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sábado, 2 de julho de 2011

A centralidade política de Campinas.

Situação em Campinas preocupa partido

(do Valor Econômico)

Na tentativa de se manter no cargo, o prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), busca apoio no PT e cobra a fatura por ter apoiado o partido e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em crises do governo petista e nas eleições.
Como prefeito, Dr. Hélio defendeu a manutenção do PDT na base do governo Lula em 2003, quando o ex-governador Leonel Brizola, morto em 2004, se rebelou contra a gestão. Durante a crise do mensalão, em 2005, defendeu Lula e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Em 2006, articulou a campanha de reeleição de Lula no interior paulista, ao comandar um comitê suprapartidário, ação repetida em 2010, para a eleição presidencial de Dilma Rousseff.
É respaldado por essa parceria que o prefeito alicerça sua defesa. Nesta semana, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, prestará depoimento como testemunhas de defesa do pedetista. Dirceu defendeu Dr. Hélio depois que a gestão virou alvo de investigação do Ministério Público Estadual.
As denúncias indicam fraudes em licitações na empresa pública de saneamento Sanasa com a prefeitura. A primeira dama, Rosely Nassim Santos, e o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), seriam os mentores do esquema.
Espalhado pela prefeitura, está um grupo de mato-grossenses-do-sul que, segundo as investigações, sustentariam o esquema. Vários têm passagens por prefeituras do Mato Grosso do Sul - em especial de Corumbá, cidade natal de Dr. Hélio- e também pelo governo do Estado.
A chamada "República do MS", no governo campineiro desde 2005, conta com o ex-presidente da Sanasa Luiz Aquino, delator do esquema e amigo de infância do prefeito; o diretor de Planejamento Ricardo Cândia, ex-prefeito de Corumbá, é apontado como braço-direito da primeira-dama nas fraudes; Francisco de Lagos, ex-secretário de Campo Grande na prefeitura de Lúdio Coelho (PSDB), era coordenador de Comunicação da prefeitura de Campinas; o ex-diretor técnico da Sanasa, Aurélio Cance Junior, que seria responsável pela arrecadação de dinheiro de obras, é irmão do atual superintendente de Gestão da Informação do governo de André Puccinelli (PMDB), André Luiz Cance, e foi vereador em Campo Grande.
Com o cenário desfavorável para o PDT e PT, projeta-se Jonas Donizette (PSB), deputado federal mais bem votado no município em 2010, com 16% dos votos. Donizette concorreu à prefeitura em 2004 e 2008.
No PSDB, o deputado federal Carlos Sampaio, que disputou a prefeitura nas últimas três eleições, é cotado, assim como a deputada estadual Célia Leão. O vereador Artur Orsi ganhou projeção como principal articulador do movimento pela saída do prefeito.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB), que transferiu seu título eleitoral para Campinas, era considerado pré-candidato dos governistas antes do escândalo. Participou com regularidade de eventos na cidade em 2010 e sua esposa, a atriz Ana Petta, nasceu e mora em Campinas. Mas, segundo integrantes da sigla, dependeria do andamento tranquilo das obras para a Copa em 2014 e Olimpíada em 2016, além do apoio do prefeito, o que, dada a circunstância, não é desejo de nenhum candidato.

Para entender a hegemonia tucana no Estado de SP - parte 2: a ofensiva política na região metropolitana de SP.

(do Transparência SP)

Ao contrário do que fez no seu primeiro mandato e do que Serra fez em seu governo, Alckmin resolve fazer mais política do que obras.

A análise é coerente: com as décadas de atraso nos investimentos públicos, impactados pela política de ajuste fiscal dos anos 90 (que perdura até hoje), qualquer obra entregue, por maior que seja, já começa a funcionar de forma saturada. Vide o caso do Rodoanel (congestionado) e do Metrô de SP (superlotado).

Região metropolitana é alvo de disputa


(do Valor Econômico, por Cristiane Agostine, Samantha Maia e Vandson Lima)

