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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Serra odeia a democracia.

Video mostra como Serra reage quando a imprensa (mesmo o apoiando) lhe faz uma pergunta que não o agrada.

Serra e Alckmin vaiados em protesto de professores em Campinas

(do Portal Terra) O candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, fez campanha com o presidenciável tucano José Serra em Campinas, nesta quinta-feira (16). Os candidatos estavam acompanhados de Aloysio Nunes (PSDB), que concorre a uma vaga no Senado. Ao realizarem uma caminhada por Campinas, os tucanos se depararam com um protesto de um grupo de professores, que reclamaram da educação no estado de São Paulo.
Com gritos de "queremos concurso público" e "aonde estão as duas professoras em sala de aula?", Alckmin teve que explicar a falta de concursos no Estado. "Quando vai ter efetivamente concurso para professores de primeira a quarta série? Questione o professor Paulo Renato (de Souza, Secretário da Educação) para ele dar uma resposta quanto às datas que ele precisa ter para concursos para professores. Todo ano chega a informação de que vai ter concurso e não tem", afirmou a professora Cristiane França. Como resposta, ouviu do candidato tucano ao governo "vou pedir para alguém verificar esse assunto".

Na prática a teoria é outra 3: Falhas constantes causam mais transtornos no metrô de SP.


(do Escrevinhador)
São Paulo. Quinta-feira, 16 de setembro. 8h20. Estação Ana Rosa do metrô, ponto de intersecção entre as linhas azul e verde.
Os trens da linha azul fluíam normalmente e estavam relativamente vazios. Desci na Ana Rosa para seguir ao Sacomã, ponto final da linha verde. Fazer a baldeação nesta estação deveria ser algo rápido – sobretudo indo da linha azul para a verde, a menos movimentada. Ainda era cedo mas o horário de pico já havia passado.
Foi com uma leve surpresa que me deparei com várias pessoas olhando a plataforma. Já antevi que lá embaixo estaria lotado e que os trens não estariam circulando normalmente. Tive apenas uma leve surpresa porque, apesar de não frequentar a linha, já tinha visto aquilo no mês passado no mesmo horário mas imaginei que era uma exceção. Aparentemente estava enganada. Ou teria sido uma azarada coincidência?
Hoje pela manhã, quase todos estavam com celulares à mão ligando para avisar ao chefe que chegariam atrasados. O problema maior era no sentido Vila Madalena, que é também o mais movimentado pois leva as pessoas que trabalham nos escritórios nas regiões das avenidas Paulista, Rebouças e Faria Lima. Pelos alto falantes, o recado era que havia uma falha e por isso os trens circulavam com menor velocidade. Mensagem padrão que é dada diariamente em todas as linhas.
No outro sentido, a linha estava aparentemente tranquila. Entretanto, quando o trem chegou os usuários foram avisados de que deveriam descer pois o veículo não prestaria mais serviços. Fato inusitado mas logo em seguida chegou outro e tudo estava resolvido, ao menos aparentemente. Ao tentar sair, o metrô deu um tranco e desligou. Parecia um motorista iniciante deixando o carro morrer. O condutor parecia confuso, gaguejou ao tentar explicar mas ao fim disse que era uma falha no suprimento de energia.
Ironicamente, enquanto esperava, li no jornal a matéria sobre a estação de trem que foi depredada ontem. O motivo foi o atraso de trens e o fechamento da estação para controlar o número de pessoas na plataforma. Tal como hoje, o problema foi elétrico. Uma “pane elétrica”no caso.

Uma mentira repetida mil vezes…
Nas duas vezes, veio à minha mente a mesma imagem: a propaganda do governo estadual (PSDB) e municipal (DEM) sobre o transporte público. Não consigo entender como apresentam o metrô como vitrine de seus mandatos. O abismo entre a propaganda e a realidade é assustadoramente enorme. São cerca de três milhões de usuários diários. Os problemas enfrentados por eles com certeza são difundidos a outras pessoas, o que leva a um universo ainda maior de pessoas que tem contato com a questão. Como esconder a deficiência deste meio de transporte e ainda exaltá-lo?
A falta de informações sobre a situação do metrô e trem é gritante. Os órgãos oficiais responsáveis tratam a maioria dos episódios como isolados, problemas pontuais. E a propaganda oficial apresenta estes serviços como o máximo de eficiência e modernidade. Entretanto, quem usa esses transportes sabe que a ocorrência de falhas é constante. A mídia não dá devida atenção ao problema e quando dá fica restrita às versões oficiais. Recentemente foi noticiado problemas nos trens novos comprados para a linha vermelha do metrô, a mais movimentada. Havia um problema técnica que oferecia risco aos usuários, os veículos tiveram que ser retirados.
Cidade desigual
Para além das questões técnicas está a própria deficiência em suprir demanda dos cidadãos, são muitos usuários e o desconforto é a regra. Indo mais além, há uma discussão fundamental que é a do planejamento urbano. A região central concentra a oferta de trabalho ao mesmo tempo em que possui uma taxa de ocupação para moradia baixíssima. O inverso ocorre nas periferias que são densamente populadas mas com poucas oportunidades de emprego. Essa discrepância é responsável pelo intenso fluxo de pessoas que são obrigadas a se locomover por grandes distâncias. Resolver a deficiência do transporte público passa, obrigatoriamente, pela questão da moradia e pelo enfrentamento da especulação imobiliária.

Os movimentos por moradia já possuem essa consciência e por isso direcionam as suas ações em ocupar grandes prédios abandonados (e, em geral, endividados) no centro. Falta ainda um poder público desatrelado aos interesses do setor imobiliário e comprometido com o bem estar da sua população.

Candidato milionário, acusado pela polícia de ligação com o PCC, apoia Alckmin.

