04/05/2010
Pacientes tem de esperar para ver se serão atendidos
O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes, denunciou na tarde desta terça-feira, 04/05, que a população é submetida a um processo de escolha nos casos de atendimento de urgência e de alta complexidade na rede de hospitais estaduais e municipais, em decorrência do modelo de gestão adotado pelos governos do PSDB no estado e do DEM na capital paulista. Segundo ele, os dois partidos criaram o chamado “hospital fechado”, onde pacientes que apresentam enfermidades com alguma gravidade, que necessitem de cirurgias ou de internação em UTI, sofrem seleção prévia. “Só é atendido quem se submeter a uma triagem antecipada. A saúde em São Paulo, seja na prefeitura ou no estado, perdeu sua universalidade. Hoje não basta entrar no hospital para ser atendido. Quando se constata que o problema é mais grave, o paciente fica na dependência de ser ou não escolhido”.
Carvalhaes diz que o modelo de privatização iniciada de maneira “tímida” na gestão do ex-governador Mário Covas e adotada em larga escala no governo do presidenciável José Serra determinou um descontrole generalizado na gestão da saúde. “A situação chegou a um nível tão grave de descompromisso, que os Ministérios Públicos estadual e federal tiveram que exigir que o governo de José Serra cumprisse dispositivos constitucionais e legais a fim de que todos os recursos do Sistema Único de Saúde – SUS fossem gerenciados unicamente pela Secretaria da Saúde.” Em sua opinião, o modelo tucano de gerenciar a saúde, seja nos estados ou municípios que governa, trouxe grandes prejuízos para a população, que não consegue atendimento nos hospitais públicos, que operam em sistema de “portas fechadas”.
“Me arriscaria a dizer que, em caso de vitória de José Serra na disputa da presidência, ele vai adotar com certeza o sistema que implementou em São Paulo, que é a privatização da saúde através das Organizações Sociais de Saúde (OSS ) ou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OCIPs), que transferem atribuições e recursos públicos para entidades privadas, que se dizem sem fins lucrativos, mas que, no fundo, lucram muito com os recursos públicos da saúde”, denuncia.
Eduardo · 675 semanas atrás