O PSDB intensificou a ofensiva em busca de votos na região metropolitana de São Paulo, área em que está concentrado 47,7% do eleitorado, e levará como bandeira para a eleição de 2012 a expansão do Bilhete Único Metropolitano. De olho no reduto petista, o governador Geraldo Alckmin definiu como meta a unificação do transporte intermunicipal da maioria das 39 cidades da região com os trens do metrô e da CPTM até o fim do ano, às vésperas do início das disputas municipais. O bilhete único faz parte de um pacote de projetos estratégicos politicamente para o governo tucano. O PSDB tem dois objetivos: construir vitrines eleitorais na região dominada pelo PT e obter mais recursos do governo federal para o Estado. Na região metropolitana, excluída a capital, 57% do eleitorado está em cidades comandas por petistas.
No fim do próximo mês, Alckmin deve lançar a primeira etapa da integração do sistema de transporte estadual, com o teste do uso do bilhete único nos ônibus intermunicipais e em uma estação de metrô. Em seguida, expandirá a conexão às demais estações do metrô e da CPTM. A previsão do governo é de que haja desconto nas passagens para a população. "No fim vai ficar mais barato", diz o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido. "O subsídio virá do Estado e dos municípios. Não tem muito jeito".
Alckmin concentrou ações no ABC paulista, berço político do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há dez dias, o governador anunciou investimentos de R$ 6,3 bilhões na região, com obras de grande escala em mobilidade urbana e combate às enchentes.
Ao assumir o governo, Alckmin já havia acenado à região ao criar a Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano para a Grande São Paulo, Grande Campinas e Baixada Santista. Entre os planos, está o de levar o metrô para fora da capital paulista. Em 2014, quando Alckmin poderá tentar a reeleição, o governo estadual deverá anunciar as obras de expansão da linha 4 do metrô até Taboão da Serra.
Em Guarulhos, segunda cidade mais populosa do Estado, o prefeito Sebastião Almeida (PT) diz que a aproximação com o governo estadual é "bem-vinda": "Precisamos de ações integradas e acho louvável que o governo tenha acordado e passado a pensar de uma forma coletiva". O PT está em sua terceira gestão consecutiva na cidade. "Falta investimento estadual em tudo. Na área de segurança, os problemas ficam com a prefeitura. Em drenagem, as obras realizadas pelo Estado em outro município trazem impacto aqui sem que a gente saiba do planejamento", diz.
O Bilhete Único Metropolitano é prioridade para o prefeito, para quem o projeto depende apenas de vontade política. "Temos tecnologia, o sistema de bilhete único já existe nos ônibus da cidade. Estamos preparados para integrar", diz Almeida, que tentará a reeleição em 2012, mas diz não estar preocupado com a investida do governo estadual em cidades governadas pelo PT. "Acho que tudo o que o Estado fizer na cidade que lhe permita tirar dividendos políticos é natural. Tem que fazer isso". No município, o PSDB deve lançar à disputa o deputado federal Carlos Roberto, que em 2008 saiu da condição de azarão e quase venceu Almeida no segundo turno, amealhando 43,3% dos votos.
O secretário de Desenvolvimento Metropolitano considera natural a disputa nas eleições das obras feitas em parceria entre Estados e municípios. "O prefeito que obteve o benefício vai fazer propaganda da ação que teve. Nós também vamos fazer a nossa", diz Aparecido.
"A ofensiva dos tucanos é forte, mas estamos nos preparando. Somos fortes nas regiões metropolitanas", observa o presidente do PT de São Paulo, deputado Edinho Silva. "É onde está o eleitorado típico do PT e devemos crescer ainda mais, com essa nova classe C ". O PT investirá na reeleição de seus prefeitos, como Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo, Mário Reali, em Diadema, Oswaldo Dias, em Mauá e Sebastião Almeida, em Guarulhos. Duas grandes apostas do partido são o deputado federal João Paulo Cunha, em Osasco, e o deputado estadual e sindicalista Carlos Grana, em Santo André. Na capital, o partido está dividido entre as candidaturas da senadora Marta Suplicy e do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). Corre por fora o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Já o PSDB espera destronar o PT em São Bernardo com o deputado federal William Dib, que foi prefeito da cidade entre 2003 e 2008 pelo PSB. O deputado estadual Orlando Morando, segundo colocado na última eleição em 2008, também pleteia o posto. Outro ex-prefeito em quem os tucanos apostam é o deputado Celso Giglio, que tentará chefiar pela terceira vez a cidade de Osasco. Em Diadema, Santo André e Mauá, a situação do partido é mais complicada, sem candidatos que despontem como favoritos.
Do secretariado de Alckmin, pelo menos dois nomes devem ir às urnas em 2012. Em São José dos Campos, cidade comandada pelo PSDB desde 1996, o partido deve recorrer novamente a Emanuel Fernandes, secretário de Planejamento e prefeito da cidade entre 1997 e 2004, quando fez seu sucessor, Eduardo Cury (PSDB), em seu segundo mandato. Paulo Alexandre Barbosa, secretário de Desenvolvimento Econômico, provavelmente será o candidato em Santos.
Do secretariado estadual pode sair mais um candidato à prefeitura de São Paulo. Bruno Covas e José Aníbal, secretários de Meio Ambiente e Energia, respectivamente, são cotados caso o ex-presidenciável José Serra não concorra.

Para entender a hegemonia tucana no Estado de SP - parte 1: os problemas do PT em "cidades-pólo" do interior do Estado.


Interior paulista será desafio do PT em 2012

(do Valor Econômico, por Cristiane Agostine e Vandson Lima)
No comando de apenas 10% das prefeituras de São Paulo, que concentram 17% do eleitorado estadual, o PT enfrentará dificuldades na eleição de 2012 para avançar no interior, especialmente em dois polos estratégicos, eleitoral e economicamente. Em Campinas, o escândalo envolvendo a prefeitura prejudica as chances do partido, que viu o vice-prefeito, Demétrio Vilagra, ter sua prisão temporária decretada. Em Ribeirão Preto, o partido mingua desde que o ex-ministro Antonio Palocci saiu do comando da política municipal. A aposta petista continua sendo na Grande São Paulo, que nesta eleição servirá de palco para uma disputa acirrada com o PSDB

Eleições: As cidades de Campinas e Ribeirão Preto sintetizam dificuldades eleitorais do partido em São Paulo

