensa paulista e Brasília segue no páreo para receber o jogo inaugural
 
Tanto o Comitê Organizador Local (COL) para a Copa do Mundo de 2014 quanto a Federação Internacional de Futebol (Fifa) desmentiram as informações publicadas na imprensa paulista ontem, que deram conta de que São Paulo havia sido confirmada como sede da abertura do Mundial no Brasil e que o Rio de Janeiro sediaria a decisão do torneio.

A notícia foi rebatida prontamente por Rodrigo Paiva, diretor de comunicação do COL, que ironizou as inúmeras publicações de que São Paulo já está garantida para receber a abertura da Copa. “A matéria que foi publicada não tem ninguém nem da Fifa e nem do COL falando. Já é o centésimo anúncio de que São Paulo vai abrir a Copa. Não tem nada definido sobre isso”, declarou Paiva. “Se tivesse havido um anúncio de onde seria a abertura, você acha que a Fifa faria isso por meio da imprensa paulista e não em seu site oficial? A Fifa tem até dois anos antes da Copa para fazer esse anúncio e, por enquanto, não há qualquer definição. Brasília, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte continuam pleiteando a abertura e o quadro é o mesmo”, continuou.

Rodrigo Paiva foi além e afirmou que a entidade ainda não definiu o calendário para a competição no Brasil e que, por conta disso, não é possível dizer quantos jogos cada uma das cidades-sedes receberá. “Não tenho a menor ideia de quantos jogos São Paulo vai receber. Nem eu e nem ninguém. A tabela sequer está pronta”, explicou.

Ele esclareceu que a entidade trabalha com um número mínimo de quatro confrontos para cada uma das 12 cidades-sedes, mas que isso também não está fechado. “É um número no qual se tem trabalhado, mas nem isso está definido.”

Por meio de sua assessoria no Brasil, a Fifa emitiu um comunicado em que reforçou as declarações de Rodrigo Paiva. “A Fifa e o Comitê Organizador Local esclarecem que o calendário de jogos ainda está em processo de estudos e será finalizado pelas equipes de competições posteriormente. A proposta definitiva será apresentada em 29 de julho, na 1ª reunião do Comitê Organizador da Copa do Mundo da Fifa e será anunciada oficialmente após essa reunião”, diz o texto.

Obras em São Paulo só começam em maio

Correio Braziliense - 01/04/2011
 
Nesta semana, o assunto Copa do Mundo no Brasil voltou à tona por conta das críticas abertas que o presidente da Fifa, Joseph Blatter fez sobre o cronograma de obras no país. Segundo Blatter, “a Copa do Mundo é amanhã e os brasileiros pensam que é depois de amanhã”. Mais do que isso, o dirigente declarou que devido aos atrasos nas obras em São Paulo, cujo estádio do Corinthians nem sequer saiu do papel, e no Rio de Janeiro, as duas cidades correm o risco de não estarem prontas para receber jogos da Copa das Confederações, em meados de 2013, evento que serve de teste para a Copa do Mundo de 2014.

As declarações de Blatter serviram para pressionar ainda mais São Paulo para que os trabalhos da arena corintiana, em Itaquera, Zona Leste da capital paulista, comecem o mais rápido possível. A intenção é que as obras tenham início este mês, mas a própria imprensa paulista admite que a empreitada só deve começar, de fato, em maio.

O projeto do estádio do Corinthians encontra alguns problemas sérios. Primeiro, o orçamento inicial, de cerca de R$ 600 milhões, já não vale, uma vez que os cálculos dão conta que a empreitada consumirá cerca de 20% a mais do que o imaginado. Além disso, há um outro entrave operacional que pode complicar os trabalhos: os dutos subterrâneos da Transpetro, que passam pelo terreno da arena paulista e são usados para transportar óleo combustível. De acordo com um comunicado divulgado recentemente pela Transpetro, “até o momento, a principal opção em estudo é a construção de um desvio nas tubulações para uma área adjacente.”

Os valores da operação de desvio dos dutos divergem. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, afirmou que o preço seria R$ 2,2 milhões. O ministro do Esporte, Orlando Silva, avaliou as obras em R$ 30 milhões, valor que foi confirmado, segundo o site iG, pela própria Transpetro.

Vontade de ganhar no grito

Autor(es): Gustavo Marcondes
Correio Braziliense - 01/04/2011
 
A cidade de São Paulo já foi “anunciada” como a sede da abertura da Copa do Mundo de 2014 diversas vezes. Mas a Fifa até o momento não se pronunciou nem a favor nem contra qualquer uma das postulantes: São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte.

