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domingo, 17 de outubro de 2010

Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação)


extraído do NaMaria News e Vi o Mundo

~ Conceição Lemes


Transparência é sine qua non em todo negócio público. Uma das formas de garanti-la é a licitação, quase sempre obrigatória. Mesmo nas situações excepcionais em que é dispensável, o contrato da minuta tem de estar disponível, on-line, para consulta. O descumprimento dessas normas tem de ser denunciado, é óbvio.



Rápida busca no Google revela que denúncias nesse setor (às vezes improcedentes) geralmente ganham destaque na velha mídia quando envolve pessoas e órgãos ligados ao governo federal ou aos aliados da base de sustentação do presidente Lula.



Essa mesma mídia, no entanto, silencia sobre as benesses que recebe da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), via Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE), pela venda de apostilas, jornais, revistas, livros.



"Desde 2004, especialmente de 2007/2008 em diante, a FDE pagou no mínimo R$250 milhões (R$248.653.370,27) [valores não corrigidos] à Abril, Folha, Estadão, Globo/Fundação Roberto Marinho", denuncia NaMaria, do NaMaria News, ao Viomundo. "A maioria sem licitação."



"As vendas maciças desse papelório à FDE coincidem com o apoio crescente da mídia à candidatura José Serra e apoio ao PDSB", observa NaMaria. "As publicações são apenas cortina de fumaça. Uma desculpa perfeita, pois com dinheiro do FNDE podem-se comprar tais coisas. Porém, o que a FDE comprou, de verdade, foi a palavra nesses espaços."



"Em São Paulo, à custa da educação pública, estão se construindo inúteis 'escolas de papel'", nota NaMaria. "Afinal, esse papelório é dispensável e o destino, o lixo. Quem não se lembra dos Cadernos do Aluno, caríssimos, feitos em editoras como a Plural (da Folha), Ibep, Posigraf, Esdeva, FTD, que foram encontrados em caçambas de lixo, e dos que tinham o mapa da América do Sul com dois Paraguais?"



"Quase todo o dinheiro da compra de jornais, revistas, apostilas, inclusive daquelas mochilas que o Serra alardeia nas propagandas, vem do FNDE", revela NaMaria. "Mas a SEE-SP e a FDE omitem, fazem bonito com os donos da mídia com o chapéu do governo federal. As compras estão dentro da lei, mas será que são relevantes?"



"Por exemplo, para a Editora Abril/Fundação Victor Civita foram entregues R$52.014.101,20 para comprar 4.543.401 exemplares de diferentes publicações. Com esse dinheiro, poderiam ser construídas quase 13 escolas ou 152 salas de aula novinhas, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos – considerando que uma escola com 12 salas custe R$4,1 milhões e cada sala cerca de R$340 mil."



FNDE é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). A FDE-SP, criada para cuidar da construção e infraestrutura escolar, cresceu demais, adquiriu poderes imensos, virou um buraco negro. Exceto a folha de pagamento, passa por aí desde o dinheiro para a compra de papel higiênico (suprimentos), merenda, material didático, mobiliário escolar, kits escolares (mochila, cadernos etc.), projetos pedagógicos, capacitações até o destinado para aquisição de computadores e softwares.



"A FDE sequer publica no Diário Oficial (DO) a justificativa de suas compras que dispensam de licitação", condena NaMaria. "Até hoje encontrei poucas. Por exemplo: assinaturas do Diário Oficial, feitas pelas Diretorias de Ensino, locações de imóveis, serviços emergenciais de limpeza escolar. Mesmo assim incompletas. Outras secretarias até publicam, a Educação, não. Não é piada?"



O NaMaria News existe há um ano e meio. A "dona" é uma web-pesquisadora muito dedicada e competente, com faro finíssimo para descobrir desmandos na educação pública, principalmente os praticados pelo PSDB de São Paulo. A veracidade e excelência do seu trabalho são tamanhas que NaMaria hoje é referência.



NaMaria é uma só. Mas, por meio das redes, vira uma legião capaz de chegar a qualquer canto do Brasil. Por isso, neste segundo turno da eleição presidencial, o Viomundo entrevistou-a, para entender melhor os meandros dos negócios dos tucanos na área educacional.



Afinal, a Secretaria da Educação Estadual de São Paulo é uma das maiores empresas públicas do mundo: tem 4.449.689 de alunos (matrículas 2009), 278.443 professores ativos (comprove aqui) e execução orçamentária recorde em 2009 de R$1.9 bilhão (Relatório FDE).



