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sábado, 6 de novembro de 2010

Delegado é suspeito de forjar boletins

Folha de S.Paulo

Um delegado da Polícia Civil, dez policiais civis e cinco policiais federais são investigados sob a suspeita de forjar boletins de ocorrência para extorquir dinheiro de donos de postos de combustível. As ocorrências falsas seriam registradas na delegacia da Polícia Civil no aeroporto de Guarulhos (Grande SP).
A investigação começou em julho deste ano. Um dos suspeitos de chefiar o esquema é o ex-chefe da delegacia de Cumbica, Carlos Alberto Achôa Mezher. Ele negou as acusações.
O esquema, segundo investigação da PF e do Ministério Público Estadual, era sempre o mesmo: funcionários do aeroporto recebiam de R$ 100 a R$ 300 para registrar boletins de ocorrência contando que, ao abastecer em determinado posto, viram caminhões-tanque sem identificação descarregar combustível.
Eles, então, diziam que chegaram a pedir nota fiscal do combustível por terem ficado desconfiados, mas, que o dono do posto não a apresentou. Daí, diziam, decidiram levar o caso à polícia.
A suspeita é que foram registrados ao menos 50 boletins contra postos. A PF e a Promotoria dizem ainda não saber se os donos chegaram a aceitar a extorsão.
Pressão
Dois dos boletins investigados foram registrados em 16 de abril deste ano --um contra um posto em Sertãozinho (333 km de SP) e outro em Rio Claro (173 km de SP).
Nos dois casos, os denunciantes dizem ter abastecido exatos R$ 20. Com o boletim em mãos, segundo a investigação, os policiais civis e federais passavam a pressionar os donos dos postos para obter algum tipo de vantagem.
Os registros dos boletins, segundo uma testemunha, eram sempre direcionados pelos policiais federais, que já entregavam aos escrivães da Polícia Civil em Cumbica os dados dos postos que deveriam constar na ocorrência.
Desde o início das investigações, Mezher assumiu a chefia da Deatur (Delegacia Especializada no Atendimento ao Turista).
Conforme a reportagem revelou em junho, Mezher já é investigado por explorar segurança privada com a Cerco Segurança Patrimonial e Vigilância Ltda., empresa que está no nome da mãe e da mulher de Mezher, e que, nos últimos anos, firmou contratos de mais de R$ 4 milhões com o Estado e a Prefeitura de São Paulo.

http://www.agora.uol.com.br/policia/ult10104u825210.shtml

Prefeitura derruba cerca de 230 barracos na favela de Paraisópolis



Segundo Secretaria Habitação, 284 unidades habitacionais serão construídas no local
Talita Boros, da Folha Universal, com R7






A Prefeitura de São Paulo demoliu cerca de 230 barracos na área da comunidade Brotão, na favela de Paraisópolis, (zona sul da capital), nesta sexta-feira (5), segundo a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação). De acordo com moradores, a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo para forçar a desocupação do terreno. 

O capitão da PM Ednaldo Soares, responsável pela ação em Paraisópolis, afirmou que a bomba lançada pela polícia tinha o objetivo de afastar um dos moradores, que teria tentado machucar o funcionário da prefeitura que guiava a escavadeira

Lumi Zunica/R7


Em nota, a Sehab afirmou que a prefeitura promoveu a operação para impedir a invasão de um terreno em Paraisópolis. No local, 284 unidades habitacionais serão construídas para atender a famílias beneficiadas pelo programa habitacional Aluguel Social. Segundo a secretaria, serão construídas também no terreno uma creche e uma escola de música. 


A operação começou às 6h e foi concluída por volta das 17h. De acordo com o balanço preliminar da Sehab, foram demolidos 230 barracos simples de um cômodo, sendo que 90 deles estavam abandonadas. 

Das pessoas que tiveram de deixar o local, 60 procuraram o Plantão Social, que fica ao lado do terreno, mas apenas uma pôde ser atendida com o Auxílio Aluguel. A secretaria afirmou que a maioria dos moradores se tratava de pessoas solteiras, parentes de antigos habitantes da favela.  

A Sehab ainda informou que não houve confronto durante a desocupação do terreno.