O lobby começou na época em que o Morumbi era o favorito para ser o representante paulista na Copa. Mas se intensificou depois que o Corinthians ganhou a disputa política com o São Paulo e teve o seu futuro estádio credenciado para o Mundial.

Em 27 de agosto passado, o Governo de São Paulo “confirmou abertura da Copa-2014 em novo estádio do Corinthians”. A decisão teria sido tomada, conforme veiculado na imprensa, em reunião entre Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e o então governador Alberto Goldman. Três dias depois, o próprio Goldman reafirmou que a arena seria o palco do primeiro jogo, mas que ainda dependia de “verba extra”.

No mês seguinte, foi a vez do presidente da CBF ir a público garantir o Itaquerão na abertura. “Temos o desejo e a definição de que haverá esse novo estádio em São Paulo para começar a participação na Copa”, afirmou Teixeira, em entrevista à TV Globo. Ciente da falta de dinheiro para levantar um estádio para 65 mil pessoas , ele afirmou que poderia haver dinheiro público para ajudar o Corinthians nas obras, o que não era previsto pelo Comitê Paulista.

Em outubro, foi a vez do Ministro do Esporte, Orlando Silva, entrar na campanha pró-São Paulo. Ele disse que “todos avaliam que é a cidade que reúne as melhores condições para fazer a abertura da Copa”. Mesmo ressaltando que a capital paulista ainda não possuía estádio, afirmou confiar na estrutura que o município dispõe. No mesmo mês, o jornal Estado de São Paulo publicou que a Fifa já havia batido o martelo com relação ao local do jogo inaugural, citando reunião do secretário-geral da entidade, Jeróme Valcke, com Ricardo Teixeira.

De lá para cá, o próprio Teixeira, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, secretários do Estado e até mesmo a presidente da República, Dilma Roussef, reforçaram a “escolha” da capital paulista como a sede da abertura da Copa. A Fifa, no entanto, nunca confirmou.

Na única ocasião em que a Fifa falou sobre o assunto, em 3 de março deste ano, o presidente Joseph Blatter irritou-se. “Acabamos de ter a primeira reunião do comitê organizador e não foi decidido onde a partida de abertura será disputada. A decisão sobre o estádio escolhido deverá ser esportiva , não política”, declarou.

sábado, 2 de abril de 2011

A seletividade do Ministério Público paulista.

(do Transparência SP)

Caso 1: Deputados petistas apresentam representação no Ministério Público Estadual em fevereiro de 2010 pedindo investigações sobre a falta de limpeza do rio Tietê e as enchentes ocorridas no início daquele ano. Matérias da imprensa revelam que o rio Tietê não foi limpo por quase três anos, principalmente na gestão Serra. O então governador foi candidato a presidente em 2010.
Resultado 1: O MPE age burocraticamente, deixando de atender as solicitações feitas na representação pelos deputados petistas, anexando-a a outro processo de menor abrangência.



Caso 2: Diversos contratos de fornecimento de merenda, realizados com dezenas de governo municipais de vários partidos são denunciados por superfaturamento, desvios e outras irregularidades.
O governo tucano da cidade paulista de Jandira enfrenta forte crise política, com diversas denúncias de corrupção, culminando no assassinato do prefeito.
Resultado 2: O MPE resolve iniciar sua ação em relação ao caso das merendas superfaturadas na cidade de Jandira, atingindo o ex-prefeito petista.



quinta-feira, 31 de março de 2011

Governo de SP reajusta valor da ajuda de custo para alimentação de policiais

O Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou hoje (31) o Decreto nº 56.886, de 30 de março de 2011, de autoria do governador Geraldo Alckmin, que altera o valor da ajuda de custo para alimentação de policiais civis, instituída pelo artigo 2º da Lei Complementar nº 660, de 11 de julho de 1991.
O auxílio, antes calculado mediante aplicação do coeficiente 0,02 (dois centésimos) sobre a Unidade Básica de Valor – UBV, conforme determinava o Decreto nº 53.912, de 29 de dezembro de 2008, passa agora a ser calculado mediante aplicação do coeficiente 0,2 (dois décimos) sobre essa mesma Unidade, com limite de 12 (doze) por mês para a concessão do benefício

Leia o DECRETO no DO
http://blogdodelegado.files.wordpress.com/2011/03/decreto-56886.pdf


http://blogdodelegado.wordpress.com/2011/03/31/governo-de-sp-reajusta-valor-da-ajuda-de-custo-para-alimentacao-de-policiais-civis/