Viomundo – Vou começar com a pergunta que todo mundo gostaria de fazer a você: como descobre tudo isso?
NaMaria – (Risos) ... lendo o Diário Oficial de São Paulo. Lá temos drama, suspense, ação, ficção científica, mistério. E um pouco da realidade, que não faz mal a ninguém. Vai dizer que a notícia dada no DO de que o Alckmin, quando governador em 2003, acabaria com as enchentes do Tietê não é ficção? E que saiu por quase um bilhão de reais, com dinheiro japonês, não é de matar de emoção? Só é.



O Diário Oficial também tem muita diversão. É como se eu me movesse num enorme labirinto. Por exemplo, eu chego lá com o número de um contrato ou o nome de algum personagem histórico do mundo dos negócios. Eu tenho de seguir o rastro dele, atentando às mínimas pistas, para reconstruir as tramas. Às vezes ao "caçar" compras de jornais e revistas sem licitação, acho um contrato recém-assinado, milionário, com empresa de aluguel de computadores ou serviço de lanches, prestação de serviços em eventos.



Sem dúvida, o DO (risos, de novo) é o melhor jornal de todos os tempos. Parece ser o único que fala alguma verdade – mesmo que por outras vias. Há também os leitores que nos enviam sugestões de pesquisa, denúncias, perguntas interessantes.



Viomundo — Qual o seu diagnóstico da educação pública em São Paulo?
NaMaria — Quem mora em outro estado e vê a propaganda, acha que a nossa educação vai muito bem. Tremenda ilusão. A propaganda é bonita mas pura mentira. A educação vai péssima. O fracasso pedagógico está claríssimo. Basta conversar com pais, alunos e professores. As escolas públicas paulistas são protótipos caros de cadeias e túmulos de sonhos. As crianças e os jovens que as frequentam são o que menos importam aos gestores. Idem os professores.



Viomundo – São Paulo é o estado mais rico da federação, a Secretaria de Educação tem muito dinheiro. Por que os resultados práticos são tão ruins?
NaMaria — Dinheiro não significa qualidade. E dinheiro mal empregado, pior ainda. É a máxima do menos é mais, só que ao avesso. O fracasso pedagógico decorre da filosofia implantada aqui: a nossa educação é baseada em negócios.



Viomundo — Esse modelo começou com o Serra na Prefeitura?
NaMaria — A filosofia, não. Mas a relação desse modelo de negócio com a mídia, sim. Muitos dos meganegócios, prestações de serviços, projetos "pedagógicos", empresas ganhadoras e práticas atuais da FDE tiveram berço com Serra quando prefeito de São Paulo.



Viomundo – Comecemos pela filosofia.
NaMaria — A educação baseada em negócios começou em Brasília, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando Paulo Renato de Souza era ministro da Educação (1995 a 2002). Vários membros da equipe abriram empresas quando saíram do governo e passaram a vender serviços para o próprio governo. O próprio Paulo Renato montou a PRS Consultoria. A Veja, parceira visceral da SEE-SP, já na década de 90 fazia elogios rasgados à política educacional do Paulo Renato.



Em janeiro de 2005, quando o Serra se tornou prefeito, muitos deles vieram para cá para implantar o projeto de negócio em educação.



Em dezembro de 2007, já com Serra governador de São Paulo, o projeto aparece no estado. A secretária de Educação era Maria Helena Guimarães de Castro, ex-MEC e ex-secretária de Educação do Distrito Federal, do então governador José Roberto Arruda.



Daí, veio também para a SEE-SP a Iara Glória Areias Prado, ex-secretária-adjunta de Educação da Prefeitura, ex-assessora na empresa PRS do Paulo Renato, esposa do "homem das pesquisas" Antônio de Pádua Prado Júnior, o Paeco, cuja empresa APPM tem significativos clientes, entre eles a agência Lua Branca, do Luiz Zinger González, o marqueteiro atual do Serra, cuja mesma agência fez trabalhos caríssimos para o Paulo Renato na SEE e que também é Conselheiro Consultivo da Fundação Mário Covas.



Veio ainda a Cláudia Aratangy, hoje Diretora de Projetos Especiais no lugar da Iara Prado, que exerce outras funções poderosas. Veio a Guiomar Namo de Mello, que também é diretora executiva da Fundação Victor Civita, é diretora da EBRAP – Escola Brasileira de Professores, conselheira na Sangari Brasil, está dentro da SEE/FDE – tendo sido contratada não pela Educação, mas através da FUNDAP Fundação do Desenvolvimento Administrativo – (ver também a Resolução SE – 79, de 3-11-2009) –; é da equipe executora dos Cadernos dos Professores "Gestão do Currículo na Escola" 2008-2010 e por aí vai. Daí tem também a Maria Inês Fini, Zuleika de Felice Murrie e depois Eliane Mingues, entre outros. A lista é imensa, podemos ficar aqui uma semana enumerando-os. Detalhe: todos da turma do Paulo Renato dos tempos de MEC. Desde 2009, Paulo Renato é o secretário da Educação do Estado de São Paulo.



