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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Alckmin e o fanatismo do Opus Dei

Altamiro Borges

O candidato Geraldo Alckmin realmente parece um “picolé de chuchu”, segundo a famosa ironia de José Simão. Mas de inocente ele não tem nada. Conhece bem a história nefasta do Opus Dei e os seus métodos autoritários, tecnocráticos e “discretos” de agir batem com esta doutrina. Numerário ele não é, já que não reside nos casarões da Obra de Deus, não fez voto de castidade e, tudo indica, não usa duas vezes ao dia o cilício nas coxas (cinturão com pontas de metal) e nem a “disciplina”, outro utensílio de autoflagelação utilizado para chicotear as costas. Mas Alckmin se encaixa perfeitamente no figurino do supernumerário, o seguidor da seita com “disfarce civil” e a missão divina de conquistar poder político para o Opus Dei.

A origem fundamentalista
O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.
Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano
Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.
O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.
Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas
Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.
Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.  
Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Um outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.   
Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.   

Infiltração na mídia
Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.
Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.  
O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”
Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.  
A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.  
Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.
O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”
O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush. 
Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Caso da "quebra" de sigilo fiscal de tucanos na Receita Federal é requentado. Comércio de informações sigilosas é muito anterior.

(do Transparência SP) Em 2009, diversas reportagens no SBT alertavam para o vazamento de informações de milhões de pessoas, entre elas o Presidente da República (Lula) e sua família, o Ministro da Fazenda (Guido Mântega), o Ministro da Justiça (Tarso Genro), o Governador de São Paulo (José Serra) e sua família, o Secretário Estadual de Segurança Pública, o Secretário Nacional de Segurança Pública, entre outras autoridades.
Estas informações eram negociadas livremente no centro de São Paulo.

Na época, o governador Serra disse que já sabia deste problema. Agora, segundo ele e grande parte da mídia, a culpa é da campanha da Dilma.
Tais matérias motivaram pedido de audiência pública do deputado federal Arnaldo Faria de Sá em outubro de 2009, no Congresso Nacional, com o Secretário Nacional de Segurança Pública.
O factóide está provado.

Segue abaixo os links para as reportagens do SBT
Primeira:

http://www.youtube.com/watch?v=eWBMiwcTUWA

Segunta:
http://www.youtube.com/watch?v=vAI18IF9Tng
Terceira:
http://www.youtube.com/watch?v=M9uAT7wp26Y
E aqui uma reportagem sobre o mesmo assunto do SPTV (Globo):
http://www.youtube.com/watch?v=XucO2FRbXIA


Segue abaixo o pedido de audiência pública feito pelo deputado Arnaldo Faria de Sá em outubro de 2009 para discutir o tema sobre o vazamento de dados sigilosos.

http://www.camara.gov.br/sileg/integras/699422.pdf

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Como fazer uma reportagem superficial: Samu tem atrasos de até nove horas em atendimentos

Deu no R7
publicado em 07/09/2010 às 12h11:



Samu tem atrasos de até nove horas em atendimentos

Após morte em fevereiro, ao menos outros 13 socorros demoraram mais de uma hora
Fernando Gazzaneo, do R7Após a morte, em fevereiro passado, do morador de rua Odair de Souza, que esperou 1 hora e 40 minutos pelo atendimento do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de São Paulo, os socorros prestados continuaram apresentando atrasos entre abril e julho, conforme apuração do R7 que teve acesso a numerais de ordem, documentos que mostram o tempo exato de cada passo das equipes. Em ao menos 15 casos, a demora ultrapassou 40 minutos, chegando a até nove horas.

Em um dos casos, um paciente de 74 anos com parada cardiorrespiratória aguardou uma hora pela ambulância do Samu e morreu logo depois de chegar ao hospital. Nesse caso, a vítima deveria ter recebido atendimento em até 16 minutos, segundo determinação da Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo Samu.
Em nota, a pasta afirmou que “lamenta a morte do paciente e informa que foi aberta apuração preliminar para apurar todas as ocorrências citadas pela reportagem", ressaltando que o “serviço 192 realiza mais de 1.200 atendimentos por dia” na cidade.