Governo reajusta insalubridade em R$ 64

No holerite deste mês, já disponível hoje no site do Governo do Estado, os servidores públicos estaduais vão encontrar uma boa novidade: finalmente, depois de muita luta e pressão dos sindicatos e agora do STF, o Governo do Estado de São Paulo REAJUSTOU O ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. O valor passou de R$ 372 para R$ 436. 
A felicidade, porém, não é completa. Depois de receber notificação do STF para explicar o congelamento do valor da insalubridade, o Governo do Estado se rendeu ao óbvio - ou seja, "descobriu" que o STF iria determinar o fim do abusivo congelamento - e resolveu pelo reajuste com base no salário mínimo. Mas... E o valor reajustado que deixou de ser pago por mais de um ano aos servidores? O Governo do Estado ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, nem explicou se vai pagar o retroativo.
O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo - SIFUSPESP - teve uma contribuição fundamental para esse reajuste. Afinal de contas, o sindicato é autor de uma ação que se encontra hoje nas mãos do Ministro do STF Celso de Mello, exatamente contra esse congelamento. 
"Por conta da nossa ação judicial, o ministro do STF solicitou às autoridades, em 25 de fevereiro, que dessem informações sobre esse congelamento. Acreditamos que, ao receber a notificação judicial, o Governo tenha avaliado que iria perder a causa e já tenha antecipado o reajuste", pondera o presidente do SIFUSPESP, João Rinaldo Machado. Ele ainda lembra que sindicatos de outras categorias também entraram com ações judiciais no Estado. "A pressão ficou grande. Além dos sindicatos reivindicarem diretamente o fim desse congelamento absurdo, a justiça estadual já concedeu algumas vitórias neste sentido, embora o Governo tenha sempre apelado de todas essas decisões. E agora, com a pressão do próprio Supremo Tribunal Federal, autoridade máxima do Judiciário, o Governo do Estado, enfim, desistiu de manter o congelamento e efetuou o reajuste". 

E O RETROATIVO?

O SIFUSPESP foi informado nesta semana de que o Governo do Estado iria reajustar o valor do adicional de insalubridade. No entanto, nem a Secretaria Estadual da Fazenda e nem a Secretaria da Administração Penitenciária confirmaram a informação oficialmente. 
"As pessoas não sabiam ao certo se haveria mesmo o reajuste, se sairia no próximo holerite, nada disso. Tivemos a cautela de não noticiarmos antes de alguma confirmação, para não criar falsa expectativa. É estranho que o Governo do Estado tome uma decisão dessas e não anuncie oficialmente, nem dê explicações sobre o assunto. Estamos buscando mais detalhes para passar para a categoria", revela João Rinaldo Machado.
Só nesta quarta, 31, com a liberação dos holerites, o sindicato pôde comprovar a veracidade da notícia. "Está confirmado o reajuste, são R$ 64 a mais no holerite e isso é bom. Temos plena consciência de que a pressão que fizemos, junto com outros sindicatos, foi o que gerou esse resultado. Mas não estamos satisfeitos ainda", explica o presidente do SIFUSPESP.
João Rinaldo avisa aos associados que o sindicato, mesmo com esse reajuste, não irá desistir da ação que está em processo no STF: "na ação, pedimos que o Governo cumpra o reajuste com base no salário mínimo e, ainda, que pague a todos os nossos associados o valor correspondente ao período em que os servidores deixaram de receber o reajuste. Ou seja, queremos que nossos associados recebam o retroativo de 2010 e dos primeiros meses de 2011. A ação no STF, portanto, continua válida".

Avenida dos Bandeirantes, em São Paulo, fica mais lenta após um ano de trecho sul do Rodoanel.


Segundo a CET, número de carros que passam pela via subiu após restrição de caminhões




AGÊNCIA ESTADO
As medições foram feitas no mesmo horário e dia da semana, em condições similares. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a explicação é a demanda reprimida: como o trânsito melhorou com a saída dos caminhões - o tráfego de veículos pesados foi proibido em setembro de 2010 -, mais pessoas deixaram de cortar caminho pelos bairros e passaram a trafegar pela avenida. Só entre março e agosto do ano passado, o número de carros que passavam ali subiu de 19,4 mil para 22,5 mil por manhã, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

 
Julia Chequer/14.04.2010/R7
Julia Chequer/14.04.2010/R7



Falta de discussão e democracia na USP provocam insatisfação com reitor, João Grandino Rodas

Medidas impopulares isolam reitor da USP

Ana Okada
Em São Paulo



O reitor da USP (Universidade de São Paulo), João Grandino Rodas, está isolado politicamente entre os setores da universidade. A popularidade do dirigente de uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil está em baixa entre funcionários, professores e estudantes.