Viomundo — Você disse que muitas das práticas atuais da FDE tiveram início com Serra quando prefeito...
NaMaria — Te dou um exemplo. A Central de Atendimento da FDE é feita pela Call Tecnologia e Serviços, que chegou na Prefeitura de São Paulo, em abril de 2006, para fazer a Central 156. A Call foi parar, via licitação, na Educação de SP em março de 2009, para fazer um serviço que já era feito pelos funcionários da FDE: atender as chamadas telefônicas, orientar os usuários etc..



Mas o Paulo Renato e o Serra acharam por bem ter uma "empresa terceirizada mais profissional" para o serviço, para agilizar. Só que um tanto mais cara também: algo como R$3.984.000,00 (contrato 52/0020/09/05) – fora a tonelada de equipamentos, instalações e software que tiveram de comprar para a coisa andar direito; então lá se foram alguns milhões. E as empresas fornecedoras desses equipamentos e serviços também são velhas conhecidas tanto da prefeitura quanto do estado. Uma parte dessa aventura já foi tratada no NaMaria News (aqui). É bom não esquecer que a Call Tecnologia, original de Brasília, está na Operação Caixa de Pandora – junto com outras empresas de tecnologia, gráfica e software que negociam com São Paulo.



O Serra, na verdade, fez da prefeitura um piloto do que colocaria em prática, depois, no governo do estado. Testou tudo: tipos de negócios, projetos, mega-assinaturas de publicações da Abril, Estadão, Folha, Globo, ex-membros da equipe do Paulo Renato, até o próprio Paulo Renato. Portanto, não é errado pensar que o seu governo estadual foi piloto para o que pretende fazer, se eleito como presidente. Ele gosta de um projeto-piloto.



Viomundo — Mas a Marta Suplicy (PT-SP) também comprou assinaturas revistas da Abril e outras editoras quando prefeita...
NaMaria — A Marta assim como governos anteriores. Acontece que ela comprava a maioria definitiva e comprovadamente para as bibliotecas. Quem queria ler ou consultar, ia às bibliotecas e pronto. No DO é fácil comprovar isso. Portanto, em quantidades e valores mínimos se comparados ao que vimos com Serra na Prefeitura, depois no governo do estado de São Paulo. É o caso do projeto Ler e Escrever, que surgiu na Prefeitura em 2005. Em 2007, ele apareceu na SEE-SP.



Viomundo — O que é o projeto Ler e Escrever?
NaMaria — Entre outras funções mais nobres, ele é responsável por comprar livros, sem licitação, em grandes quantidades, entre os quais aqueles noticiados em toda imprensa como "pornográficos", tipo o Memórias Inventadas, do Manoel de Barros (463.088 exemplares, por R$2.315.440,00). Há editoras campeãs de vendas também — estamos levantando isso.



Mas o mais intrigante desse projeto são as compras denominadas "materiais de apoio pedagógico". Por exemplo: dez contratos [2008-2010] de revistinhas da Turma da Mônica (e Cascão), da Panini, que custaram aos cofres públicos de São Paulo quase R$27 milhões, sendo um deles de R$14 milhões numa tacada.



Foram gastos R$18 milhões em revista Recreio, da Abril. Para a Ediouro, nas compras de Coquetel Picolé, foram mais de R$6 milhões.
Aí, eu pergunto. Do ponto de vista educacional-pedagógico, que utilidade tem essas revistinhas? NENHUMA. Bem, os adeptos sempre podem recorrer à faceta lúdica, mas e aí? Como é isso na sala de aula?



Da Fundação Victor Civita, a Secretaria da Educação de São Paulo comprou 18.160 assinaturas da revista Nova Escola no final de 2004 e em outubro de 2007, respectivamente. Em 2008, saltou para 220 mil assinaturas, que custaram R$3.740.000,00.



Curiosidade: além de ter a Nova Escola no local de trabalho, os professores passaram a receber as revistas em suas casas. O que significa que endereços e dados pessoais dessa gente foram para o banco de dados da Fundação Victor Civita, sem permissão ou conhecimento prévio de seus donos.