No comando de apenas 10% das prefeituras de São Paulo, que concentram 17% do eleitorado estadual, o PT enfrentará dificuldades na eleição de 2012 para avançar no interior. Ao iniciar a articulação para as disputas municipais no Estado, o partido esbarra em dois polos estratégicos eleitoral e economicamente: Campinas e Ribeirão Preto. A aposta petista continua sendo na região metropolitana, que nesta eleição servirá de palco para uma disputa acirrada com o PSDB.
Em Campinas, maior cidade do interior paulista, com o terceiro maior eleitorado do Estado, o escândalo envolvendo a gestão de Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), respinga diretamente no PT, com a suspeita de participação do vice-prefeito, o petista Demétrio Vilagra, em um suposto esquema de fraude em licitações. O PT nacional, estadual e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanham de perto o caso e temem que as investigações do Ministério Público Estadual inviabilizem o partido na cidade, pela terceira vez.
Vilagra era cotado como pré-candidato para a sucessão de Dr. Hélio, mas as denúncias, que levaram o vice à prisão temporária, reduziram as chances de o PT ter candidato próprio. O diretório municipal está fragmentado e parte do comando apoia o lançamento do deputado estadual Gerson Bittencourt (PT), ex-secretário de Dr. Hélio. Outra ala do partido, minoritária, cogita o lançamento do presidente do Ipea, Marcio Pochmann. A avaliação de dirigentes de Campinas, no entanto, é pessimista quanto ao cenário eleitoral para o PT.O escândalo envolvendo Vilagra é mais um revés na história do PT em Campinas, cidade com 765 mil eleitores. O município foi emblemático para o partido nos anos 80, com uma das primeiras vitórias em uma grande cidade do país. O sindicalista e fundador do PT Jacó Bittar foi eleito em 1988, mas no terceiro ano do mandato foi pressionado a deixar a legenda, acusado de cometer irregularidades na construção do metrô com o então governador Orestes Quércia (PMDB), morto em 2010.
O partido passou por anos de desarticulação e derrotas e só voltou ao governo em 2000, com a vitória de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, ex-vice-prefeito de Bittar e responsável pelas denúncias contra ele. O segundo revés veio menos de dois anos depois da eleição de Toninho, com o assassinato do prefeito em 2001. A vice Izalene Tiene, também petista, foi criticada do início ao fim da gestão e não tentou se reeleger. Seu grupo no PT se enfraqueceu e perdeu espaço para petistas da capital paulista, que tomaram o diretório e o aproximaram de Dr. Hélio e da chamada "República do Mato Grosso do Sul" (veja mais nesta página). Na prefeitura, com a vice e cargos, o partido enfrenta seu terceiro desafio.
O diretório municipal quer deixar a gestão, na qual participa com duas secretarias e cerca de 80 cargos de confiança, mas o comando nacional petista resiste. O presidente estadual do PT, deputado Edinho Silva, age para tentar amenizar o conflito e postergar a saída do governo. Dirigentes da sigla, no entanto, temem um desgaste maior para o partido e o que "está por vir com as investigações do MP".
Na região, o PSDB tem se articulado para buscar ligações das denúncias de Campinas com cidades vizinhas consideradas fortalezas petistas, como Sumaré e Hortolândia. "Essas cidades não têm eleitorado muito grande, mas influenciam o entorno. Conquistar esses municípios seria derrubar um "bunker" do PT", diz um dirigente do PSDB no Estado.
Em Ribeirão Preto, polo do agronegócio do interior paulista e berço político do ex-ministro Antonio Palocci, o PT está minguando. Desde que Palocci saiu da política municipal, em 2002, o diretório não conseguiu se reestruturar. A votação na disputa local caiu de 56%, quando Palocci elegeu-se prefeito pela segunda vez em 2000, com votação recorde, para 8% em 2008. Em 2010, o diretório não lançou candidato à Câmara dos Deputados. A cidade tem 407 mil eleitores.
Vinculado à força política de Palocci, o partido se enfraqueceu na cidade à medida que o ex-ministro se afastou da política local e, posteriormente, se desgastou no plano nacional. A queda do petista do Ministério da Fazenda, em 2006, por denúncia de quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa, e a recente saída da Casa Civil, com a divulgação de que seu patrimônio foi multiplicado por 20 em quatro anos, se refletiram em Ribeirão Preto e diminuíram as chances eleitorais do PT local para 2012.
O presidente estadual do PT analisa que a situação do partido na cidade é "muito difícil". "O PT não vai se recuperar da noite para o dia. A direção nacional está consciente. Perto do que já tivemos, perdemos muito", diz Edinho.
Um dos nomes cogitados para 2012 representaria uma derrota a Palocci: o do juiz aposentado João Agnaldo Donizeti Gandini, que abriu processo contra Palocci para investigar o suposto superfaturamento na compra de molho de tomate com ervilha. O caso foi emblemático contra o petista, mesmo depois de Palocci livrar-se da acusação no âmbito criminal. Outros nomes cogitados pelo PT local são o do ex-secretário de Palocci e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, e de Feres Sabino, petista derrotado em 2008 na disputa municipal.
O PT monitora outro problema no interior paulista. O prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), preso na semana passada pela Polícia Federal, tem como vice a petista Vera Saba, política considerada "obtusa" pela direção petista. Mesmo ao assumir o comando da cidade estratégica do Vale do Paraíba, com 207 mil eleitores, Vera não deve ter o respaldo do PT. A petista tem uma relação turbulenta não só com o PT, mas também com o PMDB.
Apesar das dificuldades em São Paulo, o PT estadual minimiza os problemas. Segundo recente pesquisa realizada pelo diretório, o partido tem a preferência de 30% da população na maior parte do Estado. O percentual é semelhante ao registrado pelo candidato do PT ao governo do Estado em 2010, ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), que recebeu 35% dos votos.
A sigla definiu setembro como meta para escolher seus pré-candidatos para 2012. Segundo o presidente do diretório estadual, o PT melhorou e ampliou sua estrutura no Estado, ao acabar com 140 comissões provisórias e criar diretórios em 23 cidades onde não existia. "É impossível não crescer em 2012", diz Edinho.
Apesar da dificuldade registrada nas eleições passadas de conquistar o eleitor de classe média, o objetivo petista no próximo ano é a nova classe média, que ascendeu economicamente durante o governo Lula. Na lista de cidades com esse perfil, Edinho Silva destaca São José do Rio Preto, São Carlos, Araçatuba e Registro, além dos municípios da região metropolitana.
Para tentar avançar no Estado, a legenda busca alianças mais conservadoras, com o PMDB, PR e PSD - articulado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com a morte do ex-governador Orestes Quércia, que comandava o PMDB paulista e resistia à aproximação com o PT, os petistas miram nas parcerias com pemedebistas. O PT quer usar a capilaridade do aliado para entrar no interior e conta com o apoio do vice-presidente Michel Temer (PMDB), principal influência no diretório paulista do PMDB.
O PT está à frente de 65 prefeituras, mas apenas 15 delas têm mais de 100 mil habitantes. Esse grupo está concentrado na região metropolitana.

Falta de política de saneamento no Estado de SP mantém rio Tietê poluído.

(do Transparência SP)

A reportagem abaixo revela a falta de qualidade da política de saneamento no Estado de SP. O resto é "marketing" da SABESP.

R$ 3 bi depois, por que o Rio Tietê continua tão sujo?

Mesmo com investimentos, 33 bairros ainda despejam parte de seu esgoto no rio, entre eles Morumbi, Vila Mariana e Ipiranga.

(do O Estado de SP)

Na semana passada, mais de 300 pessoas confirmaram presença pelo Facebook no "Mergulho no Tietê", um evento criado virtualmente pelos internautas para servir de "ultimato para a despoluição do Rio Tietê e seus afluentes". O protesto está marcado para às 15 horas de quinta-feira, dia 12 de novembro... de 2021. Parece longe, muito longe, mas na realidade essa espera de dez anos não é lá muito tempo perto das décadas de promessas e investimentos desperdiçados na limpeza do Tietê.
Afinal, algum paulistano minimamente realista acredita que o rio mais importante de São Paulo estará pronto para receber banhistas em um futuro próximo? Tendo em vista que já foram gastos R$ 3 bi no tratamento do Tietê, a resposta não parece ser muito otimista.
O rio que teve grande importância na história de São Paulo, permitindo a interiorização da colonização, é desde 1970 uma lenta massa de água fétida. Para se ter ideia, 33 bairros ainda despejam parte de seu esgoto no rio, entre eles Morumbi, Vila Mariana e Ipiranga. Na Região Metropolitana, 16 cidades apresentam o mesmo problema, enquanto na Bacia do Tietê quase 250 prefeituras pouco investiram na proteção do Tietê. É mais sujeira de esgoto do que água do rio, simples assim.
Para entender a dimensão de tantos entraves, o Estado conversou com especialistas para apontar os gargalos e as boas ideias que já foram adotadas por outras metrópoles. "O Tâmisa, em Londres, demorou décadas para ser limpo, mas hoje ele tem vida", diz o engenheiro alemão Ralf Steeg, articulador do programa de limpeza do Rio Spree, em Berlim. "É possível revitalizar os rios urbanos, desde que haja vontade política. É uma questão de melhorar a qualidade de vida da cidade."   