Adulteração de combustível, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Essas são as acusações feitas pela Polícia Civil contra o candidato do Partido Social Cristão (PSC) a deputado federal, Claudinei Alves dos Santos, de 29 anos, o Ney Santos.
Ele também é investigado por suposto envolvimento com o tráfico de drogas e com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Porém, tem como escolta um policial civil.
Preso sob a acusação de roubo em 2003, Ney Santos saiu da prisão em 2006 e, nos últimos quatro anos, acumulou, segundo a polícia, um patrimônio de R$ 50 milhões. Ele passou a ser investigado há 90 dias justamente por causa do rápido enriquecimento

(do Jornal da Tarde)
Adulteração de combustível, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Essas são as acusações feitas pela Polícia Civil contra o candidato do Partido Social Cristão (PSC) a deputado federal, Claudinei Alves dos Santos, de 29 anos, o Ney Santos.
Ele também é investigado por suposto envolvimento com o tráfico de drogas e com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Porém, tem como escolta um policial civil.
Preso sob a acusação de roubo em 2003, Ney Santos saiu da prisão em 2006 e, nos últimos quatro anos, acumulou, segundo a polícia, um patrimônio de R$ 50 milhões. Ele passou a ser investigado há 90 dias justamente por causa do rápido enriquecimento.
Nessa semana, a Justiça bloqueou os bens, mas negou o pedido de prisão temporária de cinco dias de Ney Santos, formalizado pela Delegacia Seccional de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.
Na lista de bens bloqueados estão uma Ferrari avaliada em R$ 1,4 milhão, duas casas em Alphaville, cada uma no valor de R$ 2 milhões, 15 postos de combustíveis, escritórios, apartamentos, casas e outros carros de luxo.
Nesta quarta-feira, a Polícia Civil cumpriu 13 mandados de busca nos imóveis e empresas do candidato e apreendeu veículos, computadores e documentos contábeis.
Ney Santos, acompanhado do advogado Francisco Assis Henrique Neto Rocha, compareceu nesta quarta-feira, 15, de manhã à Delegacia Seccional de Taboão da Serra. Porém, não foi ouvido pelo delegado titular Raul Godoy Neto, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Seccional de Taboão.
Segundo a Polícia Civil, o depoimento foi marcado para a próxima segunda-feira. Rocha disse que seu cliente é inocente, não tem patrimônio de R$ 50 milhões e os rendimentos são suficientes para comprar os bens.
‘Laranjas’
A Polícia Civil também pediu a prisão temporária de cinco dias de Michele de Sousa Lima, 28 anos, prima de Ney Santos, e do frentista Ricardo Luciano Andrade dos Santos, 24 anos. Ambos são apontados como “laranjas” do candidato.
A garota foi ouvida e afirmou que o primo construiu seu patrimônio com a venda de combustíveis adulterados e sonegação de impostos. Ela disse não saber se ele tem ligação com o crime organizado.
Michele disse que Ney Santos a colocou como sócia em dois postos de combustíveis, em São Bernardo e Diadema, porque ele precisava de alguém com o nome limpo. Afirmou ainda que recebe R$ 2 mil por mês e que ganhou do primo um Fox prata e um apartamento. O carro e o veículo, no entanto, estão em nomes de terceiros. Acrescentou que tem em seu nome um Mitsubishi L-200.
Marcos Henrique Pereira Dias, marido de Michele, também foi ouvido. Ele confirmou as declarações da mulher. Disse que trabalhou como frentista para Ney Santos até fevereiro deste ano. Segundo ele, o candidato, por ter sido preso, conhecia parentes de detentos e os ajudava, abastecendo os carros de graça.

‘Ficha limpa’
Nos cartazes e santinhos do candidato aparece, ao lado de sua foto, a inscrição “ficha limpa”. Mas para a Polícia Civil, Ney Santos é Nei Gordo, seu apelido em 2003 quando foi preso sob a acusação de roubo de malotes em Marília (SP).
No Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Ney Santos declarou ser empresário e ter patrimônio no valor de R$ 1.279.286,85. Em outra relação do TRE consta que ele gastou R$ 330.000,00 em julho e agosto, dois primeiros meses de campanha.
A Procuradoria Regional Eleitoral informou que espera ser notificada sobre o caso para saber se cabe alguma representação contra o candidato. De acordo com a Receita Federal, a movimentação financeira dele é incompatível com os rendimentos declarados e patrimônio formado.
Policiais civis fotografaram as mansões e os carros de Ney Santos. Na garagem da casa de Barueri aparece um Porsche Cayenne, placas AKL-6300/SP, avaliado em R$ 300 mil. Em outra casa em Alphaville, a polícia encontrou o Palio do chefe operacional da 2ª Delegacia Seccional (Sul), apontado como escolta do candidato.
Além de Ney Santos, a Polícia Civil investiga Piter Aparecido dos Santos, o Pepê, acusado de traficar drogas para o PCC. “O Pepê deu entrada no seguro-desemprego em 2006. Só que empresta dinheiro e compra postos de gasolina do Ney Gordo, que agora está magro porque fez cirurgia de redução de estômago”, revelou um policial de Taboão da Serra.

Ney Santos alega ‘perseguição’
Santos ficou dez horas na Seccional e, ao sair da delegacia sem depor, disse ser vítima de perseguição de líderes políticos da região de Taboão da Serra. “Eles sabem que estou em 1º lugar, liderando as pesquisas. Por isso sou perseguido”.
O candidato também negou ter um patrimônio de R$ 50 milhões. Mas admitiu ser dono da Ferrari apreendida pela Polícia Civil.
O advogado Francisco Assis Henrique Neto Rocha afirmou que seu cliente é inocente e que nunca teve patrimônio de R$ 50 milhões.
Segundo o defensor, Ney Santos financiou a Ferrari em um banco e pagou a primeira parcela este mês. “Ele era pobre, veio da classe de baixo”.
Rocha afirmou que seu cliente foi absolvido pela Justiça das acusações de receptação, em 2002, e de roubo, em 2003.

Segundo Datafolha, Dilma bate Serra no Estado de SP em 1,8 milhão de votos.

Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de setembro, Dilma Roussef (PT) ganha de José Serra (PSDB) em todas as regiões e Estados do país.
No Estado de SP, a candidata do PT lidera com 41% dos votos, enquanto o tucano aparece com 35%, Marina com 14% e os indecisos são 10%. Considerando que o Estado de SP possui mais de 30 milhões de eleitores aptos a votar, isso representa uma dianteira de mais de 1,8 milhão de votos.
Outros estados também foram pesquisados:
em Minas Gerais, Dilma está com 51% e Serra com 24%;
no Rio de Janeiro, Dilma está com 49% e Serra com 21%;
no Rio Grande do Sul, Dilma está com 43% e Serra com 38%;
no Paraná, Dilma está com 46% e Serra com 33%;
na Bahia, Dilma aparece com 64% e Serra com 18%;
em Pernambuco, Dilma tem 67% e Serra 18%;
no Distrito Federal, Dilma tem 51% e Serra 16%;

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Deputados estaduais do PT em SP querem CPI do Judiciário

Por: Fábio Oscar, especial para a Rede Brasil Atual

Publicado em 15/09/2010, 19:02
São Paulo - O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Antonio Mentor, apresentou na tarde desta quarta-feira (15), um pedido para a instauração de uma CPI do Judiciário do estado. O objetivo do documento, assinado por 32 parlamentares de diversos partidos, além do PT, é investigar o descumprimento, por parte do Poder Executivo, da norma que garante ao Judiciário autonomia administrativa e financeira na elaboração da proposta orçamentária do setor.
As propostas de Orçamento do Estado que chegam à Assembleia não trazem os dados originalmente aprovados pelo Poder Judiciário, mas apenas os valores já reduzidos pelo Poder Executivo. Em 2010, o corte efetuado pelo Governo do Estado na mais recente proposta de Orçamento do Judiciário foi de 28,2%. Em 2009 foi de 41,26% e, em 2008, de 35,89%.
"A Comissão Parlamentar de Inquérito terá a atribuição de investigar porque o Poder Executivo insiste em descumprir a determinação constitucional existente, mesmo após ter o Supremo Tribunal Federal ter confirmado que a proposta orçamentária aprovada no âmbito do Poder Judiciário deverá ser incorporada, integralmente, à proposta orçamentária geral", explica o deputado.

