Este blog busca apenas comentar assuntos realmente relevantes para o Estado de SP, cobrindo de maneira permanente o governo paulista.Ficamos "fora do ar" nos últimos meses, por problemas técnicos, mas quando voltamos, qual nossa surpresa, o assunto que agora ganha destaque "inclusive em elevadores" é a possibilidade de racionamento d´água no Estado de SP.
Este foi exatamente o último assunto que postamos, em março de 2014. De lá para cá, os reservatórios de água só abaixaram, o governo Alckmin começou a captar o chamado "volume morto", resolveu aplicar descontos e multas nos usuários, adota um racionamento velado em diversas regiões e cidades do Estado e vem protelando uma política de racionamento ampla e verdadeira.
Seu cálculo é meramente político e eleitoral: segurar a crise de qualquer maneira até outubro. Passadas as eleições, terá que tomar "medidas amargas".
Deveria ter adotado o racionamento desde o começo do ano, agora a situação será ainda mais grave. O Ministério Público Federal já se posicionou: como o Sistema Cantareira pode secar definitivamente em 100 dias, Alckmin deveria decretar um racionamento já.
O governador não fará isso. Infelizmente, pagaremos esta conta, inevitavelmente, nos próximos anos. O cálculo eleitoral de Alckmin fará com que tenhamos que racionar água por muito tempo, mesmo quando chover muito.
Cumpre registrar que o volume dos reservatórios só costumam recuperar seus níveis a partir de janeiro.
As contas que devemos fazer: as eleições serão daqui a 70 dias (começo de outubro); a água deve durar, no máximo, uns 100 dias (meados de novembro); os reservatórios só devem começar a recuperar sua capacidade daqui a uns 150 dias (começo de janeiro).
Resultado: entre meados de outubro e meados de novembro o governador Alckmin terá que decretar um racionamento para valer.
Se não houver segundo turno, decretará racionamento em meados de outubro. Se houver segundo turno, poderá ter que protelar o racionamento para meados de novembro.
Não tem alternativa, já que as obras que deveriam ser feitas nos últimos 10 anos para aumentar a oferta de água para a região não foram realizadas.
MPF recomenda início imediato de racionamento de água em SP
(do UOL)A recomendação, que faz parte de um inquérito civil público para apurar a crise hídrica no Estado, tem como objetivo evitar um colapso dos reservatórios que abastecem 45% da região metropolitana e se baseia em um estudo da Unicamp que indica que o volume do Cantareira pode acabar em menos de 100 dias.O MPF-SP critica que o governo de Geraldo Alckmin e a Sabesp descartaram o racionamento e estabeleceu apenas a concessão de descontos a quem economizar água, apesar da previsão de poucas chuvas nos próximos meses e dos baixos índices dos reservatórios. O governador Geraldo Alckmin e a Sabesp têm 10 dias para informar as providências a serem tomadas em relação à recomendação. O MPF não descarta a adoção de medidas judiciais caso a recomendação não seja seguida.Em nota, a Sabesp disse discordar da recomendação do MPF, e que um eventual racionamento "penalizaria a população e poderia produzir efeitos inversos daqueles pretendidos pelos procuradores". "Os esforços feitos pela população e pela Sabesp até o momento equivalem à economia que se obteria com um rodízio de 36 horas com água por 72 horas sem água. A Sabesp tem 40 anos de história e os melhores especialistas da América Latina em saneamento. Portanto, tem convicção das medidas adotadas", informou.Na semana passada, dois meses após o início do volume morto do Sistema Cantareira, a Sabesp informou que poderá captar água em outras duas reservas profundas, agora do Sistema Alto Tietê, a partir de agosto, para abastecer a região da Grande São Paulo.Hoje, o nível do Sistema Cantareira está em 15,8%, e do Sistema Alto Tietê, em 21,3%. Neste mesmo dia, em 2013, o nível do Cantareira estava em 53,8% e o Alto Tietê, em 63,7%. Mais água do volume mortoA Sabesp estuda retirar uma segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira para garantir a vazão atual. A proposta pode deixar o nível do principal manancial paulista no vermelho em até 30% para o início de 2015. A concessionária busca aval dos órgãos gestores para captar mais 116 bilhões de litros da reserva profunda dos reservatórios, além dos 182,5 bilhões que começaram a ser sugados em junho e devem acabar entre outubro e novembro. Alckmin reconheceu nesta segunda que a Sabesp poderá captar uma segunda cota do "volume morto" do sistema Cantareira, caso a escassez de chuvas se estenda até setembro.