Passageiros idosos fogem de metrô superlotado em São Paulo.

De 2005 a 2010, 3,2 milhões de idosos com mais de 65 anos deixaram de usar o metrô -- uma queda de 11%. O número total de passageiros, no entanto, aumentou 47%. Dentre as possibilidades para a redução no número de passageiros idosos está a superlotação, que no metrô passa de 8 por m2 no rush.

(da Folha de SP)

"Dizem que tenho a preferência. Mas, se não me cuidar, me derrubam no chão", relata a aposentada Maria do Socorro Alves, 69, em reportagem de Alencar Izidoro sobre a superlotação no metrô de São Paulo --a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
De 2005 a 2010, 3,2 milhões de idosos com mais de 65 anos deixaram de usar o metrô -- uma queda de 11%. O número total de passageiros, no entanto, aumentou 47%. Dentre as possibilidades para a redução no número de passageiros idosos está a superlotação, que no metrô passa de 8 por m2 no rush. E também a migração para os carros. 




A aposentada Maria do Socorro Alves, 69, que já desistiu de usar o metrô devido à superlotação
Maria do Socorro Alves, 69, que já desistiu de usar o metrô para ir a compromissos devido à superlotação  

Por terem horários flexíveis, os idosos sempre evitaram os picos. O problema, diz Horácio Augusto Figueira, 59, mestre em engenharia pela USP, é que a superlotação hoje dura mais. "A frota, reduzida fora do pico, precisaria ser total ao longo do dia." 


Documento revela que Serra pediu ajuda dos EUA para conter violência em SP.

(do Transparência SP)

Nesta última semana, foi revelado, através do Wikileaks, que o governo Serra pediu ajuda aos Estados Unidos para enfrentar o PCC no Estado. De um lado, reconhecia o fracasso da política de segurança no Estado de SP. De outro, ignorou o pacto federativo, o Ministério das Relações Exteriores e o governo federal de uma só vez.
Tentou agir sozinho. Acabou sozinho e derrotado.

Documento revela que Serra pediu ajuda dos EUA para conter violência em SP

(do Jornal da Record)



O jornalismo da TV Record teve acesso com exclusividade a documentos entregues pelo representante do WikiLeaks no Brasil. Seis despachos relatam conversas do ex-governador de São Paulo José Serra com autoridades americanas para pedir auxílio na área de segurança pública. Nas conversas, ocorridas em 2007, Serra dizia que era extremamente frustrante coordenar esforços com o Governo Federal. Outro documento ao qual a Record teve acesso mostra a preocupação do Vaticano com a queda do número de padres e de fiéis na Igreja Católica brasileira.

Últimos governos no Estado de SP mantém em sigilo declaração de bens de "primeiro escalão".

(do Transparência SP)

No período de 2001 a 2006 - em que Alckmin foi governador -, as declarações públicas de bens dos ocupantes do 1º escalão do governo do Estado de SP não foram publicadas no Diário Oficial do Estado, contrariando determinação constitucional.
Em 2009, o governo Serra mutilou de vez a legislação, não havendo mais a discriminação de imóveis e das empresas em que o declarante é sócio.
Em 2011, novamente, não vemos a publicação das declarações de bens dos secretários da gestão Serra que foram exonerados, bem como também não foram publicados as declarações de bens dos secretários que assumiram suas pastas nesta nova gestão Alckmin. Cumpre destacar que nesta sexta, 01/07, o ato de improbidade dos responsáveis pela não-publicação das declarações completa 6 meses.
Quais os motivos para tanta falta de transparência?

Para relembrar mais um caso de investigação seletiva do Ministério Público paulista.

(do Transparência SP)

O Ministério Público paulista tem se notabilizado pelo rigor nas investigações e apurações de denúncias de irregularidades contra adversários políticos dos tucanos no Estado de SP. 
O mesmo rigor não tem sido aplicado em situações que envolvem tucanos ou aliados dos tucanos no Estado.
A fraude dos plantões médicos nos hospitais estaduais e a fraude de licitações em prefeituras municipais reacende um outro caso até hoje não investigado: a chamada "máfia dos parasitas".
Neste escândalo, denúncias de fraudes em licitações envolvendo empresas fornecedores de equipamentos e materiais hospitalares atingiram em cheio diversas governos e personagens tucanos, tais como Marconi Perillo, Geraldo Alckmin e José Serra.
Até agora, ninguém foi punido.
Abaixo, matéria publicada na Folha de SP relembrando a impunidade deste escândalo.

(da Folha de SP, em 14/08/2008, por André Caramante e Rogério Pagnan) 

Acusados de fraude na saúde "somem" de investigação
Empresas tidas como "peças-chave" do esquema de corrupção não estão em inquéritos

Esquema que desviou cerca de R$ 100 milhões foi denunciado sem citar Halex Istar e Embramed Indústria de Produtos Hospitalares

Quase um ano após terem sido apontadas pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público como suspeitas de encabeçar um esquema de fraude em licitações na saúde, não há nenhuma investigação policial ou processo em andamento atualmente contra duas empresas do setor hospitalar.
Durante meses, as investigações trataram as empresas Halex Istar Farmacêutica e Embramed Indústria de Produtos Hospitalares -além de seus donos- como "peças-chave" no esquema, mas quando a denúncia foi feita à Justiça elas não foram citadas no processo.
Nos documentos da chamada Operação Parasitas, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro informou à Justiça, em dezembro de 2008, que as duas empresas seriam investigadas à parte pelo delegado Luís Augusto Castilho Storni, em dois inquéritos policiais.
Certidões obtidas pela Folha na Justiça, no entanto, demonstram que isso não ocorreu -dois inquéritos foram abertos, mas em nenhum há os nomes das empresas.
Na denúncia feita à Justiça em dezembro de 2008, 13 pessoas e seis pequenas empresas viraram rés em processo. Nenhuma era a Halex ou a Embramed. Elas foram citadas em duas notas de rodapé -com a informação de que seriam investigadas à parte.