Leandro Fortes: é proibido citar a Carta

extraído do TIJOLAÇO

Transcrevo, porque creio estar prestando um serviço à liberdade de informação, o post do jornalista Leandro Fortes, um profissional corretíssimo, publicado em seu blog Brasília, eu vi, onde ele explica uma obviedade inexplicável  – porque a grande imprensa não repercute nada sobre as denúncias envolvendo a filha de José Serra – e indaga sobre uma inexplicável dúvida: porque os órgãos governamentais não agem diante destas denúncia. A resposta, meu caro Leandro, é uma só: medo. Mas o monstro está solto, e quem achar que sendo “bonzinho” com ele lhe acalmará a fome, pode  lhe morrer entre os dentes. E pior, quietinho. Apenas acrescento: não há como ter consequencia prática qualquer ação parlamentar, a três semanas das eleições.  Mas tomarei a iniciativa, sim, quando houver espaço real para isso, o que infelizmente só ocorrerá depois das eleições.

A quem interessa tornar a CartaCapital invisível?

Desde o fim de semana passado, tenho recebido uma dezena de e-mails por dia que, invariavelmente, me perguntam sobre a razão de ninguém repercutir, na chamada “grande imprensa”, a matéria da CartaCapital sobre a monumental quebra de sigilo bancário promovida, em 2001, pela empresa Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal). Juntas, as Verônicas quebraram o sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, sob os auspícios do Banco Central. Nada foi feito, desde então, para se apurar esse fato gravíssimo, apesar de o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), ter oficiado o BC a respeito. Nada, nenhuma providência. Impunidade total.

Temer, atualmente, é candidato da vice na chapa da petista Dilma Rousseff, candidata do mesmo governo que, nos últimos dias, mobilizou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para investigar uma outra denúncia, feita contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, publicada na revista Veja no mesmíssimo dia em que a Carta trazia a incrível história das Verônicas e a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.
Justíssima a preocupação do governo em responder à denúncia da Veja, até porque faz parte da rotina do Planalto fazer isso toda semana, desde 1º de janeiro de 2003. É quase um vício, por assim dizer. Mas por que não se moveu uma palha para se investigar as responsabilidades sobre, provavelmente, a maior quebra de sigilo do mundo ocorrida, vejam vocês, no Brasil de FHC? Que a mídia hegemônica não repercuta o caso é, para nós, da Carta, uma piada velha. Os muitos amigos que tenho em diversos veículos de comunicação Brasil afora me contam, entre constrangidos e divertidos, que é, simplesmente, proibido citar o nome da revista em qualquer um dos noticiários, assim como levantar a possibilidade, nas reuniões de pauta, de se repercutir quaisquer notícias publicadas no semanário do incontrolável Mino Carta. Então, vivemos essa situação surreal em que as matérias da CartaCapital têm enorme repercussão na internet e na blogosfera – onde a velha mídia, por sinal, é tratada como uma entidade golpista –, mas inexistem como notícias repercutíveis, definitivamente (e felizmente) excluídas do roteirinho Veja na sexta, Jornal Nacional no sábado e o resto de domingo a domingo, como se faz agora no caso de Erenice Guerra e a propina de 5 milhões de reais que, desaparecida do noticiário, pela impossibilidade de ser provada, transmutou-se num escândalo tardio de nepotismo.
Enquanto o governo mete-se em mais uma guerra de informações com a Veja e seus veículos co-irmãos, nem uma palha foi mexida para se averiguar a história das Verônicas S. e D., metidas que estão numa cabeludíssima denúncia de quebra de sigilo bancário, justamente quando uma delas, a filha de Serra, posava de vítima de quebra de sigilo fiscal por funcionários da Receita acusados de estar a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal, nem a CGU, nem Banco Central tomaram qualquer providência a respeito. Nenhum líder governista no Congresso deu as caras para convocar os suspeitos de terem facilitado a vida das Verônicas – os tucanos Pedro Malan e Armínio Fraga, por exemplo. Nada, nada.
Então, quando me perguntam o porquê de não haver repercussão das matérias da CartaCapital na velha mídia, eu respondo com facilidade: é proibido. Ponto final. Agora, se me perguntarem por que o governo, aliás, sistematicamente acusado de ter na Carta um veículo de apoio servil, não faz nada para apurar a história da quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, eu digo: não faço a menor idéia.
Talvez fosse melhor vocês mandarem e-mails para o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a CGU e o Banco Central.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Eleições em SP estão indefinidas.



(do Transparência SP) As eleições em SP ainda estão absolutamente indefinidas. Os dados acima, coletados do próprio Datafolha (pesquisa do dia 8 e 9 de setembro), foram pouco debatidos pelos jornalões e TV´s, mas já dá para entender o porquê da sonegação desta informação.
A 20 dias das eleições, a candidatura de Alckmin, que possui 49% na pesquisa estimulada, só conseguiu "amarrar" de fato 26% dos eleitores - pouco mais da metade (53%) -, sendo que este percentual caiu ainda dois pontos em relação à ultima pesquisa do próprio Datafolha.
Já a candidatura de Mercadante, que tem 23% na pesquisa estimulada, conta com 15% na espontânea, consolidando cerca de 65% dos seus eleitores.
Mais ainda, considerando os percentuais de votação espontânea em Alckmin (26%) e Serra (1%) de um lado e os percentuais de votação espontânea em Mercadante (15%), Russomano (3%), Skaf (2%), Candidato do PT (1%) e Outros (3%), a diferença que pode levar a eleição para um segundo turno cai para apenas 3%. Ressaltando ainda que 44% não sabem em quem votar de forma espontânea, podemos detectar o alto nível de indecisão que paira sobre a eleição estadual.
Com este quadro, factóides devem aparecer quase que obrigatoriamente. Senão para ajudar Serra, para dar um empurrãozinho em Alckmin.
A conferir.