Sempre fez parte do jogo político a reitoria ter oposição do sindicato dos trabalhadores, o Sintusp, enfrentar disputas com a associação dos professores, a Adusp, e receber reivindicações de eleições diretas para reitor feitas pelos estudantes, por meio do DCE (Diretório Central de Estudantes) e pelos centros acadêmicos. No entanto, uma série de decisões tomadas por Rodas tem deixado a relação mais tensa.
A rejeição ao reitor é "unanimidade", diz o diretor do Sinstusp, Magno de Carvalho: "Em 33 anos de USP, nunca vi isso. Nunca tivemos rejeição assim entre funcionários como estamos tendo agora; até quem nunca reclamou, agora, reclama."
Outra queixa é que falta "discussão e democracia", segundo as entidades. Procurada pelo UOL Educação desde que Rodas assumiu o posto, a assessoria de imprensa disse que o reitor não tem tido "agenda disponível". João Grandino Rodas foi empossado em janeiro de 2010. A escolha por seu nome foi uma decisão do então governador José Serra (PSDB-SP) e desrespeitou a votação dos conselhos da universidade, em que Rodas ficou em segundo lugar.
Na época da posse, Rodas assumiu prometendo mais diálogo. "Universidade é, por definição, diversidade e debate de ideias", disse. A USP havia passado pelo confronto entre policiais e estudantes em junho de 2009 -- algo inimaginável num cenário de defesa da diversidade do pensamento e do debate como é a instituição.
Decisões tomadas "na calada da noite"
Há alguns fatos que têm deixado o clima mais pesado na USP, como a demissão de funcionários aposentados que estavam na ativa (feita em período de férias), a transferência de alguns servidores para escritórios fora da Cidade Universitária (sem a consulta aos funcionários) e o desalojamento de grupos de estudos (sem garantias de que eles terão outra locação para suas atividades).
"Essa mudança para outros prédios nos surpreende. Mudar funcionários para locais com 10 ou 15 km de distância da Cidade Universitária é uma medida autoritária e, aparentemente, desnecessária", diz o presidente da Adusp (Associação dos docentes da Universidade de São Paulo), João Zanetic.
O valor dos imóveis que serão utilizados pela administração da USP fora do campus foi questionado tanto pelo Sintusp quanto pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), que convocou o reitor na semana passada para responder a reclamações de gasto de dinheiro público sem necessidade e ausência de transparência e diálogo.
Rodas não compareceu e enviou um representante, que não se pronunciou e saiu antes do término da sessão, pois teria sido ofendido pelos participantes.
Documento apresentado na audiência mostrava que o valor dos locais utilizados fora do campus é de mais de R$ 35 milhões. "Achamos absurdos esses valores, e é tudo muito estranho, não sabemos se isso foi aprovado no CO (Conselho Universitário)", diz Carvalho. Segundo informativo da universidade, a USP arcou apenas com "gastos de manutenção e de segurança", sem informar o valor da operação.

Polícia Militar aposenta o "tres-oitão" e não investe em armas não letais


DE SÃO PAULO
Após quase 90 anos de serviços prestados à Polícia Militar de São Paulo, o "canela seca" aposentou-se das ruas. Também chamado pelos praças e oficiais como "três-oitão", o revólver calibre 38 deixou de ser usado oficialmente em janeiro passado. A informação é de reportagem de Rogério Pagnanpublicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Alessandro Shinoda/Folhapress
PM monitora rua 25 de março, no centro de SP; polícia aposentou revólver calibre 38
PM monitora rua 25 de março, no centro de São Paulo; polícia paulista substituiu revólver calibre 38 por pistolas.40
O revólver deu lugar à pistola.40, uma arma de uso restrito --não é vendida para civis--, mais moderna e eficiente, afirma o comando da polícia. Segundo o comandante-geral da PM, Álvaro Camilo, o novo armamento tem um maior poder de impacto contra o criminoso e, ao mesmo tempo, com menor risco de o projétil transfixar o alvo e acertar terceiros.
Especialistas em armamentos elogiam a "eficácia" da pistola.40 nas ruas. "Polícias do mundo inteiro estão optando pela.40 ou pela 45. (...) Para forças policiais, o.40 é um calibre "pau-pra-toda-obra'", diz Lincoln Tendler, editor-chefe da revista "Magnum", especialista em armamentos.
O especialista em segurança pública Paulo Sette Câmara critica a mudança. Para ele, a polícia deveria concentrar os investimentos em armas não letais porque a maioria das ocorrências da polícia é de casos simples.
A PM não informou o valor investido desde 1999 na compra de pistolas.40. A corporação também não informou o que foi feito com os revólveres agora aposentados.
Editoria de Arte/Folhapress

Privatizações

Privatizações
Memórias do Saqueio: como o patrimônio construído com o trabalho e os impostos do povo paulista foi vendido
 
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