Investigação
A Operação Parasitas, que durou de setembro de 2007 a novembro de 2008, investigou um esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 100 milhões entre 2004 e 2008, segundo o governo estadual. A investigação foi feita pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pela Casa Civil do governo paulista. Segundo a apuração, Halex Istar Farmacêutica e a Embramed Indústria de Produtos Hospitalares repassavam seus produtos para firmas menores, que participavam das licitações fraudadas. Em alguns casos, as duas cometiam, segundo as autoridades, as fraudes diretamente.

Concorrência
Com base na investigação da polícia, o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso, do Tribunal de Justiça de SP, escreveu, no fim de outubro de 2008, que a Halex manipulou uma concorrência no Hospital Pérola Byington. A empresa é acusada de vender soro com valor 308% mais alto do que a menor oferta -R$ 1,22 a unidade contra R$ 4,99, em agosto de 2007.
Escuta telefônica demonstra que um dos sócios da Halex, Zanone Alves de Carvalho, tinha informações privilegiadas sobre as concorrências. "Destas [empresas], a Embramed apresenta evidência de atuação preponderante [chave no esquema], sendo sua atuação em conjunto com a Halex Istar, Venkuri e Smiths Medical", escreveu o delegado Storni em um de seus relatórios, com data de 7 de outubro do ano passado.
Em vez de citar a Halex e a Embramed nos dois novos inquéritos abertos para investigá-las -como o promotor Carneiro informou à Justiça que aconteceria-, o delegado apenas repetiu os nomes das pessoas e empresas que já constavam no inquérito policial que deu origem à operação.
A Halex pertence a Heno Jacomo Perillo, primo de Marconi Perillo (PSDB-GO), vice-presidente do Senado e governador de Goiás duas vezes. O nome do político aparece anotado à mão, ao lado do de Heno, na ficha de formação societária da empresa que integra a documentação da operação.
A Embramed Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares tem entre seus sócios o médico infectologista Rudolf Uri Hutzler, do conselho deliberativo do Hospital Albert Einstein, e seus familiares

Incêndio no Butantã foi criminoso, conclui MP paulista.

(do Transparência SP)
A maior coleção de cobras, aranhas e escorpiões do mundo perdeu-se para sempre. Espécies em extinção ou já extintas nunca mais poderão ser operadas.
Nem assim a falta de "excelência" da gestão pública paulista é colocada em discussão pela mídia nativa. Os erros são sempre pontuais e individualizados.

(do O Estado de SP)

O incêndio que destruiu a maior coleção de cobras, aranhas e escorpiões do mundo, no Instituto Butantã, foi criminoso. É a conclusão do relatório que o Ministério Público paulista enviou à juíza Aparecida Angélica Correia.

Arquivo/AE
Arquivo/AE
 
Fogo destruiu a maior coleção de cobras, aranhas e escorpiões do mundo
Cinco pessoas são acusadas do crime de incêndio culposo - quando a irresponsabilidade, e não a intenção, causou o crime. A lista inclui o então diretor-presidente, Otávio Mercadante, o diretor administrativo Ricardo Braga de Souza, o diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução Otávio Augusto Marques, a pesquisadora Selma Maria de Almeida Santos e Carlos Ely Almeida Correia, então responsável pela Divisão de Engenharia.
O relatório foi escrito com base no laudo do Núcleo de Engenharia do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, divulgado em março.
A promotora de Justiça Criminal do Fórum Regional de Pinheiros, Eliana Passarelli, diz que o incêndio começou no mezanino, "construído de forma irregular, sem alvará da Prefeitura". Ela explica que, no mezanino, foram acomodadas serpentes vivas, que exigem um sistema de aquecimento próprio, incompatível com um recinto que abrigava milhares de litros de álcool para conservar espécimes mortos.
"O mezanino havia sido construído duas semanas antes", aponta Eliana. "Foi o tempo que ele durou antes de causar um acidente daquela proporção." Tudo foi improvisado para acomodar pesquisadores que deveriam estar em outro lugar, diz ela.
Se a juíza acolher o relatório, será realizada audiência para verificar se os supostos autores estão dispostos a fazer um acordo penal, já que não têm antecedentes criminais. Na prática, a pena seria comutada por compra de cestas básica básicas ou serviços comunitários.
Em nota divulgada nesta quinta, 30, o Instituto Butantã afirmou que "não recebeu o relatório", mas "se coloca à inteira disposição para esclarecimentos". E recordou a construção do novo Prédio de Coleções, uma obra de R$ 3 milhões.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pedágios em SP aumentam ainda mais; viagem para Santos terá custo igual a BH ou Curitiba

Com o reajuste no preço dos pedágios, que entrou em vigor nesta sexta-feira (1º), o custo para viajar de São Paulo a Santos é semelhante ao da viagem entre a capital paulista e Curitiba (PR) ou Belo Horizonte (MG), considerando o valor acumulado dos pedágios.
Para viajar entre São Paulo e Santos, que estão a 85 km de distância, pelas rodovias estaduais Imigrantes ou Anchieta (administradas pela Ecovias), o motorista pagará agora R$ 20,10  ante aos R$ 18,50 cobrados anteriormente. A tarifa é cobrada somente no sentido capital-litoral.
Já entre São Paulo e Curitiba, trajeto de 408 km pela rodovia federal Régis Bittencourt –sob concessão da OHL–, há seis pedágios no valor de R$ 1,70, o que totaliza R$ 10,20 por viagem. Somando os valores de ida e volta, o motorista irá pagar R$ 20,40 para rodar 816 km, R$ 0,30 a mais do que paga para rodar 170 km entre Santos e São Paulo (ida e volta).
Clique aqui para ver as novas tarifas (arquivo em PDF).
Já a viagem entre as capitais paulista e mineira (596 km de distância) tem oito pedágios espalhados pela rodovia federal Fernão Dias no valor de R$ 1,30 cada, somando R$ 10,40. Considerando o trajeto de ida e volta, o motorista pagaria R$ 20,80, ou R$ 0,70 a mais do que no trajeto entre São Paulo-Santos, para rodar uma quilometragem sete vezes maior. A Fernão Dias também é administrada pelo grupo OHL.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pedágios em rodovias de SP: Concessionárias têm faturamento de R$ 6 bilhões e rentabilidade de 38%