De acordo com a Polícia Militar, 32 homens e dez carros foram mobilizados para acompanhar a desapropriação. A Guarda Civil Metropolitana contou com apoio de 80 homens (Foto por: Lumi Zunica/R7). 

demolicao-g-20101105


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Secretaria de Segurança afasta dois comandantes após sumiço de jovens na zona sul da capital


Quatros PMs ficarão presos temporariamente por 30 dias em presídio militar

Do R7 e Agência Estado





O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afastou nesta sexta-feira (5) o comandante do 50º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), tenente-coronel Ednaldo Cirino dos Santos, e o comandante da Companhia de Força Tática do 50º BPM/M, capitão Henrique Mota Neves. 

Os oficiais eram responsáveis pelos quatro policiais militares suspeitos de participar da morte do vigilante Emerson Heida, desaparecido em 10 setembro, no bairro de Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo. Nesse dia, Emerson pegou emprestado o carro da sogra para levar seu irmão Anderson, de 26 anos, até o trabalho, em São Bernardo do Campo (Grande SP), acompanhado do amigo Edson. 



Segundo familiares, Heida não tinha habilitação para dirigir e o veículo estava com o licenciamento atrasado, mas decidiu ajudar o irmão recém-contratado. 

Depois de deixar Anderson no ponto de ônibus do Largo do Rio Bonito, no bairro do Socorro, a vítima pegou o retorno para voltar para casa. O irmão contou que entrou no ônibus e, de dentro do coletivo, viu Emerson e Edson parados no cruzamento das avenidas Robert Kennedy e Professor Papini. Ambos estavam fora do carro, com as mãos para trás e conversando com PMs. 

Emerson não estava armado e não tem passagem pela polícia. Já Edson, segundo a mulher Patrícia Cândido de Paula, já cumpriu dois anos de prisão por roubo. 

Os quatro policiais militares que fizeram a abordagem - um sargento, um tenente e dois soldados - foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte, e ficarão presos temporariamente por 30 dias.

Polícia de SP abre inquérito para investigar suposto crime de racismo no Twitter

FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO


A Polícia Civil de São Paulo vai investigar a estudante Mayara Petruso e outras pessoas suspeitas de praticar racismo contra nordestinos no Twitter.


Um inquérito foi instaurado hoje pela delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para apurar o suposto crime cometido pela garota e a responsabilidade por um manifesto virtual intitulado "São Paulo para os paulistas", que, dentre outras coisas, diz reivindicar "o fim da repressão ao paulista sobre o tema da migração em sua própria terra".



O manifesto já foi assinado por quase 1.500 pessoas, que também podem vir a responder, como a estudante de direito, pelo crime de incitação ao racismo.
A garota poderá ser indiciada também por incitação ao crime por ter pedido no Twitter que seus seguidores "matassem um nordestino afogado".
Se condenada por incitação ao racismo, poderia pegar de dois a cinco anos de prisão. No caso da incitação ao crime, a pena é de três a seis meses de prisão ou multa.
É a primeira vez que a delegacia de crimes raciais de São Paulo vai investigar um caso de preconceito no Twitter.
Segundo a delegada Margarette Barreto, a apuração de autoria de crimes é mais difícil no mundo virtual porque os usuários costumam apagar seus perfis nas redes sociais quando casos polêmicos ganham notoriedade.
"Vamos fazer um trabalho sério dentro das possibilidades de prova", diz.
A delegada afirma que os usuários das redes sociais podem contribuir com a polícia imprimindo imagens de frases de outros usuários que incitem o preconceito ou o crime e encaminhando-as à polícia.
Ela espera concluir a investigação em até três meses.