A reportagem do R7 fez um levantamento com base em numerais de ordem do Samu e verificou que o atraso está, principalmente, na passagem do atendimento da central do Samu para as ambulâncias.
Nove horas de espera

O filho de Vitalina Tavanelli fez em 5 de maio um chamado ao Samu às 9h, que foi repassado para a base do Jabaquara às 17h43. Dois minutos depois, a ambulância saiu para socorrer a vítima que fraturou a bacia e chegou em cinco minutos à casa da família, às 18h10. Wilson Tavanelli conta que chegou a ligar três vezes para a central do Samu para cobrar o atendimento. Em uma delas, um funcionário orientou que ele encontrasse meios próprios para socorrer a mãe.


- Tive que deixar minha mãe no lugar onde ela estava, porque sabia que ela tinha quebrado alguma coisa. Ela é idosa e se queixava de dores na cabeça, onde sofreu um corte fundo, e na região do fêmur. Quando a ambulância chegou, o motorista ficou mais irritado do que eu. Ele não acreditou que minha mãe esperou nove horas para ser atendida.


Vitalina sentiu muita dor antes de ser socorrida e hoje se recupera na casa do filho, que deixou de trabalhar para cuidar da mãe. Já Francisco Odete Bento, de 74 anos, não sobreviveu a uma parada cardiorrespiratória e a quase uma hora de demora no atendimento.

No dia 22 de julho, um parente dele chamou o Samu para atender o paciente que “estava deitado na cama, inconsciente, cianótico [quando há baixa oxigenação do corpo], com parada cardiorrespiratória há pelo menos uma hora”, como informou a família ao serviço. O chamado foi feito às 16h09 e a transmissão só aconteceu cerca de 40 minutos depois. A ambulância chegou à casa de Bento às 17h e saiu de lá após quatro minutos. A reportagem do R7 apurou com um funcionário do serviço (que pediu para não ser identificado) que havia duas ambulâncias disponíveis na hora que o chamado foi feito para a central.

Por se tratar de um problema envolvendo coração e com alto risco de morte para o paciente, a ambulância enviada para socorrer Bento deveria contar com um médico acompanhando a equipe de socorristas. No entanto, as duas ambulâncias disponíveis na base do Jabaquara não contam com esse tipo de serviço, a chamada unidade de suporte avançado de saúde.
O funcionário conta que é frequente faltar materiais de socorro, como faixas, luvas descartáveis e fitas usadas nos desfibriladores (equipamento usados para fazer reanimação cardíaca). A secretaria não comentou a falta de equipamentos.

Morador de rua
Durante abril e junho passados, a reportagem encontrou ao menos 13 atendimentos  que demoraram mais de uma hora. Com dificuldades para respirar e inconsciente, a família de uma mulher de 77 anos pediu socorro às 14h29 em 14 de abril, mas a ambulância só recebeu o chamado às 15h26. No dia 18 do mesmo mês, uma vítima em parada cardiorrespiratória caída no banheiro de casa chamou o Samu às 18h57, mas a atendimento só aconteceu às 19h53. No dia 19, um chamado para socorrer uma mulher, de 33 anos, deitada no banheiro após uma convulsão foi feito às 8h40, mas a equipe de socorristas chegou cerca de uma hora depois.
Em pelo menos outras quatro situações, as vítimas foram levadas por familiares até o hospital depois que atendimento demorou até duas horas para acontecer.
Todos os casos foram relatados pelo R7 à coordenação do Samu, mas a Secretaria Municipal de Saúde não informou a classificação de prioridade de cada um deles tampouco explicou por que uma unidade de suporte avançado não foi enviada para socorrer o paciente com parada cardiorrespiratória no Jabaquara. Em entrevista em 24 de abril, Paulo Krom, coordenador do Samu na capital, explicou que as ocorrências que envolvem coração, cérebro e traumas devem ser consideradas de urgência pelas equipes por causa do risco de morte.

Segundo a Secretaria de Saúde, até agosto deste ano, o Samu “vem obtendo substancial avanço no que se refere aos tempos médios de atendimento. Todas as regiões da capital tiveram queda no tempo de atendimento dos níveis 1 e 2 (necessidade de socorro imediato em função do risco de vida e casos de necessidade de atendimento médico dentro de poucas horas, respectivamente). A média que era de 35 minutos em 2004, caiu para 16 minutos em 2010 no nível 1. Já o casos de nível 2 também tiveram queda expressiva. De 65 minutos, em 2004, para 46 minutos neste ano".