(do blog Se a Rádio Não Toca)

No dia 1º de julho haverá reajuste dos pedágios nas rodovias estaduais paulistas. O período compreende junho de 2010 a maio de 2011. No Estado de São Paulo, há dois tipos de indexadores utilizados no reajuste. O IGP-M, medido pela Fundação Getúlio Vargas - cuja variação no período foi de 9,77% - e o IPCA, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com variação de 6,55%.
O IGP-M foi utilizado para indexar os contratos firmados com as empresas antes do ano 2000 e atinge 3.500 quilômetros da malha paulista, ou 66% do total de rodovias pedagiadas. O custo quilométrico para andar nessas rodovias passará a ser de R$ 0,10 nas rodovias simples, R$ 0,14 em pistas duplas e R$ 0,16 em sistemas, segundo dados da Artesp. É a mais cara do Brasil e, levando em conta o efeito renda, uma das mais caras do mundo.
O IPCA reajusta os demais 1.774 quilômetros, cujos contratos passaram a vigorar a partir de 2009. O valor quilométrico pago nessas rodovias varia entre R$ 0,05 na Rodovia Marechal Rondon Oeste a R$ 0,085 na D. Pedro I, em pistas simples. Em pista dupla, os valores variarão de R$ 0,07 na rodovia Ayrton Senna a R$ 0,12 na Rodovia D. Pedro I. Essas rodovias continuam caras, quando comparamos com licitações federais de 2007.
Na rodovia federal Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte com pista dupla - concedida à inicativa privada em 2007 pelo governo Lula -, o custo quilométrico é de apenas R$ 0,02. O governo paulista ao invés de adotar a mesma metodologia para baratear as tarifas de pedágio, insiste em tentar desqualificar a qualidade das rodovias federais. Baseia-se nesta tática em problemas oriundos da desapropriação de áreas e dificuldade de obtenção de licença ambiental para o avanço das melhorias, como aliás também aconteceu com as rodovias paulistas no início da concessão destas. Quanto ao mérito do modelo adotado, finge ignorar.

As rodovias paulistas estão indo para 13º ano de concessão. As rodovias federais, concedidas em 2007, estão indo para o 3º ano. Em breve, essas rodovias serão tão boas quanto as paulistas, só que custando muito menos.
De junho de 1998 a maio de 2011, o IGP-M variou 213%, enquanto o IPCA, indicador mais confiável, cresceu 131%. A diferença é de 35% a mais para o IGP-M. Isso indica o quanto o pedágio paulista poderia ser mais barato com a mudança de indexadores.
Com o modelo atual existe um claro desequilíbrio desses contratos em benefício das concessionárias paulistas, que apresentam atualmente as maiores rentabilidades entre todos os setores da economia. As concessionárias das rodovias paulista lucraram 38% em 2010, enquanto, segundo a Austin Rating, na área industrial como um todo a rentabilidade foi de 19% - na química e petroquímica de 15,8% e no setor de construção e engenharia os lucros foram de 15,3%. O lucro dessas empresas ainda subiu vertiginosamente por causa do aumento do tráfego oriundo do crescimento econômico, observados nos últimos anos.
O governador Geraldo Alckmin prometeu na campanha a revisão dos pedágios, mas agora acena para 2012 apenas com a troca de indexador. Padronizando todos os contratos para serem reajustados pelo IPCA, não teremos tarifas mais baratas, apenas poderão ser reduzidos os reajustes em 2012.
O governo paulista ainda acena com o aumento do tempo de validade desses contratos, que já foram prorrogados em 2006 e lesam o usuário das rodovias paulistas. O ideal é que esses contratos acabassem o quanto antes para se fazer uma nova licitação em novas bases, barateando o pedágio em São Paulo sem torná-los ad perpetum.
Os pedágios caros prejudicam principalmente o povo mais pobre, que paga mais caro pelas mercadorias que consome, cujos preços embutem fretes onerosos das mercadorias transportadas por caminhão. A população mais pobre também sofre quando viaja de ônibus, já que as passagens ficam mais caras por causa dos preços abusivos dos pedágios em São Paulo.
Em função dos preços abusivos e do modelo de concessão, a receita de pedágio cresceu R$ 1,3 bilhão (+30%), a rentabilidade chegou a 38% e os investimentos das concessionárias nas rodovias caiu 5,5%.
Em 2009, a receita de pedágio alcançou o valor de R$ 4,67 bilhões e, em 2010, fechou em R$ 6,04 bilhões - crescimento de 30% em relação ao ano anterior (quase três vezes a inflação do período).
As receitas das concessões rodoviárias cujos contratos foram firmados antes do ano 2000 tiveram um crescimento de 16,4% em 2010 quando comparado a 2009. Apesar da crise econômica de 2009, houve crescimento do lucro líquido em 9%, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão em 2010, nas empresas cujos contratos antecedem o ano 2000.
O total do lucro líquido dessas concessionárias chegou a R$ 6,17 bilhões do início da concessão até 2010, que foi capitaneado pela Autoban (R$ 1,9 bilhão), Ecovias (R$ 1,2 bilhão) e Via Oeste (R$ 733 milhões). A relação entre o total arrecadado e o lucro líquido representou quase um quarto de toda receita de pedágio.
A concessionária Via Oeste teve o maior aumento na receita em 2010 com 24%, visto que as mudanças no pedágio no sistema Castello Branco e Raposo Tavares possibilitou um crescimento de mais de 100% no volume de tráfego, sendo seguida pela Autoban na faixa de 18%. Os menores crescimentos foram da TEBE e SPVIAS (+11%).
O maior crescimento do lucro líquido ocorreu na SP Vias (+66%), TEBE (+ 32%) e Autoban (+22%). A relação entre o patrimônio e o lucro líquido, que indica o grau de rentabilidade das empresas, mostra que em 2010 essa relação chegou a 38%. No mercado em geral, uma relação de 20% é fantástica. A melhor relação é da Centrovias 55%, seguida pela Triângulo do Sol (52%) e em terceiro lugar a Autoban (47%).
Se o lucro das empresas concessionárias vai bem, a receita e despesa com construções - que apontam os investimentos realizados - vão mal. Este valores foram de R$ 684 milhões em 2009 e cairam para R$ 646 milhões em 2010 - um corte de R$ 37,5 milhões (-5,5%). As novas concessões investiram mais por força contratual. Ainda assim, chama a atenção a queda dos investimentos nas concessionárias responsáveis pela Rodovia Marechal Rondon (-30%) e pela Rodovia Raposo Tavares (-6%).