Justiça adia desocupação em prédio no centro de São Paulo; sem-teto não sabiam da decisão

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Reintegração de posse do imóvel estava prevista para segunda-feira, mas ficou para o dia 25
    Reintegração de posse do imóvel estava prevista para segunda-feira, mas ficou para o dia 25
Atendendo a um pedido da Polícia Militar (PM), a Justiça de São Paulo adiou para o dia 25 de novembro a reintegração de posse do edifício número 895 da avenida Ipiranga, imóvel do centro de São Paulo ocupado por integrantes da Frente de Luta por Moradia (FLM) desde o dia 3 de outubro.
Pelas informações confirmadas nesta sexta-feira (5) pelo Tribunal de Justiça (TJ), um requerimento da PM foi deferido (acatado) no processo 583.00.2010.194785-9, pedindo que a desocupação fosse cancelada do próximo dia 8 para o dia 25, "levando-se em consideração informações de que no imóvel estão mais de mil pessoas, de modo a demandar, de fato, ação coordenada". Em outras palavras, a polícia pedia mais tempo para organizar o processo, que necessitaria de apoio até da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Apesar da decisão e de sua publicação, os próprios sem-teto disseram não ter sido informados oficialmente sobre a notícia até agora --nem pelo advogado da organização. Procurada, a assessoria de imprensa do TJ ainda não deu retorno explicando o motivo da falta de informação às famílias. 
Com a reintegração marcada para a próxima segunda-feira (8), os ocupantes já estavam planejando a saída.
"Estamos aguardando e rezando para segunda-feira. Viemos preparados para ficar, mas também para ser expulsos", dizia a coordenadora da FLM Maria Aparecida Ferreira, 52, conhecida como "Maria do Planalto".
Ela foi avisada do adiamento pela reportagem. "É sério? Não vamos mais sair? Bênção. Você não sabe como tirou um peso das minhas costas", disse, surpresa, avisando que faria uma oração coletiva para comemorar a decisão da Justiça.
Segundo Ferreira, estão no prédio atualmente 850 famílias ou 1.200 pessoas, das quais 373 são crianças. "Vamos daqui para rua. Sabemos disso. Não temos outra opção e a prefeitura não tem cumprido nossos acordos, como oferecer opções de moradia e auxílio financeiro permanente para quem não tem casa para morar", reclama.
Prazo
O responsável pelo processo é o juiz Marcos Alexandre Santos Ambrogi, da 19º Vara Cível. Como ele informou em seu despacho, cabe agora à PM "providenciar a comunicação a CET, à Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo e à Secretaria Municipal de Habitação, relativamente à nova data".

Segundo o magistrado, "não se admitirá nova alteração", já que o "o cumprimento da ordem não pode ser obstado por critérios de conveniência ou oportunidade da Administração Pública, sendo certo que o prazo concedido é mais que suficiente para adoção de procedimento articulado."
Dona do prédio e parte no processo, a HM Engenharia, do Grupo Camargo Corrêa, informou apenas que "confia no respeito à decisão judicial e que a solução para a desocupação será realizada de forma pacífica". A PM, assim como a Secretaria Municipal de Habitação, também foram solicitadas a se pronunciar sobre o caso, mas ainda não enviaram as informações - que serão publicadas assim que recebidas.

Safatle: Serra fundou o Partido da Direita Cristã. O Tea Party


Numa entrevista ao Caderno ‘Sexta-Feira e Fim de Semana’, do jornal Valor Econômico, o professor e filósofo Vladimir Safatle, da USP, mostrou de forma brilhante o sinistro legado que José Serra deixou para a política brasileira: a criação de uma corrente de diretia radical que, nos EUA, se chama de Direita Cristã e, no momento, paralisa o sistema político americano com o movimento Tea Party.

O sinistro do legado da campanha calhorda – como diria o Ciro Gomes – do aborto é, segundo o Safatle, que Serra destampou um monstro que a habilidade política brasileira escondia no armário.

Irresponsavelmente, Serra abriu o armário e trouxe esse segmento político para a cena brasileira e, de lá, ela não vai sair.

Serra fez o papel que George Bush desempenhou nos EUA: transformou cristãos católicos de direta em personagens irremovíveis do sistema político.

É isso o que ele representa.

É essa a sua única obra.