O NaMaria acompanhou algumas dessas aquisições do Ler e Escrever. Só para a revistinha Turma da Mônica, da Editora Panini, que já teve negócios com a Globo, a FDE pagou a "módica" quantia de R$14.277.067,20.






Os quadros abaixo não são completos, são apenas um apanhado do que eu consegui levantar. Mas é de desnortear qualquer um, concorda?


PANINI BRASIL LTDACONTRATO / LINK D.O.VALOR
90.000 unids. Almanaque do Cascão, 90.000 unids. Almanaque da Mônica~ 15/0134/08/04 ~29/mar/2008561.600,00
9.000 Assinaturas Revista da Turma Mônica~ 15/0135/08/04 ~29/mar/20081.422.900,00
103.092 avulsas: 51.546 Almanaque do Cascão e 51.546 Almanaque da Mônica~ 15/0695/08/04 ~29/mai/2008321.647,04
5.155 Assinaturas Revista Turma da Mônica~ 15/0694/08/04 ~12/ago/2008815.005,50
?? Livros títulos diversos ficção e não-ficção para 2ª, 3ª e 4ª do Ciclo I~ 15/1045/08/04 ~14/out/200847.946,30
57.310 assinaturas da Revista Turma da Mônica~ 15/0147/09/04 ~2/abr/200914.277.067,20
34.938 assinaturas Turma da Mônica Jovem e 279.504unids. avulsas nº 1 ao 8 Turma da Mônica Jovem~ 15/0146/09/04 ~17/abr/20094.373.538,84
195.749 unidades Almanaque do Cascão e 195.749unids. Almanaque da Mônica~ 15/0148/09/04 ~17/abr/20091.291.943,40
11.295 assinaturas da Revista Turma da Mônica0, sendo 5 exemplares por classe de 1ª série - CEI.~ 15/0502/09/04 ~6/ago/20092.344.842,00
392.000 avulsos do Almanaque da Turma da Mônica (196.000 do Cascão, 196.000 da Mônica)~ 15/00549/10/04 ~ 23/jun/20101.332.800,00

TOTAL26.789.290,28

EDIOURO PUBLICAÇÕES DE PASSATEMPOSCONTRATO / LINK D.O.VALOR
126.000 assinaturas Revista Coquetel Picolé (+ o aditamento ver DO 14/maio/08)~ 15/0180/08/04 ~2/abr/20081.892.062,80
132.244 assinaturas Revista Coquetel Picolé~ 15/0185/09/04 ~20/mai/20093.023.097,84
62.129 assinaturas Revista Coquetel Picolé~ 15/0529/09/04 ~26/ago/20091.183.557,45

TOTAL6.098.718,09


Viomundo — NaMaria já denunciou a compra de outras assinaturas, como Veja, Estadão, Folha, IstoÉ, Época, Galileu... Tem ideia das justificativas para as compras e de quanto o governo de São Paulo pagou nos últimos anos às empresas que fazem essas publicações?
NaMaria — Raramente se encontra no Diário Oficial os contratos dessas compras, apesar de ser obrigatória a publicação bem como a justificativa, portanto não sabemos porque essa e não outra e tal. Mas sobre gastos dá para ter uma noção maior, desde que esteja tudo publicado. De modo que o meu apanhado é apenas de uma parte do dinheiro gasto. Pelas pesquisas do NaMaria, desde 2004, especialmente de 2007/2008 em diante, foram entregues no mínimo R$250 milhões (R$248.653.370,27) [valores não corrigidos]. Sem dúvida é mais do que isso, mas já dá para fazer uma reflexão.



Se pegarmos as compras feitas pela FDE à Abril (Guia do Estudante Vestibular, Atlas Nacional Geographic, Revista Recreio e Veja) e Fundação Victor Civita (Revista Nova Escola), em contratos sem licitação que o DO aponta desde 2004 até agora, teríamos a quantia de R$52.014.101,20 (tabela abaixo).



Com o mesmo dinheiro entregue à Abril/Civita, sem qualquer percalço licitatório, em troca de papel, poderíamos construir quase 13 novas escolas ou cerca de 152 salas de aula, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos (manhã, tarde e noite). Desafogaríamos as escolas existentes e atenderíamos dignamente os alunos e comunidades.


