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quinta-feira, 25 de julho de 2013

13 de junho de 2013: o dia que não acabou em São Paulo

/ On : quinta-feira, julho 25, 2013 - Contribua com o Transparência São Paulo; envie seu artigo ou sugestão para o email: transparenciasaopaulo@gmail.com

(do Transparência SP)

 

O dia 13 de junho de 2013, uma quinta-feira, entrou definitivamente para a história de São Paulo e do país.

A partir desta data, aqueles que ainda relutavam, se convenceram de que estamos distantes de um regime realmente democrático, e que nossas forças de segurança pública fazem parte da estrutura autoritária.

A violência desencadeada pela Polícia Militar em São Paulo, reprimindo o Movimento Passe Livre e tudo o mais que aparecesse na frente - idosos, crianças, jornalistas -, mostra que as forças de segurança pública e boa parte do aparelho de Estado tratam as reinvindicações sociais por grupos organizados como coisas de baderneiros, subversivos e ameaçadores da "ordem pública", ideias que dominavam o país no período da ditadura civil-militar.

Pouco avançamos na "radicalização da democracia", e esta será a questão-chave para o país nas próximas décadas.

A repressão policial do governo Alckmin representou apenas mais do mesmo, já que a polícia é violenta todos os dias na periferia das grandes cidades, atacando sobretudo os jovens negros. A novidade foi que a repressão se deu em regiões nobres da capital paulista.

A grande imprensa noticiou e condenou a violência apenas no dia, depois passou a apoiar as manifestações, mas não sem antes dirigi-las para outros temas.

Do repúdio à violência e repressão policial que se seguiu nas manifestações gigantescas no dia 17 de junho de 2013 (segunda -feira), vimos gradativamente o assunto ser esquecido, ganhando espaço outras demandas, pautadas pela grande mídia através das redes sociais.

De qualquer modo, o dia 13 de junho de 2013 estará marcado por muito tempo na memória nacional. A partir deste dia, redescobrimos o Estado Autoritário que ainda existe por aqui, bem como vimos a tomada das ruas por diversos grupos sociais de cunho fascista.

O Brasil, sem dúvida nenhuma, despertou mais perigoso. Um perigo não proveniente apenas da insegurança pública, mas da incerteza política.

Podemos seguir avançando na inclusão social, mas só com a ampliação da participação popular na política. Caso contrário, tomaremos o caminho de governos mais autoritários, de caráter messiânico, crentes em "medidas duras" em nome da boa fé ou dos "bons mercados".

Chegamos na encruzilhada. Devemos o início desta nova era de incertezas a Geraldo Alckmin. Não poderia ser diferente.

Policial usa spray de pimenta contra manifestantes próximo de um cinegrafista durante protesto em São Paulo.
Manifestantes entram em confronto com a PM na altura da Rua Maria Antônia, no Centro.
Confronto entre policiais e manifestantes na Rua da Consolação, no centro de São Paulo.


O jornal 'Folha de S.Paulo' diz que teve 7 repórteres atingidos no protesto. Entre eles, Giuliana Vallone (foto) e Fábio Braga levaram tiros de bala de borracha nos rostos, de acordo com a publicação.
Segundo a Agência Estado, uma bomba de efeito moral lançada pela Polícia de choque quebrou o vidro de um carro, no qual estava um idoso de 74 anos, na Rua Bela Cinta, no centro de São Paulo.


Polícia investe contra pessoas que tentavam ocupar a Avenida Paulista, em frente ao Masp

Policiais disparam balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes

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