Leia o professor Safatle:

- A candidatura Serra, durante todo o primeiro turno, nunca empolgou eleitoralmente. Não cresceu. Começou a crescer de verdade quando o Serra resolveu flertar com setores conservadores da sociedade brasileira, ou seja, os setores mais conservadores da igreja – teve votação expressiva no chamado cinturão do agronegócio – e também com a fina flor do pensamento conservador. Isso poderia parecer uma estratégia eleitoral. De fato, mostrou uma coisa que a gente não sabia: existe um pensamento conservador forte no Brasil e esse pensamento tem voto. Pode ser mobilizado por questões relativas à modernização dos costumes. Um exemplo, ainda no governo Fernando Henrique, quando José Gregori era secretário dos Direitos Humanos, aprovaram o PNDH 2 [Programa Nacional de Direitos Humanos], em 2002. E se você for ver, por exemplo, no capítulo sobre o aborto, ele é idêntico, fora uma ou duas palavras, ao PNDH 3, que foi criticado durante a campanha eleitoral. Parece que foi um processo deliberado, problemático, que coloca questões sobre o que vai ser sua candidatura daqui para a frente. Terminou prometendo que seria contra a lei da homofobia em encontro com pastores evangélicos. Com isso, Serra destampou uma franja eleitoral que estará presente no debate nos próximos quatro anos. Esse tipo de pauta não vai desaparecer. Vai voltar em vários momentos. A primeira questão é saber como isso vai se configurar. Até porque existe uma tendência mundial de construir um pensamento conservador que tem forte densidade eleitoral. A gente vê isso nos EUA, na Europa, e vai ver no Brasil de uma maneira ou de outra.

- A questão do aborto foi um dos pontos mais baixos da história recente da política brasileira. Discordo terminantemente de que tenha sido um movimento espontâneo da sociedade civil. Ao que tudo indica, e a própria imprensa investigou isso, o candidato da oposição disparou por meio da central de boatos da internet toda essa questão. Existia um acordo tácito entre os dois grandes partidos políticos brasileiros, PT e PSDB, de que essa questão não seria posta em debate, porque vem de aspectos dos mais arcaicos da sociedade brasileira, e nenhum dos partidos queria jogar isso contra o outro justamente por esse arcaísmo. Quando o papa João Paulo II veio ao Brasil, houve um desconforto porque Ruth Cardoso [ex-primeira-dama] tinha se declarado a favor da legalização do aborto. E de repente temos a mulher do candidato da oposição [Monica Serra] dizendo que Dilma é a favor de matar criancinhas!

- De fato meu lado perdeu, com muita clareza. Não sou filiado ao PT nem a partido algum. Todos aqueles para quem a modernização dos costumes é fundamental no interior do desenvolvimento das sociedades democráticas perderam. Não foi simplesmente uma questão ligada ao aborto. Foi uma maneira que o pensamento conservador encontrou de pautar a agenda do debate político neste país. Mostraram que têm força, têm voto e conseguem bloquear a discussão. E agora não vão sair, vão ficar. Havia uma espécie de ilusão de que não havia espaço para um partido que conseguisse mobilizar o pensamento conservador no Brasil. Isso não é verdade, eles demonstraram que têm força. Quando Serra colocou essa questão no debate, com clareza e todas as palavras, cobrando da adversária que ela se posicionasse, ele criou uma situação que, daqui por diante, é uma questão da política brasileira e todos vão ter de se posicionar a respeito.


Serra vive dia de Chávez e ouve “Por que não te calas?”

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 05/11/2010, 20:06

São Paulo – O candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB), viveu um dia de Hugo Chávez em visita à Europa. Ao discursar no encerramento do XI Fórum de Biarritz, na França, o ex-governador ouviu um “Por que não te calas?” vindo da plateia.
De acordo com o Jornal do Brasil, a manifestação partiu de um integrante da Fundação Zapata, do México, quando o tucano criticava a política externa governo Lula, acusado de fazer um “populismo” de direita. A cena lembrou o ocorrido em 2008 durante encontro no Chile. Na ocasião, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticava a Espanha, o rei deste país, Juan Carlos, levantou-se e gritou “Por que no te callas?”, frase que ficou mundialmente famosa.
Agora, Serra, que durante os últimos anos dedicou-se a criticar o processo de integração latino-americano, sentiu-se durante alguns instantes na pele do venezuelano. Durante sua exposição, o candidato derrotado afirmou que o Brasil está “fechado para o exterior” e que passa por um claro processo de desindustrialização devido à alta carga tributária e à falta de investimentos do governo federal – este ano, a carga de investimentos públicos deve atingir o maior nível da história em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
"É um governo populista de direita na área econômica", atacou Serra, que afirmou ainda haver um “populismo cambial” e reclamou de não ter tido a oportunidade de debater esses temas durante a campanha eleitoral. "A democracia não é apenas ganhar as eleições, é governar democraticamente.”