Em 24 de abril, o R7 publicou a reportagem sobre a morte do morador Odair de Souza por broncopneumonia após o socorro do Samu demorar 1h40. A vítima foi encontrada inconsciente, trancada em um banheiro do Arsenal da Esperança, no centro da capital, respirando com dificuldades e com o corpo sujo de fezes e urina. Ele apresentava sinais de agressão. O caso foi aconteceu em 27 de fevereiro.











A Secretaria de Saúde informou que abriu investigação interna para descobrir as causas e os responsáveis pelo atraso e o Ministério Publico Estadual deu início a um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no atendimento e na administração do Samu.





No inquérito, a promotora Ana Lúcia Vieira pediu para que a secretaria esclarecesse “em cinco dias a noticiada ineficiência do serviço do emergência”. Quatro meses depois, a “prefeitura apresentou alguns documentos que ainda estão sendo analisados e não é possível falar em resultados porque os fatos ainda estão sendo investigados”, informou a promotora por meio de nota. Ana Lucia ainda afirmou que uma reunião com o Samu está marcada para 13 de setembro.






O prazo inicial era que a investigação da secretaria fosse concluída em até um mês. Questionada sobre o tempo de apuração, a pasta respondeu apenas “que as providências estão sendo veiculadas no Diário Oficial da cidade”.






A morte foi registrada no 8º DP, no Brás. A polícia abriu inquérito para investigar as agressões ao morador de rua. Procurada pelo R7 nesta semana, o delegado José Aparecido Figueiredo disse apenas que "a investigação está em andamento” e que ele enviou o inquérito policial “ao fórum com pedido de prorrogação de prazo”.


Motolâncias



Até a publicação desta reportagem, a promotora Ana Lucia Vieira não foi encontrada para comentar os casos de atraso no atendimento do Samu. Mas como ela relatou em 30 de abril, a reestruturação do serviço de urgência, iniciada em 2005, é resultado de outro inquérito civil que fez com que o Samu tivesse uma central de atendimento e equipamentos com tecnologia de ponta.





- Exemplo disso são as motolâncias que carregam equipamentos super modernos para prestar o atendimento às vitimas. Um pequeno objeto redondo pode se transformar em um aparelho de eletrocardiograma [exame de coração], que consegue, em segundos, transmitir o diagnóstico para um médico avaliar.






Mas 80% das motocicletas que carregam equipamentos como o relatado pela promotora ainda estão fora das ruas. Das 80 ambulâncias capazes de prestar atendimento de socorro a vítimas (principalmente para vítimas com problemas no coração, cérebro e de fratura), apenas 16 delas estão nas ruas, o dobro se comparado a abril deste ano. O restante delas ainda está à espera de que profissionais do Samu sejam capacitados pela prefeitura e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal). Apesar disso, a Secretaria de Saúde afirma que o Samu de São Paulo tem a maior frota de veículos de emergência do país.

O que a reportagem não informou (e o TSP complementa):

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


São Paulo é o único Estado que não contribui com o SAMU/192

/ On : Quarta-feira, Agosto 11, 2010 - Contribua com o Transparência São Paulo; envie seu artigo ou sugestão para o email: transparenciasaopaulo@gmail.com

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) que atende o cidadão em sua casa, nas ruas e no local de trabalho não recebe um só centavo do governo tucano de São Paulo. Criado em 2003 pelo governo federal, as gestões Alckmin e Serra foram as únicas entre os estados brasileiros que não contribuíram com sua cota.

O financiamento do SAMU é tripartite: 50% vêm do governo federal, 25% do Estado e outros 25% do município. É esta participação dos três entes da federação que dá sustentabilidade ao programa e propicia sua ampliação. No caso de São Paulo, todo o atendimento do SAMU, inclusive as ambulâncias, é custeado unicamente pelo governo federal e municípios - são 91 municípios e 32 centrais.

Municípios reclamam

Ao não cumprir a sua parte nas despesas, a conta fica mais pesada para os municípios, que são obrigados a arcar com a parcela que deveria do Estado. Se o Estado contribuísse com a percentagem que foi pactuada, certamente a cobertura do SAMU seria muito maior em São Paulo.