Na prática a teoria é outra 2: tucanos acusam governo federal na área de saneamento mas possuem "telhado de vidro" em SP.

(por Conceição Lemes, do Vi o Mundo)
Sabesp: saúde, qualidade de vida, total responsabilidade e respeito aos consumidores, às comunidades e ao meio ambiente, sustentabilidade, conforto, bem-estar, compromisso com as futuras gerações, com a flora e fauna, compromisso a vida e com o meio ambiente, a vida tratada com respeito.
É com slogans como esses que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo se apresenta ao Brasil inteiro. Ela é responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos de 366 municípios do estado, entre os quais os 39 da região metropolitana, que inclui a capital.
Mas, em época de estiagem, quem passa pelas marginais do Tietê, Pinheiros ou Tamanduateí, jamais esquece. Esses três rios que cortam a cidade que sedia a Sabesp têm cheiro de esgoto, assim como a maioria dos córregos de São Paulo.
Frequentemente o bode expiatório é a população pobre, que mora em favelas. A senha: ligações clandestinas de esgoto. Há até disque-denúncia.
Com 15.177 mil funcionários, a Sabesp tem faturamento anual de quase R$ 7 bilhões. Seu controle acionário é estatal. A maior parte das ações pertence ao governo paulista.
Sua missão: Prestar serviços de saneamento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente.
“A Sabesp entende sua responsabilidade como empresa cidadã, que trata e beneficia o mais importante recurso natural que existe [a água]”, diz em seu site. “Por isso, estabelece diretrizes para a gestão ambiental e desenvolve soluções que contribuem para o desenvolvimento sustentável.”

NAS CASAS, EMPRESA EXIGE LIGAÇÃO SÓ PARA ESGOTO
A Sabesp exige ligação exclusiva para o esgoto doméstico; ele não pode ser misturado à água pluvial.
Por isso, geralmente saem das residências duas tubulações. Uma, leva a água da chuva (do telhado, quintal, jardim) até o meio-fio, ou sarjeta. Pelas bocas de lobo, essa água segue para as galerias de águas pluviais. Daí, para rios e córregos.
A outra tubulação (chama-se ramal) transporta água de pia, tanque, vaso sanitário, chuveiro, máquina de lavar roupa. Subterrânea, ela sai da calçada e vai até a rede coletora de esgoto, que pode estar no próprio passeio, no meio da rua ou na calçada do outro lado da rua.
Em princípio, essa rede coletora de esgoto deve se ligar a tubulações progressivamente maiores (coletores-tronco e interceptores), que se conectam à estação de tratamento de esgoto (ETE).
O destino final dessa água com fezes, urina, sabão e outros detritos deve ser uma ETE, para receber tratamento físico e químico. Só depois ela pode ser jogada em rio, córrego ou empregada para reuso planejado. Por exemplo, lavar a rua em dias de feira e refrigerar equipamentos, situações que não exigem água potável, apenas que seja limpa.
Esse é o procedimento adequado tanto do ponto de vista sanitário quanto ambiental.

O TESTE EM QUATRO REGIÕES DA CAPITAL PAULISTA
O Viomundo resolveu investigar se a Sabesp faz o que exige da população.
Durante dois dias, ambos ensolarados e sem chuva há um bom tempo, participamos de um teste. Despejou-se corante (vendido em bisnagas em lojas de material de construção) na caixa doméstica de esgoto (fica na calçada, bem próxima à porta do imóvel, cada um tem a sua) ou no vaso sanitário de residências em quatro regiões da capital paulista, com algum córrego próximo. Todas possuem esgoto e pagam pelo serviço à Sabesp. Tomou-se o cuidado de confirmar previamente essas informações.
Objetivo do teste: verificar se a tintura expelida em meio à descarga doméstica chegaria a pontos de lançamento (canos) em córrego na vizinhança. Fotografamos antes e depois. Veja o que aconteceu em cada região.

REGIÃO 1
Engloba as ruas Combatentes do Gueto, Engenheiro Janot Pacheco, José Ferreira Guimarães e Pedro Gomes Cardim, as praças Vinícius de Moraes, Santos Coimbra e avenida Vicente Paiva. Também as ruas Marcelo Mistrorigo, José Pepe, Rafael Ielo e Cordisburgo.
O córrego passa canalizado sob um condomínio, depois corre a céu aberto num pequeno trecho. Fica paralelo a uma viela, na altura da rua Salim Izar com Guihei Vatanabe.

REGIÃO2
Inclui, entre outras, as ruas Tomazzo Ferrara, Salim Jorge Eid, Gregório Ramalho, Maria Andressa de Abreu, Boto Cor de Rosa, Américo Salvador Novelli, Campinas do Piauí e Barros Cassal.
O córrego corta a Tomazzo Ferrara, que fica acerca de 50 metros da Boto Cor de Rosa.

REGIÃO 3
Abrange ruas, como Mario Lago, Antonieta Altenfelder, País Natal, Paulo Lincoln do Valle Pontin, Antonio César Neto, e avenida Luis Stamatis.
O córrego cruza a Mario Lago e passa atrás de uma escola da Prefeitura.

REGIÃO 4
Dela fazem parte as avenidas Doutor Lino de Moraes Leme, Jornalista Roberto Marinho e Pedro Bueno, a praça Durval Pereira, as ruas Cláudio Mendonça, Simões Pinto, Dr. Mário Mourão e Nicolau Zarvos.
O córrego cruza a Lino de Moraes Leme (na esquina tem um posto de gasolina) e desemboca no piscinão da Roberto Marinho. Ele tem dois pontos de lançamento muito próximos, ficam a uns 10 metros um do outro.