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Censura da imprensa e coação de servidores públicos: governo de SP busca esconder crise no Metrô

Governador e Instituto de Criminalística negam conclusão do laudo sobre pane no Metrô em SP

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou na tarde desta quarta-feira (3) que o laudo sobre as causas da pane na Linha 3-Vermelha do Metrô no dia 21 de setembro ainda não foi concluído pelo Instituto de Criminalística (IC). Segundo o órgão, a paralisação que prejudicou 250 mil pessoas e obrigou usuários a quebrar janelas e andar nos trilhos está sendo analisada pelos peritos do IC.
Como informou o jornal "O Estado de S. Paulo" hoje, com base em informações extraoficiais e em supostas declarações do governador de São Paulo Alberto Goldman, “o laudo detalha que a superlotação de uma das composições próximo da estação Sé fez um equipamento --denominado micro switch-- emitir o sinal de porta aberta, para impedir o condutor de movimentar o trem”.
A reportagem afirma que esse aparelho deve impedir que a composição saia de portas abertas, mas também pode ser ativado se as folhas da porta forem pressionadas pelos corpos dos passageiros. “Como o trem estava superlotado, a porta foi realmente pressionada, o que acionou o sinal”, afirmou o jornal.
Tal notícia derrubaria a tese de sabotagem, ventilada no dia da pane e nos dias seguintes ao fato por autoridades paulistas e diretores do Metrô. Na ocasião, em plena campanha eleitoral, Goldman disse em entrevista gravada que “alguém colocou uma camisa” na porta, suposição confirmada pelo diretor de operações do Metrô, Conrado Grava de Souza. O vandalismo teria como objetivo provocar um caos em um sistema operado pelo Estado, prejudicando a imagem eleitoral do então candidato e ex-governador José Serra (PSDB).
Hoje, em uma coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o próprio governador disse que tal laudo “pode ser que venha a existir”. Atualmente, no entanto, não há confirmação sobre os resultados da perícia do IC. “Até hoje, nem eu conheço, nem o secretário de Segurança Pública. Se existe, nós não temos conhecimento. Até agora, para nós, esse laudo não existe. Não sei de onde veio a notícia”,  insistiu Goldman.
Problema antigo
Apesar da indefinição sobre a causa da pane, entidades representativas dos metroviários sustentam que a superlotação é, de fato, a explicação mais ponderável para o episódio.

Falando em nome da Associação dos Operadores de Trens (AOT), um operador com 19 anos de experiência, que atualmente comanda composições na Linha 3- Vermelha, disse que é “frequente” a ocorrência de incidentes como os vividos no dia 21 de setembro.
Como ele explicou, os trens que chegam à estação Sé no sentido Barra Funda sempre encontram uma curva inclinada à direita. “Os passageiros sempre acabam sendo jogados um pouco para o lado direito”, diz. Nos horários de pico, o embarque o desembarque na Sé é demorado, o que faz com que os trens que estão na fila para chegar na plataforma esperem sobre a inclinação. “O peso de tanta gente recai na porta, que cede e acusa uma abertura”, argumentou o operador, que não quis se identificar por temer represálias da companhia.
Quando isso acontece, é emitido um sinal de aviso, informando que determinada porta pode estar aberta, obrigando o responsável pela composição a ir até o local verificar se há alguma irregularidade. Foi nesse meio tempo, segundo o operador, que as pessoas, “por sobrevivência naquele calor”, começaram a se desesperar e acionaram os botões de emergência para abertura das portas, além de quebrar as janelas.
Flavio Godoy, diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, também concorda com a tese. Segundo ele, a inclinação na chegada da Sé é conhecida de todos os operadores e, “muitas vezes”, provoca situações parecidas no trecho. “Não é de hoje. É um problema antigo, que o Metrô tem conhecimento. E pode se repetir com tranquilidade”, afirmou o sindicalista, que não comanda trens, mas diz ter conhecimento do assunto por ser supervisor de estação “há 30 anos”.
Godoy também criticou a postura do governo no episódio. Segundo ele, Goldman tentou dar uma conotação política ao problema. “É ruim. A pessoa fala uma coisa e depois é obrigada a se retratar. Problemas desse tipo têm causas bem mais sérias e que não podem ser esquecidas”, disse o diretor do sindicato.
Outro lado
Em nota, o Metrô afirmou que "não recebeu cópia do laudo produzido pelo IC" e que, portanto, "não pode se pronunciar sobre o assunto". O delegado que conduz o inquérito sobre o problema no dia 21 de setembro, Valdir de Oliveira Rosa, informou que ainda não teve acesso ao laudo mencionado pela reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo". Ele afirmou ainda que não irá conceder entrevista até encerrar o inquérito, o que não tem data para acontecer.