Durante as audiências públicas, promovidas pela Assembleia Legislativa para discutir as audiências do Orçamento do Estado para 2011, muitos prefeitos e representantes das administrações municipais reclamaram da falta de compromisso do Estado para que as cidades possam assinar convênio para a implantação do SAMU com o governo federal. “Se o governo do Estado não der a sua parte, inviabiliza a implantação no SAMU”, salientou a coordenadora do Departamento de Saúde de Registro, Maria Cecília Della-Torre.

Atendimento SAMU

O SAMU alcança 106 milhões de brasileiros - Região Sul: 17.221.962; Nordeste: 26.179.381; Centro Oeste: 10.407.577;Sudeste: 45.371.427; Região Norte: 6.550.451.

O atendimento em casos de urgências é feito pela ligação telefônica gratuita, por meio do número 192.

*com informações da reportagem de Conceição Lemes

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DASLU: (O Globo) "até a filha do ex-governador Geraldo Alckmin dava expediente lá". Até não! Nós nunca trabalhamos lá!

Mara Mac paulista

Relembre o caso da loja Daslu, em São Paulo

Publicada em 26/02/2010 às 23h01
O Globo 
RIO – Com as araras repletas de vestidos, sapatos e bolsas das grifes mais badaladas do planeta, e com vendedoras da alta sociedade paulistana – até a filha do ex-governador Geraldo Alckmin dava expediente lá-, a Daslu viu seu nome saltar dos editoriais de moda das revistas para as páginas policiais. A mudança ocorreu em 2005, quando uma investigação da Polícia Federal revelou que as importações da megaloja de luxo eram todas fraudulentas. O esquema era simples: depois que mercadorias caríssimas eram compradas no exterior, empresas importadoras entravam em cena para falsificar documentos e faturas, subfaturando o valor dos produtos para desembaraço aduaneiro.
A fraude foi descoberta durante uma inspeção de rotina da Alfândega do Aeroporto de Guarulhos. Ao abrirem um contêiner de sapatos e bolsas da grife italiana Gucci, fiscais da Receita verificaram que a mercadoria não correspondia à descrição das guias de importação. Além disso, as faturas originais do fabricante, emitidas em nome da Daslu, estavam dentro do contêiner e apresentavam preços muito superiores aos descritos nas guias. Também foram encontrados produtos Marc Jacobs, que constavam nos documentos como sendo de uma grife mais em conta.
A partir disso, descobriu-se uma rede de empresas-fantasma – dez delas sediadas no Brasil e pelo menos uma no exterior – que atuavam como intermediárias, emitindo notas falsas com valores subfaturados, o que acarretava no pagamento de impostos mais baixos ( de Importação, IPI, PIS/COFINS e ICMS).
Quando a Operação Narciso foi deflagrada, Eliana Tranchesi, dona da Daslu, foi presa com seu irmão, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, sócio da loja. Ela ficou dez horas na sede da PF em São Paulo e negou saber como eram feitas as importações. Disse que apenas “cuidava do glamour”. Seu irmão e Celso de Lima, contador da Daslu, ficaram detidos alguns dias. No ano passado, Eliana foi condenada, em primeira instância, a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de descaminho (contrabando), formação de quadrilha e falsidade ideológica. Além de Eliana, a juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal de Guarulhos, condenou o irmão dela, e mais seis empresários, todos ligados a firmas de importação.
Graças a um habeas-corpus, Eliana aguarda em liberdade por um julgamento de recurso.