PALÁCIO DOS BANDEIRANTES NÃO TEM ESGOTO TRATADO
Nas quatro regiões pesquisadas pelo Viomundo, o corante chegou ao córrego próximo alguns minutos depois.
“Isso demonstra que o esgoto das quatro áreas é coletado mas não tratado”, alerta engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, que durante 30 anos foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. “Se fosse tratado, o corante não iria parar no córrego.”
“Nem o ninho-mor dos tucanos escapa”, avisa um funcionário da Sabesp, que, por motivos óbvios, pediu para não ser identificado. “Durante os 12 anos em que foi ocupado por Geraldo Alckmin e os quase quatro por José Serra, o esgoto do Palácio dos Bandeirantes nunca foi tratado. Até hoje a Sabesp joga os dejetos do Palácio num córrego perto.”
O córrego em questão é o da região 1, no coração do Morumbi. Árvores e plantas bonitas em boa parte da margem direita tentam escondê-lo, principalmente no trecho em que há belas casas do outro lado da rua. Mas o mau cheiro chama a atenção, revelando o que está atrás.
De carro, fica a uns 5 minutos da sede do governo paulista. A área “pega” do Palácio dos Bandeirantes para baixo, incluindo a imensa área verde, em frente — a praça Vinícius de Moraes – e um trecho da avenida Giovanni Gronchi.
O córrego da região 2 está em Itaquera, Zona Leste. Recebe esgoto inclusive da Subprefeitura do bairro, à rua Gregório Ramalho.
O córrego da região 3 situa-se a uns 70 ou 80 metros do prédio da Subprefeitura do Jaçanã, Zona Norte. Passa atrás do CEU Jaçanã, inaugurado há três anos, na gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP).
O córrego da região 4 fica no Jabaquara. Em ambas as margens existe muito lixo.
Na esquerda, há uma favela, destruída parcialmente por incêndio no final de julho. O esgoto in natura corre em valas abertas no chão de terra batida defronte a alguns barracos.
Na direita, apesar do lixo ao longo da margem, a rua que saí, a João de Levy, é asfaltada (há tampões de ferro no chão escrito Sabesp) e as casas são de alvenaria. À medida que se distanciam da borda, são maiores e mais bonitas. O corante foi jogado nesta área.
Consequentemente, tanto o esgoto da margem direita (por ação da Sabesp) quanto o da margem esquerda (por conta das valas feitas por moradores) caem no mesmo córrego.
“E por que fezes não aparecem nas fotos?”, alguém talvez questione, já que retratam lançamentos de esgoto.
Lembram-se de que pela tubulação de esgoto vai água de pia, tanque, vaso sanitário, chuveiro, máquina de lavar roupa? Pois no percurso desse e de outros canos as fezes se dissolvem. Por isso deixam de ser visíveis.
Importante: o destino final do córrego das regiões 1 e 4 é rio Pinheiros; o das regiões 2 e 3, o Tietê.

EMPRESA NÃO INFORMA SE O ESGOTO DESSAS ÁREAS É OU NÃO TRATADO
O Viomundo quis saber então da Sabesp:
* Hoje o esgoto é tratado nestas áreas (listamos os vários endereços pesquisados): SIM ou NÃO?
* Qual o destino do esgoto dessas áreas, uma a uma?
* O que a empresa faz com o esgoto dessas áreas, uma a uma?
“A Sabesp tem uma divisão geográfica por bacias hidrográficas, e não por bairros”, afirma por e-mail, via assessoria de imprensa. E discorre sobre as obras do projeto Tietê, iniciado em 1992 e visa à despoluição do rio. Sobre a fase atual, a terceira, diz:
A 3ª. Etapa – 2009 a 2015 – São Paulo também será beneficiada com o pacote de obras da terceira fase do projeto, iniciado em 2009. As ações se concentram nos bairros localizados nas extremidades da cidade. Socorro, Santo Amaro, Jardim São Luís, Jabaquara, Capão Redondo, Campo Limpo, Rio Pequeno, Jaguaré, Brasilândia, Cachoeirinha, Casa Verde, Freguesia do Ó, Santana, Tucuruvi, Itaim Paulista, Sacomã, Sapopemba, São Lucas e São Mateus são algumas das áreas favorecidas.
A terceira etapa do Projeto Tietê irá até 2015 e prevê investimento de US$ 1,05 bi em toda a Grande São Paulo. No total, três milhões de pessoas serão beneficiadas com o tratamento dos efluentes. A meta, pelo Projeto Tietê é elevar a coleta da RMSP para 87% e o tratamento para 84%, até 2015, nas regiões atendidas pela Sabesp.
A Sabesp, porém, dispõe de mapas detalhados e continuamente atualizados de galerias, tubulações, córregos, pontos de lançamentos, pontos de vistoria, mostrando a situação, rua por rua. Esta repórter teve acesso a eles. Abaixo uma prova.
Aliás, como operaria, fiscalizaria e estabeleceria metas de coleta e tratamento de esgoto, sem ter a cidade mapeada tão minuciosamente?

“O QUE O VIOMUNDO COMPROVOU ACONTECE NA CIDADE INTEIRA”
A coleta de esgoto da Região Metropolitana, segundo a Sabesp, saltou de 66%, em 1992, para 85%, hoje. E o tratamento foi de 24% para 72%, Na capital, em 1992, “77% do esgoto era coletado e menos de 30%, tratado. Atualmente, mesmo com o incremento de mais 1,5 milhão de habitantes, a coleta está universalizada (excluindo favelas e áreas irregulares) e 75% do esgoto coletado é tratado.”
“Não é verdade”, contesta Ricardo Moretti, professor de Planejamento Urbano da Universidade Federal do ABC. “Os dados divulgados pela Sabesp sobre tratamento de esgoto são inconsistentes. A cada hora ela divulga um com critério diferente.”
O Relatório de Águas Superficiais 2009, da Cetesb, divulgado em julho deste ano, dá-lhe razão. Informa que apenas 44% do esgoto da bacia hidrográfica do AltoTietê é tratado. A bacia engloba 36 municípios e praticamente corresponde à Região Metropolitana de São Paulo. A Cetesb é a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
“O que o Viomundo comprovou acontece na cidade inteira de São Paulo”, denuncia o professor Júlio Cerqueira César Neto. “Na Região Metropolitana, a Sabesp lança in natura, em córregos e rios, a maior parte do esgoto produzido pelas casas que têm esgoto.”
Na prática, a Sabesp faz o que condena na população. Pior é que quem paga a conta não sabe de nada.
A Região Metropolitana, relembramos, é formada por 39 municípios, inclusive a capital. Atualmente, ela tem oito estações de tratamento de água (ETA), que produzem o seguinte volume:
* Alto Cotia ­­– 1.000 litros por segundo
* Baixo Cotia – 900 litros por segundo
* Taiaçupeba ­– 10 mil litros por segundo
* Cantareira – 33 mil litros por segundo
* Guarapiranga – 14 mil litros por segundo
* Ribeirão da Estiva – 100 litros segundo
* Rio Claro – 4 mil litros por segundo
* Rio Grande – 4,8 mil litros por segundo