Falha técnica causou pane na Linha 3 do Metrô, indica IC



Em São Paulo



A pane que levou à paralisação por mais de duas horas de 18 estações da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, prejudicando 250 mil pessoas no dia 21 de setembro, foi provocada por um problema técnico em um equipamento localizado acima das portas dos trens. É o que indica a perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC).
Havia a suspeita de ação criminosa no tumulto em pleno horário de pico da manhã. A direção do Metrô chegou a dizer que uma blusa havia impedido o fechamento das portas. No dia do incidente, o governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou que uma sindicância iria apurar se a pane foi acidental ou proposital.
Ele chegou a admitir que falhas recentes no transporte público da Grande São Paulo preocupavam o Estado. E deixou no ar a hipótese de que a paralisação teria sido uma sabotagem, com cunho eleitoral. "Não sabemos a motivação pela qual você encontra uma porta que não foi fechada pela ação de alguém. Se foi casual ou motivado, se foi um acidente ou foi proposital, nós queremos saber."
Agora, com a conclusão da perícia técnica, Goldman deixou claro que o incidente foi provocado por pane técnica. "Em nenhum momento achei que fosse sabotagem. No trem lotado, alguém encostou no botão de abrir a porta e todos começaram a descer, já que o trem não andava", explicou, no dia 25. Técnicos do Metrô ainda estudam uma solução para o problema que, em tese, pode voltar a se repetir com a superlotação das composições.
De acordo com o governador, o laudo detalha que a superlotação de uma das composições próximo da Estação Sé fez um equipamento - denominado micro switch - emitir o sinal de porta aberta, para impedir o condutor de movimentar o trem. Esse aparelho deve impedir que a composição saia de portas abertas, mas também pode ser ativado se as folhas da porta forem pressionadas pelos corpos dos passageiros. Como o trem estava superlotado, a porta foi realmente pressionada, o que acionou o sinal.
A mesma superlotação pode ter feito o corpo de algum passageiro encostar no botão de emergência (mais conhecido como botão soco), que permite a abertura das portas enquanto o trem está parado. Em seguida, os passageiros começaram a descer para a linha, o que provocou o desligamento da energia elétrica para proteção dos usuários.
"Aí os trens começaram a parar e todo mundo desceu para a linha", disse Goldman. No dia 21, o diretor de Operações do Metrô, Conrado Grava de Sousa, havia informado que uma blusa havia impedido o fechamento das portas. Mas a polícia não encontrou nenhum indício de que tenha havido um ato intencional de um sabotador para provocar a pane. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Preconceito é denunciado na internet: São Paulo é a principal fonte

OAB/PE VAI À JUSTIÇA CONTRA ATAQUES ENVIADOS PELO TWITTER

No domingo, usuários do microblog começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste contra a vitória de Dilma
Recife. A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada pelo Twitter após o resultado da eleição.

No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste contra a vitória de Dilma Rousseff, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região. A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deve responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio. Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

“São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos?”, diz Mariano.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.

“Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado”, completa Mariano.

No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma postaram frases como “Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil” e “Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral”. Como reação, outros usuários passaram a gerar mensagens com “#orgulhodesernordestino”, hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial no Twitter.
Justificativa

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