No rádio, Mercadante diz que Alckmin só fez 2,6 km de metrô


"O Alckmin fez de 2003 a 2006 só 2,6 km de metrô e só duas estações", disse um dos locutores do programa do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, durante o horário eleitoral gratuito veiculado no rádio na manhã desta segunda-feira (6). "É uma média de 650 metros por ano. Que coisa hein? Seiscentos e cinquenta metros é uma voltinha no quarteirão", completou.
Mercadante voltou a afirmar que, se eleito, irá construir 30 km de metrô em quatro anos. "A lentidão virou uma marca do transporte público de São Paulo. Lentidão no trânsito, lentidão nas obras do metrô, lentidão na reforma da CPTM e olha a lentidão do Rodoanel. Dezesseis anos pra fazer só metade do Rodoanel", apontou o candidato.
O programa de Geraldo Alckmin (PSDB) falou sobre as propostas do candidato para a terceira idade, como a chamada Vila Dignidade. "Serão construídos dezenas de conjuntos habitacionais especiais para os idosos, com casas especiais para quem tem mais de 60 anos", explicou o locutor. Os mutirões de saúde também serão mantidos. "Os nossos idosos merecem toda a atenção e carinho", afirmou Geraldo.
O Acessa São Paulo, programa de inclusão digital, também foi lembrado na inserção. "Com 602 postos em funcionamento em 531 municípios atendidos. Geraldo vai levar o programa a todo o Estado". O tratamento a dependentes químicos foi outro ponto abordado. "Vamos fazer um grande esforço nessa direção, oferecendo serviços próprios do governo do Estado e também convênios com entidades que têm experiência nessa área", disse Alckmin.
O candidato Paulo Skaf (PSB) teve o apoio do deputado federal Ciro Gomes. "Acreditem, Skaf é um homem notável, sério, preparado. (...) Não sou de pedir voto para qualquer um, mas para o Skaf eu garanto e assino embaixo", disse o deputado. "Obrigado Ciro, eu sinto que o povo de São Paulo não está entusiasmado com nenhum candidato. No fundo, ele gostaria de votar em alguém novo, diferente. Esse alguém existe gente e se chama Skaf", completou o próprio candidato.
A saúde foi o tema abordado pelo programa do candidato do Partido Progressista. Celso Russomanno falou sobre o mau atendimento na área e prometeu "mudar as coisas". "Pessoas querem ser respeitadas como gente, gente que paga imposto, que tem direito a bons serviços do governo", afirmou. "Fico revoltado, tanto quanto você", garantiu.
Fabio Feldmann, do Partido Verde, repetiu o mesmo programa da última semana, focado nas áreas da educação e da segurança pública. "A escola do século 21 deve valorizar professores e criar condições para que os alunos sejam sempre motivados a crescer", disse o verde.

Russomanno quer romper contrato de pedágio

Celso Russomanno, candidato ao governo pelo PP (Foto: Leonardo Soares/AE)

Celso Russomanno, candidato ao governo pelo PP (Foto: Leonardo Soares/AE)
O candidato do PP a governa dor de São Paulo, Celso Russomanno, ameaça acabar com os contratos das empresas que administram as rodovias do Estado. “Vou romper o contrato com as empresas que estão cobrando pedágio hoje em São Paulo”, disse em sabatina na TV Estadão. “E vou pagar multa.”
Ele negou ser herdeiro político do deputado federal Paulo Maluf, que é presidente do PP em São Paulo. “Tenho luz própria”, argumentou, demonstrando incômodo por ter de responder às questões sobre a relação com Maluf, que teve sua candidatura à reeleição à Câmara barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. “A Constituição é muito clara. Ninguém é condenado enquanto cabem recursos. Mas isso aí é o Judiciário que tem de responder, até para eu parar de ter de responder”, disse. Russomanno afirmou, por outro lado, que a Lei da Ficha Limpa deveria ser até mais dura.
Embora negue partilhar de uma estratégia semelhante à do candidato do PT, Aloizio Mercadante, Russomanno não poupou críticas às gestões tucanas no Estado. Citou o Metrô – “500 metros de Metrô por ano, 8 km de Metrô por 16 anos é brincadeira” – e garantiu que vai fiscalizar os contratos das empresas de ônibus municipais com as prefeituras. “É da prefeitura? É. Mas o Estado pode fiscalizar. E eu vou fiscalizar. Vou multar o município com multas pesadas até resolver o problema do transporte coletivo.” Russomanno também quer mais segurança nas escolas públicas e prometeu recontratar policiais na reserva para fazer patrulha nas escolas. “O Rio Grande do Sul fez isso e acabou com a droga na escola.”
O candidato falou ainda sobre o problema dos precatórios em São Paulo, dizendo que “o candidato do governo mente descaradamente” quando diz que o Estado não tem mais dívidas. “A pessoa que acionou o Estado, que ganhou ação, não recebe”, afirmou Russomanno, estimando que o passivo seja de R$ 20 bilhões. Ele promete que vai pagar os precatórios. “Tem uma quantidade imensa de empresários devendo ICMS. Só que vai rolando e cai nos perdidos. O Fórum de Execuções de São Paulo não tem condições de cobrar.” (Jair Stangler)
Veja a íntegra da sabatina com Russomanno na TV Estadão.

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