Delegado que denunciou privilégios na Corregedoria é afastado e tem arma e carteira funcional recolhida: sentença de morte.

Delegado que acusou privilégios durante apurações é afastado 

DE SÃO PAULO - Após afirmar que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de SP dá tratamento diferenciado em apurações contra delegados que chegaram ao topo da carreira, o delegado Mário Rui Aidar Franco, 37, sofreu punições.
Depois de trabalhar dois anos na Corregedoria, Franco foi afastado ontem do posto de delegado plantonista em Santana de Parnaíba (Grande SP) e perdeu temporariamente o direito de andar armado e com sua carteira funcional.
“Estão assinando minha sentença de morte. Ano passado, sofri duas tentativas de assassinato e tive de andar com escolta por dias. Até meus três filhos viveram escoltados. Isso por causa do trabalho que fiz na Corregedoria”, disse ele.
A punição partiu da Delegacia-Geral da Polícia Civil, que atendeu pedido do chefe da Corregedoria, Délio Montresoro. O delegado-geral, Marcos Carneiro Lima, negou haver privilégios na Corregedoria.

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Para os amigos: afastamento remunerado.
Para os inimigos: REMOÇÃO PRA CASA DO CACETE!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Estado de SP registra aumento de 18% em roubos que terminam em morte

SSP registrou 141 crimes de latrocínio nos primeiros cinco meses deste ano
Fernando Gazzaneo, do R7






O número de roubos que terminaram em morte aumentou 18,4% nos cinco primeiros meses deste ano no Estado de São Paulo em comparação com o mesmo período de 2010. No ano passado, foram 119 crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) contra 141 crimes do tipo neste ano. Os dados foram divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), nesta segunda-feira (27), e fazem parte da promessa do Governo de São Paulo, feita em março deste ano, de publicar mensalmente os dados da criminalidade no Estado. 

Nos últimos 12 meses, o número de latrocínios registrados pela polícia do Estado foi de 272. Já entre maio de 2010 e junho de 2009, a polícia fez 271 boletins com este tipo de crime. Por base nesses dados, a SSP diz acreditar em uma estabilização dos casos de roubo que terminaram em morte em São Paulo.Ainda segundo a secretaria, os latrocínios representavam 0,1% do total de roubos (um latrocínio para cada 1.000 roubos). A pasta informou que o policiamento em todo o Estado tem sido reforçado e recomendou à população não reagir aos assaltos. No último balanço divulgado pela SSP, em maio - correspondente ao período entre janeiro e abril deste ano -, houve um aumento de 13% nos roubos que terminaram em morte em comparação ao mesmo período de 2010. Nesse período, os latrocínios saltaram de 91 para 103 no Estado. 


Roubos de carro
Os roubos e furtos de veículos no Estado, de janeiro a maio deste ano, também registram alta em relação ao mesmo período de 2010. O primeiro tipo de crime teve aumento de 10%. Já os casos de furtos (quando não há violência) em São Paulo cresceram quase 9%. Na avaliação da secretaria, “a alta percentual é inferior ao significativo incremento da frota estadual, que saltou de 12 milhões de veículos para 20 milhões nos últimos dez anos”. 

Já na capital paulista, os furtos e os roubos de veículos aumentaram 4,2% e 6,7%, respectivamente, no comparativo entre os cinco primeiros meses do ano. Por causa disso, a Polícia Militar informou que irá intensificar o policiamento para impedir que esse tipo de crime aconteça. Entre janeiro e maio deste ano, os crimes de roubos gerais cresceram cerca de 10% no comparativo com os cinco primeiros meses do ano passado. O número de ocorrências registradas na Delegacia Eletrônica, que fica disponível no site da SSP, foi de 11.860 no primeiro mês de 2011 para 15.858 em maio.
EstuprosA polícia também registrou crescimento de quase 11% nos casos de estupro nos cinco primeiros meses deste ano, no comparativo com 2010. A SSP atribui esse crescimento à mudança na legislação que caracteriza o estupro. Os crimes de violência sexual registrados nas delegacias do interior foram enquadrados na lei de nº 12.015, que, em agosto de 2009, sofreu alterações em seus artigos. Entre eles, está o artigo 213, que classifica o que é estupro. Com base na versão anterior da norma, estupro significava apenas violência sexual, com penetração, praticado contra uma mulher.Entre janeiro e abril de 2011, de acordo com o penúltimo boletim da SSP, houve 3.585 registros desse tipo de crime no Estado. O número representa um aumento de 13,6% nos casos de caso de violência sexual em comparação ao mesmo período de 2010.

Povo de SP e torcida pagarão custo do Fielzão

Dirigentes do clube disseram a deputados que engenharia financeira está resolvida
Gustavo Alves, do R7




O deputado federal Romário disse que a Copa do Mundo de 2014 seria marcada pelo “jeitinho brasileiro”. Pelo menos em São Paulo, a frase já mostrou ser verdadeira. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, deu o seu “jeitinho” para construir o estádio da abertura do Mundial sem colocar a mão no bolso. Pior: dividiu a conta da obra do Fielzão entre a população da cidade, a torcida do Timão e os sucessores na presidência do clube.

