A "enxurrada" de denúncias das últimas semanas em relação ao pagamento de propinas das empresas do cartel para altos funcionários e políticos do governo paulista derrubou definitivamente a "blindagem" que os tucanos apresentavam em relação a desvios e corrupção existentes em seus governos nos últimos 20 anos.
A tática das grandes lideranças tucanas, em acordo com grande parte da mídia conservadora, segue agora dois caminhos:
a) lançar suspeitas absurdas sobre os denunciantes, criando uma nuvem de fumaça proposital;
b) manter o noticiário com informações pulverizadas sobre o assunto, deixando o público em geral sem condições de entender de fato o esquema;
A reportagem abaixo publicada no site Vi o Mundo joga luz sobre o esquema, a partir de uma apresentação didática. Vale a pena ler e divulgar.



(do site Vi o Mundo, por Conceição Lemes)
O site da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo
(Alesp) disponibilizou nessa semana uma apresentação sobre o propinoduto
tucano, que vale a pena ser vista para se entender melhor as teias de
relações envolvidas.
Em formato power point, ela é bastante didática. Sistematiza
todas as informações disponíveis sobre o esquema de corrupção que
fraudou licitações para aquisição e reformas de trens, construção e
extensão de linhas metroferroviárias no Estado de São Paulo: cartel de
empresas, entre as quais as multinacionais Alstom e Siemens, altos
funcionários do governo paulista, lobistas, “consultores”.
A estratégia da grande mídia tem sido a de apresentar os fatos de forma fragmentada, dificultando uma visão geral da denúncia.
Daí a elaboração desse material. O objetivo é organizar as
informações para que os militantes entendam o que está acontecendo, e
coloquem o tema no debate do dia a dia.
As investigações sobre o caso Alstom/Siemens, vale lembrar, tiveram início em 2004 na Suiça.
Em 2008, a bancada do PT na Assembleia Legislativa paulista começou a apurá-lo.
De lá para cá, entrou com mais de 15 representações nos ministérios
públicos Estadual e Federal, denunciando direcionamento nas licitações
do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), prática
de corrupção, formação de cartel, lavagem de dinheiro, pagamento de
propinas a autoridades públicas e prorrogações ilegais de contratos.
A apresentação (na íntegra, abaixo) exibe, primeiro, um quadro geral do caso Alstom/Siemens:
* Diversas empresas privadas (algumas multinacionais) fornecedoras de
material e serviços para o sistema de transporte metro-ferroviário de
São Paulo são acusadas de formação de cartel (acordo prévio), reduzindo a
concorrência e provocando a cobrança de preços mais altos nos contratos
com o governo paulista.
* Para conquistar esses contratos, as empresas do cartel pagariam
propinas a altos funcionários do governo. Foram criados, então, vários
canais (propinodutos), conectando empresas e autoridades do governo
paulista.
*Nesta intermediação, surgem “lobistas”, “consultores fictícios” e
suas respectivas empresas privadas, muitos deles com passagens no
governo.
* Há indicações de que o cartel teria atuado no Estado de São Paulo
nas administrações de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB),
portanto nos últimos 20 anos.
Durante esse período, diversas autoridades do governo paulista
assinaram inúmeros contratos com as empresas do cartel. Inclusive
prorrogaram indevidamente vários contratos questionados.
Um levantamento feito pela assessoria técnica da bancada do PT na
Alesp mostra que, desde 1990, os contratos das empresas do cartel com o
governo paulista somam 618. Em volume financeiro, eles chegam a R$ 40
bilhões, em valores atualizados.

Nos cálculos, foi incluído o governo Fleury (1990-1994), pois o seu
vice era o hoje senador Aloysio Nunes (PSDB), que acumulava o cargo de
secretário dos Transportes Metropolitanos. Ambos na época eram PMDB.
Aloysio fez a transição entre os governos Fleury e Covas, daí vem a sua
atual força política. O nome do senador tucano aparece nas denúncias
feitas recentemente ao Ministério Público do Estado de São Paulo.
Os prejuízos do propinoduto tucano ao erário público são muito altos. Saíram de R$ 425 milhões denunciados pela revista IstoÉ
e já ultrapassam R$ 2 bilhões. Só a reformas dos trens sucateados
custaram R$ 1 bilhão. Somam-se aí R$ 300 milhões das compras de trens em
2013, e os R$ 400 milhões do superfaturamento do consórcio Cofesbra, denunciado pelo Viomundo.
Essas perdas, tudo indica, são apenas a ponta do iceberg do rombo
tucano, uma vez que, de 1990 para cá, só os contratos do cartel com o
Metrô e a CPTM atingem R$ 33 bilhões.
QUEM É QUEM NO PROPINODUTO TUCANO PAULISTA
Muito elucidativo na apresentação são os gráficos que mostram os
principais personagens do propinoduto. É um quem é quem do esquema,
incluindo figuras do governo paulista, cartel, “consultores” e lobistas.
Para visualizar melhor os dois quadros abaixo, vá ao documento no final
desta matéria. É a apresentação completa.


Alstom e Siemens – para subornar as autoridades paulistas e, assim,
manter o cartel, a “compra” de licitações e prorrogar licitações de
forma irregular — repassaram a agentes públicos porcentagem dos
contratos assinados, via offshores e empresas fictícias de consultoria.
Elas adotaram três esquemas de pagamento de propinas:

Interessante notar que há grupos. Cada cacique tucano teria os seus operadores no esquema.




CPI DO PROPINODUTO E AFASTAMENTO DOS ENVOLVIDOS
No momento, a bancada do PT coleta assinaturas para apresentar pedido
de CPI na Assembleia Legislativa para investigar o esquema do
propinoduto.
Já pediu ao Ministério Público o afastamento dos agentes públicos envolvidos e a suspensão dos contratos.
Pediu também o afastamento de dirigentes da CPTM e do Metrô
responsáveis por contratos denunciados pela Siemens e dos secretários
apontados em denúncias: Edson Aparecido ( Casa Civil), José Aníbal
(Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo
Garcia (desenvolvimento Econômico).
Fez ainda ao MP uma representação por ato de improbidade por omissão contra Geraldo Alckmin e o ex-governador José Serra.
A apresentação contém muito mais dados. Recomendo a leitura da apresentação na íntegra.