Juntas produzem 67 mil litros de água por segundo. Porém, apenas aproximadamente 70% — em torno de 47 mil litros por segundo — chegam às casas, devido a perdas por vazamentos nas redes e/ou ramais.
Aqui, tem de se acrescentar 10 mil litros de água por segundo provenientes de poços. Eles não entram nos cálculos da Sabesp, só que viram esgoto, portanto têm de ser somados. Assim, 47 mil litros mais 10 mil = 57 mil litros por segundo.
Desses 57 mil litros por segundo, 80% — 45,6 mil litros por segundo — iriam para o esgoto. Mas isso se todas as casas abastecidas por água tivessem coleta de esgoto. Como isso não acontece, em torno de 42 mil litros por segundo vão para o esgoto.
Já as estações de tratamento de esgoto (ETE) são cinco atualmente: Barueri, ABC, Suzano, São Miguel Paulista e Parque Novo Mundo, com capacidade de tratar 18 mil litros por segundo.
“São as mesmas cinco de dez anos atrás”, atenta Cerqueira César. “Porém, a Sabesp só trata14 mil litros por segundo.”
Motivos: falta de coletores-tronco e interceptores em determinados locais e tubulações desniveladas em outros, impedindo a transferência do esgoto para as estações de tratamento. Neste caso, são obras terceirizadas pela companhia que deveriam garantir a qualidade do serviço, mas não o fazem.
Agora, é só fazer as contas: 42 mil litros (volume que vai o esgoto) menos 14 mil litros (esgoto tratado)= 28 mil litros por segundo de esgoto in natura, jogados nos rios e córregos. Equivalem a 66% do esgoto gerado.
Já pensou tudo isso lançado continuamente no Tietê que, nesta época do ano, tem um curso natural de água de 15 mil litros? São 28 mil litros de esgoto a cada segundo durante as 24 horas dos 365 dias do ano, todos os anos.
Não à toa, na capital, o rio Tietê é praticamente esgoto puro. Já na imensa maioria dos córregos só corre esgoto nos meses de estiagem. As nascentes foram quase todas eliminadas. A população, porém, não é devidamente informada sobre essa situação.

“POLUI RIOS E ‘VENDE’ SAÚDE, PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE”
Experimente perguntar a alguém que mora em São Paulo: Quem você acha que joga esgoto direto no rio Tietê e córregos da cidade? Quem você acha que faz ligação clandestina de esgoto?
Se a pessoa tem bom padrão de vida, quase certamente dará a mesma resposta às duas questões: é quem mora em favelas, os pobres…
Pergunte ainda: E o seu esgoto, você acha que vai para onde? Provavelmente dirá: o meu vai para uma estação de tratamento.
“São imagens falsas, distorcidas”, desmistifica Moretti. “Não é só o esgoto de pessoas de baixa renda que vai direto para o Tietê e córregos. A maior parte do esgoto da população de melhor poder aquisitivo também está indo in natura para os rios.”
“Assim como Serra e Kassab se equivocaram ao culpar o povo pelas enchentes”, observa Cerqueira César, “a Sabesp zomba da nossa inteligência ao relacionar as ligações clandestinas à poluição dos rios, desinformando a sociedade.”
Primeiro, porque ligação clandestina no imaginário popular é “coisa de pobre”, favela.
Segundo, já que a tarifa de esgoto vem na conta de água, a pessoa acha que ligação clandestina é a do outro.
Terceiro, o que a Sabesp realiza em toda casa com esgoto é a coleta, que os técnicos chamam de afastamento. É tirar o esgoto da tua porta e despejar na dos vizinhos — subterraneamente, claro. Isso também contribui para a pessoa não ter noção do que acontece depois e achar que o esgoto dela está sendo tratado.
“Mas não está”, avisa o funcionário da Sabesp, que nos pediu anonimato. “O que a companhia faz principalmente é afastar o esgoto da sua porta e ir jogando adiante até chegar ao rio ou córrego mais próximo.”
“E as ligações clandestinas?”
Realmente, por desinformação ou astúcia, há quem ligue o esgoto na rede pluvial.
“Mas é minoria”, afirma o professor Moretti. “Historicamente boa parte das conexões para jogar esgoto nas galerias de águas pluviais, nos rios e córregos é obra da própria Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo.”
“A Sabesp é a grande poluidora dos rios e córregos e não a população”, adverte o professor Cerqueira César. “Depois, zelosa, ‘vende’ nos comerciais que está preocupada com saúde, bem-estar, qualidade de vida e meio ambiente. Piada total.”
“A Sabesp vende uma imagem de eficiência ambiental que não condiz com a realidade, é um desserviço”, acrescenta Moretti. “Só mesmo alguém anestesiado pelos meios de comunicação pode acreditar nessa propaganda enganosa.”

FALTA DE TRANSPARÊNCIA NA CONTA: COLETA E/OU TRATAMENTO?
A Sabesp cobra os serviços de esgoto na conta de água. Na Região Metropolitana, o valor é o mesmo que o da água consumida.
“A Sabesp cobra pelo tratamento e distribuição de água e pela coleta de esgotos”, informa a assessoria de imprensa. “A companhia não cobra pelo tratamento de esgoto.”
Curiosamente, a conta não informa em NENHUM lugar se a quantia diz respeito à coleta e/ou tratamento. Tampouco dá para saber pela conta se o esgoto da tua casa é tratado ou não.
No próprio site da empresa, a informação não é facilmente achada. São necessárias algumas operações para localizar explicações sobre a conta.
Mais detalhada só encontramos nos comunicados sobre tarifas, inadequados para o consumidor comum.
A propósito:
* Por que essa informação não é explicitada na conta?
* A falta de transparência não fere o Código de Defesa do Consumidor?
* E a população sem acesso à internet, como fica?
* É justo quem não tem esgoto tratado pagar a mesma tarifa que aquela pessoa que tem?
* Por que a tarifa não é diferenciada para quem esgoto tratado e quem não tem?
* Qual a engenharia financeira para não cobrar o tratamento, já que exige tecnologia e custa muito caro, diferentemente do afastamento?
Como nada é de graça, a repórter quis mais detalhes da cobrança. Até porque saneamento implica abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto.
“A companhia não cobra pelo tratamento de esgoto”, reiterou a assessoria de imprensa, aí acrescentando. “O Decreto Estadual nº 8468/76 determina que todo esgoto coletado seja tratado antes de ser despejado nos rios. O link para o decreto é este: http://www.cetesb.sp.gov.br/Institucional/documentos/Dec8468.pdf .”
“Quem paga a conta, não sabe, pois a Sabesp apresenta as informações de forma tortuosa para que a população não tenha acesso pleno a elas”, critica Cerqueira César. “Ao omitir na conta que o valor se refere apenas à coleta, a Sabesp passa a impressão de que se refere à coleta e ao tratamento.”
“A Sabesp somente poderia cobrar pelo serviço de esgoto quando ele estivesse completo, ou seja, coleta-transporte e tratamento, conforme exigência do Decreto 8468/76”, prossegue Cerqueira César. “Toda essa cobrança que ela vem fazendo há anos me parece totalmente ilegal.”
“Essa nebulosidade talvez seja para não ser apanhada pelo Código de Defesa do Consumidor, já que recebe pelo tratamento de esgoto e não entrega o serviço em boa parte das casas da Região Metropolitana”, conjectura Moretti. “De outro lado, se explicitar que é só coleta, a população passará a exigir o tratamento. Do jeito que está hoje, ninguém se lembra do tratamento, logo não há pressão social pelo serviço. É uma situação cômoda para a companhia.”