Além dos R$ 420 milhões em incentivos fiscais que vai ganhar do prefeito Gilberto Kassab, a diretoria de Andrés ainda vai comprometer 40% da renda de todos os jogos do Corinthians no Fielzão por 25 anos, ou seja, até 2036, para pagar a construção. A conta é simples. Segundo o que diretores corintianos prometeram a deputados federais, que foram visitar as obras em Itaquera em 16 de junho, a engenharia financeira da construção já está definida. O valor total não passará de R$ 700 milhões. Destes, R$ 400 milhões serão pagos com o empréstimo do BNDES e os outros R$ 300 milhões virão dos incentivos fiscais que Kassab dará ao Corinthians. A prefeitura conta com a desvalorização dos CIDs (Certificados de Incentivos ao Desenvolvimento), que perdem valor quando negociados com outras empresas. Aí já aparece uma séria contradição. O diretor de marketing corintiano, Luis Paulo Rosenberg, sempre anunciou com orgulho que “pagaria cada real” do empréstimo do BNDES com a venda do nome do estádio para alguma empresa. Em entrevistas, ele afirmou que conseguiria R$ 300 milhões na operação. Só que o tempo passou e Rosenberg viu que não seria tão fácil negociar os naming rights (direitos do nome, em inglês) da arena, ainda que seja, talvez, a da abertura da Copa. A saída foi comprometer 40% da renda de todos os jogos do time no novo Fielzão por 25 anos. Ou seja, além de o clube não pagar, passou a conta para a torcida e os sucessores de Andrés na presidência do clube até 2036. Em uma conta rápida, feita com valores registrados no site da CBF, pode-se observar que realmente será possível pagar o BNDES com a renda de 25 anos de jogos do time. Segundo a CBF, a média de arrecadação do Corinthians em casa no Brasileiro de 2010 foi de R$ 899 mil reais, em 18 jogos. Se pegarmos o mesmo valor e o mesmo número de jogos para o primeiro semestre, quando o clube disputa o Paulistão, amistosos de pré-temporada e Libertadores ou Copa do Brasil, teremos 36 jogos em casa em um ano.

Quarenta por cento de R$ 899 mil = R$ 360 mil. Se fizermos esse valor vezes 36 partidas, teremos aproximadamente R$ 12 milhões por ano gastos apenas para pagar o BNDES. Durante 25 anos, o total, por cima, fecha em R$ R$ 325 milhões arrecadados com a torcida do clube, que fica bem próximo do empréstimo de R$ 400 milhões. Como haverá oscilação entre os valores dos CIDs e das arrecadações do clube, a conta será fechada. Porém, a bomba cairá nas mãos dos próximos presidentes do Corinthians. Se o clube não mantiver equipes competitivas que participem de competições importantes, a torcida pode não comparecer em massa e o clube deixará de arrecadar o que foi previsto nesta conta. Graças a Andrés Sanchez, os próximos oito mandatos de presidentes do Corinthians terão cerca de R$ 12 milhões por ano a menos para contratar equipes competitivas e atraentes para o torcedor. Clube já conta com R$ 420 milhões em incentivos Apesar de o projeto de incentivos ainda não ter sido aprovado pelos vereadores de São Paulo, o Corinthians já disse aos deputados que o valor servirá para bancar quase metade da construção do estádio. O processo foi agilizado após visita de Andrés à Câmara Municipal no dia 21 de junho. O Projeto de Lei 288/2011 foi lido no plenário da Câmara Municipal na última terça-feira (21) e encaminhado no mesmo dia à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para avaliação. 
O vereador Aurélio Miguel (PR) pediu vista do projeto e recebeu, de acordo com o Regimento Interno da Câmara, prazo de dois dias para estudar o texto. Dessa forma, o projeto voltará à pauta da CCJ na reunião da próxima terça-feira (28). Se nenhum outro parlamentar pedir vista da matéria, ela deverá ser levada para primeira votação em plenário ainda na terça. A intenção da maioria dos vereadores é aprovar o projeto no máximo até a próxima semana. 

O R7 ouviu especialistas em finanças públicas, que afirmam que esse tipo de incentivo é dinheiro público. 

Com esse valor de R$ 420 milhões, seria possível construir 787 unidades de saúde, de acordo com dados do Ministério da Saúde, ou então 420 creches ou mesmo 100 escolas de ensino fundamental, segundo a Secretaria Municipal de Educação. Nesses itens, as realizações da prefeitura estão aquém das promessas de campanha da reeleição de Kassab, em 2012.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fraudes na saúde estadual existem há mais de 10 anos.

(do Transparência SP)

O esquema de fraudes em plantões médicos no hospital público estadual de Sorocaba funcionava a mais de 10 anos. Não acredito em ampla divulgação desta informação, até porque este assunto revela a falta de controle do governo estadual e a lentidão do próprio Ministério Público Estadual quando o desvio de verbas e conduta atinge "aliados".


Documentos entregues à Câmara mostram que fraudes na Saúde existem há mais de 10 anos
(do Portal Tem Mais)

Os documentos revelam o drama de quem trabalha com a saúde em Sorocaba. São relatos do dia a dia no Conjunto Hospitalar, onde a desorganização era evidente. Tudo escrito no livro de ocorrências e uma residente desabafa
- "É necessário de uma vez por todas determinar quais são ou não são as atribuições dos doutorandos pra que possa haver organização neste internato."
A falta de médicos durante os plantões era recorrente.
- "Não havia nenhum médico responsável na enfermaria. Acho uma situação de extrema gravidade", denuncia revoltada uma das funcionárias.
Uma médica desabafa.
- "Por não ter médico no ps da clínica médica deixei o plantão da enfermaria aos cuidados de uma residente, o que é um absurdo deixá-la sozinha. Não concordo, mas nao tive escolha.
Pacientes entregues nas mãos de estudantes e em uma outra denúncia feita por uma aluna de medicina.
- "Queria fazer uma queixa de que não há plantonista na enfermaria, como residente estou sozinha, sem chefe. Um absurdo pois na escala estava um plantonista"
Os relatos de alunos, médicos e funcionários não foram bem aceitos pela direção. O diretor técnico de serviços de saúde dá uma bronca.
- "Este é um livro não de desabafos ou críticas mal definidas" peço maior cuidado nas anotações"
Esses documentos que falam do dia a dia no Conjunto Hospitalar foram entregues para os jornalistas na Câmara dos Vereadores. O médico que juntou toda esta papelada já vinha denunciano a falta de médicos nos plantões e a precariedade no atendimento dos pacientes há mais de 10 anos.
A primeira denúncia feita pelo médico Vicente Spinola Dias Neto ao Ministério Público foi em 1998. Ele relatava problemas como falta de leitos, remédios e o caos que tomava conta da enfermaria.

Privatizações

Privatizações
Memórias do Saqueio: como o patrimônio construído com o trabalho e os impostos do povo paulista foi vendido
 
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