INVESTIMENTOS CAÍRAM, GASTOS PUBLICITÁRIOS AUMENTARAM
Nos últimos dez anos, segundo Cerqueira César, a Sabesp não investiu nada em estações de tratamento de esgoto e muito pouco em coletores-tronco e interceptores.
Aliás, em 2009, os investimentos tiveram um corte de quase R$ 300 milhões em relação aos R$ 2,133 bilhões previstos. Portanto, 14,5% a menos. De 2000 para cá, os cortes chegaram a quase R$ 1 bilhão. Isso representa 11% a menos do calculado. Investimento diz respeito basicamente aos gastos com obras.
Em compensação, os gastos de publicidade tiveram um crescimento de 483% no governo José Serra. Os contratos anteriores a junho de 2008 eram de R$ 12 milhões por ano, enquanto os novos chegam a R$ 70 milhões.
De 1995 a 2009, (gestão dos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra), a receita operacional líquida da Sabesp foi de R$ 98,153 bilhões em valores corrigidos pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas. Já o lucro nesse mesmo período foi R$ 9,236 bilhões, também corrigidos pelo IGP-DI.
Esses dados baseiam-se no orçamento do Estado de São Paulo e nos balanços da própria Sabesp.
Conclusão: se a empresa não investiu como deveria no tratamento de esgoto, não foi por falta de dinheiro, mas por opção de gestão.
“A Sabesp está preocupada com os lucros dos acionistas e com a sua saúde financeira invejável”, observa Cerqueira César. “Não está nem aí para os usuários.”
“A população está sendo lesada”, ressalta o professor Ricardo Moretti. “Há prejuízos à saúde pública, pois expõe as pessoas a rios contaminados. Há também prejuízo ambiental à medida que os córregos urbanos carregam esgoto para os mananciais.”
“Jogar esgoto in natura nos rios é crime ambiental”, condena o professor Júlio Cerqueira César Neto. “Uma irresponsabilidade cívica de um tamanho que eu nunca vi na vida.”

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sabesp fornece água imprópria no litoral paulista

As torneiras do Guarujá e Vicente de Carvalho continuam a receber água da Sabesp (empresa estatal do governo do Estado) que não passa pelo processo de filtragem, como manda a lei. O Diário Oficial do Município de Guarujá trouxe, na edição de 10/9, os laudos da qualidade da água servida nas torneiras da Unidade Básica de Saúde de Vila Edna e na Uniesp (faculdade do Guarujá) que comprovam que o líquido está impróprio para consumo humano.

As coletas são realizadas coletas em vários pontos da cidade, mas a conclusão de que a qualidade da água é insatisfatória em plena unidade de saúde chamou da ONG Princípios, que já move Ação Civil Pública contra a Sabesp desde 2007 e, em janeiro deste ano ingressou com uma medida cautelar, solicitando que o judiciário determinasse medidas drásticas contra a empresa, sob risco de colapso no sistema de saúde pública da cidade.

O advogado da ONG, Sidnei Aranha, disse que pretende anexar os laudos da última semana ao processo, “como forma de mostrar às autoridades judiciais que a Sabesp continua não cumprindo a liminar que determina melhorias na qualidade da água”, explicou Aranha. Segundo o advogado, a divulgação desta informação causou pânico entre a população que procura uma unidade básica para tratar de doenças e não adquirir outras, provenientes do consumo ou contato com água imprópria.

Na Ação Civil Pública, a Sabesp chegou a ser multada em cerca de R$ 100 milhões, devido ao período em que distribuiu água imprópria para consumo humano em toda a cidade, no final de 2009 e início de 2010.

Na época, a água servida no litoral paulista pela Sabesp estava contaminada por trialometanos, uma reação do cloro com materiais orgânicos da água, que dão origem a cloretos, substâncias altamente cancerígena. Isso ocorre em todas as cidades onde não existe estágio de filtração e excesso de cloração da água, como acontece no Guarujá, Baixada Santista e em várias cidades paulistas.

*com informações do Jornal do Guarujá – 11/9/2010

Marginal Tietê ainda tem 53 falhas após três meses da última vistoria

O Ministério Público de São Paulo encontrou quase o mesmo número de falhas na sinalização da marginal Tietê três meses após vistoria que gerou um compromisso formal da Dersa (empresa estatal) de regularizar o problema.

Foram 54 falhas encontradas em placas e faixas de trânsito, no dia 2 de junho, e 53 problemas identificados na fiscalização que foi concluída nesta semana, depois que o prazo acordado expirou.

Com a continuidade dos problemas, a Dersa está sujeita a pagar uma multa de pelo menos R$ 1 milhão. É que, nesta sexta-feira (10/9), completam dez dias desde que o prazo para que o órgão melhorasse a sinalização da via terminou --a multa diária é de R$ 100 mil.

Radares e multas

Até que tudo esteja regularizado, a Promotoria recomendou à CET o desligamento dos nove radares da marginal e a revisão de todas as multas decorrentes das falhas que foram computadas desde a entrega da obra, em março.

Segundo a Promotoria, a estimativa é de que sejam canceladas entre 5.000 e 10 mil multas.

fonte: Agora S. Paulo

Dersa é condenada por não atender representação da Bancada do PT contra multas na Marginal

A Dersa foi condenada a pagar multa diária de R$ 100 mil por dia por causa dos problemas de sinalização nas novas pistas centrais da Marginal do Tietê, inauguradas em março. A decisão inédita foi baseada em laudo técnico do Ministério Público, da promotora Maria Amélia Nardy Pereira que, em agosto, acatou representação do líder da Bancada do PT, Antonio Mentor, e recomendou anulação de todas as multas aplicadas na Nova Marginal.

Diante da representação, a Dersa comprometeu-se a regularizar, até o dia 31 de agosto, a situação das novas pistas, oferecendo aos motoristas a sinalização necessária - na horizontal e na vertical. No entanto, o acordo não foi cumprido pela estatal e, por isso, a multa, que começou a ser calculada no último dia 31, é hoje de R$ 900 mil.

Além de pedir a multa diária caso o acordo não fosse cumprido, a representação da Bancada do PT também afirmava que a circulação de veículos não poderia ter sido liberada sem que a sinalização fosse concluída. “Essas multas estão em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro”, critica o deputado Antonio Mentor, em referência as 4 mil multas emitidas na Nova Marginal desde o dia 27 de março.

A Promotoria pediu também a desativação dos radares da Nova Marginal até que a sinalização esteja concluída. Os motoristas que foram multados e ainda não foram informados sobre a revisão das infrações devem entrar com recurso para garantir o cancelamento da multa.

O Ministério Público também orienta motoristas e pedestres que se envolveram em acidentes provocados pelas falhas na sinalização dos trechos recém-inaugurados a entrarem na Justiça com pedido de reparação por danos morais e/ou materiais ao Governo do Estado.

Governo do Estado faz desmonte e privatiza Hospital Juquery, em Franco da Rocha

Servidores e usuários do Complexo Hospitalar do Juquery, em Franco da Rocha, protestam contra o desmonte. População teme a piora do serviço

No começo da próxima semana, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde) vai denunciar, ao Ministério Público de São Paulo e ao Conselho Estadual de Saúde, o processo de desmonte e privatização do Complexo Hospitalar do Juquery promovido pela governo do Estado.

Na última quarta-feira (8/9), a entidade coordenou um ato público no centro de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, em protesto contra a ação promovida pela secretaria estadual de Saúde.

Participaram trabalhadores e usuários do complexo, além de sindicalistas e políticos. Na ocasião, começaram a ser colhidas assinaturas em defesa da manutenção, pelo Estado, da oferta do serviço de saúde na cidade, além de melhorias e restauração do antigo conjunto arquitetônico. Até agora, já foram colhidas mais de três mil assinaturas.

Raquel Alves Massinelli, da direção regional do Sindsaúde em Franco da Rocha, explica que a população carente do município conta hoje apenas com um pronto socorro mal equipado, além de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Segundo a atendente de enfermagem, que há 25 anos trabalha no Juquery, o atendimento com especialistas em ortopedia, dermatologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, traumatologia buco-maxilo-facial, reumatologia e urologia é feito no complexo que está prestes a ser desmontado.

"Há pouco mais de um ano, o serviço de ginecologia e obstetrícia deixou de ser oferecido, e as pacientes têm de ir para Caieiras (a oito quilômetros de distância)", diz Raquel. “Já houve caso de mulher que deu à luz no trem, a caminho da maternidade.”

Mais recentemente, o complexo deixou de oferecer atendimento pediátrico. E a chamada praça da saúde, um pronto atendimento construído pela prefeitura – com clínico geral, pediatra e dentista –, ainda não funciona plenamente por falta de profissionais, como médicos e enfermeiros.

Para complicar, segundo a dirigente, o estado construiu um prédio que abrigará um hospital regional referenciado, administrado pela organização social (OS) Santa Casa de Misericórdia. “É bom que haja um hospital novo e equipado, que atenda o município e também toda a região. O problema é que, para ser atendido ali, o usuário precisará de encaminhamento. E onde o morador de Franco da Rocha irá para obter a guia se não houver um pronto socorro na cidade?", lamenta. Segundo Raquel, os cidadãos terão de recorrer a serviços já sobrecarregados de cidades vizinhas.

Lindair Ferreira da Silva sabe bem o que é isso. Em agosto passado, seu filho mais velho sofreu um acidente de moto e foi levado para um hospital na vizinha Francisco Morato. "Três dias depois de operado ficou largado num canto, sem receber remédio, nem cuidado. Não aguentou e assinou um termo de responsabilidade. Disse que 'preferia morrer em casa do que lá', onde era mal cuidado por não ser da cidade", diz. Agora, ele deverá passar por consulta no complexo (do Juquery). "A gente tem que lutar pelo nosso direito", completa.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual da Saúde não deu entrevista. Apenas divulgou uma nota na qual afirma que “o novo prédio abrigará um amplo centro de especialidades, onde serão feitas cirurgias e atendimentos de alta complexidade, como cardiologia ou politraumas. E o Hospital de Clínicas (onde atualmente funcionam os ambulatórios de especialidades) será transformado em hospital de referência”.

Sem sangue

Até o final da tarde de quinta-feira (9/9), a secretaria não havia respondido se o hospital será aberto à população sem necessidade de guia de encaminhamento para a consulta ou se receberá pacientes encaminhados por outras unidades. Os enfermeiros qualificam esse tipo de serviço de "hospital sem sangue".

Outra preocupação é a transferência dos 2.400 funcionários do complexo, já que apenas 250 permanecerão no hospital que será terceirizado e "quarteirizará" a mão de obra. "O medo de muitos é de que sejam transferidos para lugares distantes, como Casa Branca ou Santa Rita do Passa Quatro", diz Raquel. "Sem contar o assédio moral aos que se recusarem a sair". Segundo ela, do jeito que o Estado está privatizando a rede, não sobrará lugar para absorver os funcionários.

Ainda conforme a nota da secretaria, os servidores que atuam no Juquery e que “não quiserem continuar trabalhando na nova unidade serão remanejados para outras unidades do Estado e não haverá demissões, já que esses trabalhadores são concursados".

Pouca gente na cidade sabe sobre as mudanças apontadas pelo Sindsaúde e que o governo estadual paulista desconversa. Os usuários, ao saberem da notícia, ficam indignados. É o caso de Michelle Santos de Santana. Ela conta que no final do ano passado, seu filho de 10 anos fraturou o braço e foi levado a um ambulatório de um convênio, onde sequer fez exames. Com o passar dos dias, a mão do menino ficou cada vez mais inchada e ele passou a sentir muita dor.

“Levei então no ortopedista do Juquery. Ele foi grosso, mas competente. Localizou a fratura e tratou com cuidado. Dia sim, dia não, queria ver o menino para acompanhar se estava melhorando. Se não fosse ele, o caso tinha complicado e precisaria cirurgia e colocação de pino”, conta Michelle, que tem inúmeras histórias sobre o atendimento do complexo hospitalar público de Franco da Rocha.

“Uma amiga, aos seis meses de gravidez, foi para lá porque estava com dores. A criança nasceu logo que ela chegou”, lembra. “O medo de que o bebê não sobrevivesse era grande. Mas os médicos de lá prometeram fazer de tudo e fizeram mesmo. Hoje a menina tem dois anos, é forte e perfeita.”

fonte: Rede Brasil Atual – 10/9/2010

Privatizações

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Memórias do Saqueio: como o patrimônio construído com o trabalho e os impostos do povo paulista foi vendido
 
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