ED. ABRIL / FUND. CIVITACONTRATO / LINK D.O.VALOR
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE's/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO – onde e quando o contrato inicial?~ 42/2199/04/04 (ver DO 29/12/04) ~14/jan/05326.880,00
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola~ 15/1063/07/04 ~23/out/2007408.600,00
220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 - solicitado pela CENP para o "Ler e Escrever"~ 15/1165/08/04
(ver DO 1/10/2008 ) ~ 25/out/2008
3.740.000,00
415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008~ 15/0543/08/04 ~23/abr/20082.437.918,00
430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular~ 15/1104/08/04 ~22/out/20084.363.425,00
430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.08 + 20.000 Revista do Professor~ 15/0063/09/04 ~11/fev/20092.498.838,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 09 + 25.000 Revista do Professor~ 15/0238/09/04 ~16/jun/20093.143.120,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor~ 15/0614/09/04 ~29/ago/20093.249.760,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem 2009 + 27.500 Revista do Professor~ 15/00024/10/04 ~ 2/abr/20103.177.400,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº5~ 15/00473/10/04 ~ 15/jun/20103.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 12-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº6~15/00762/10/04 ~17/ago/20103.328.600,00

PARCIAL25.527.661,00
3.000 assinaturas Revista Recreio~15/0181/08/04 ~29/mar/20081.071.000,00
6.000 assinaturas Revista Recreio~15/0182/08/04 ~29/mar/20082.142.000,00
5.155 assinaturas Revista Recreio~15/0670/08/04 ~12/ago/20081.840.335,00
25.702 assinaturas Revista Recreio~15/0149/09/04 ~17/abr/200912.963.060,72
2.259 assinaturas Revista Recreio~ 15/0528/09/04 ~1/set/2009891.220,68

PARCIAL18.907.616,40
95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 ao 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume~ 15/00273/09/04 ~ 28/mai/2010733.200,00
5.200 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura)~ 15/00547/10/04 ~ 29/mai/20101.202.968,00
5.449 assinaturas da Revista Veja - (Sala de Leitura)~ 15/0355/09/04 ~20/mai/20091.167.175,80

TOTAL52.014.101,20


Viomundo — Impressão ou as compras de "papéis" da SEE-SP são uma barafunda?
NaMaria — Não é impressão. É real. Se analisarmos os últimos 16 anos dos tucanos na educação em São Paulo, você descobrirá que não há um projeto verdadeiro de educação. Há "projetos", para atender "interesses" de A ou B.



O universo das compras da SEE-SP é monumental, compra-se de tudo. E isso facilita compras de papelório de editoras, gráficas, fundações vinculadas aos meios de comunicação.



Aliás, as vendas maciças de papelório à FDE coincidem com o apoio crescente da mídia à candidatura José Serra e apoio ao PDSB. As publicações são apenas cortina de fumaça. Uma desculpa perfeita, pois com o dinheiro do FNDE podem-se comprar tais coisas sem grandes problemas. Porém, o que a FDE comprou, de verdade, foi a palavra nesses espaços.



Viomundo — Daria para clarear essas compras de papelório?
NaMaria — São confusas, mesmo. Muitas coisas são para os alunos, pelo menos são compras que pertencem a "projetos" criados para os alunos. É o caso dos livros do Ler e Escrever, também os do Sala de Leitura.



Tem muito projeto para incentivar a leitura, mas a biblioteca é um horror na maioria das escolas. Ou falta espaço físico, pois ela passa a ser um depósito de computadores "velhos", apostilas "velhas", materiais em geral. Ou há desinteresse administrativo. Ou, ainda, falta de competência mesmo. Criaram então um "projeto" em que os alunos levam os livros para casa e fazem sua própria biblioteca, eles não ficam na escola.



O que se vê em todos é um gasto fenomenal de dinheiro, algumas vezes com escolhas inapropriadas para idade/série. Não há dúvida de que é bacana o aluno, sobretudo o mais carente, ter sua pequena biblioteca, mas infelizmente há mais coisas por trás disso.



Viomundo — Esses livros são "trabalhados" nas salas de aula?
NaMaria — Não dá para saber ao certo, embora a SEE crie materiais (e capacitações presenciais e on-line), ensinando os professores a usar os materiais que coloca nas classes.



Eu gostaria muito de saber como são usadas, por exemplo, as centenas de milhares de exemplares do Guia do Estudante Atualidades Vestibular e a Revista do Professor – Atualidades, da Abril. Elas são "primas" e caminham juntas. Se a gente olhar por alto alguns contratos, entre 2008-2010, vemos os gastos de mais de R$25 milhões. Mas como, exatamente, funcionam na escola não há registro por parte da SEE-SP ou da FDE. São informações que não chegam ao público comum.



No entanto, é facílimo averiguar. Não para nós, claro. Basta um grupo de deputados – eles tem passe livre – ir até algumas escolas, e analisar construções, mobiliários, reformas, livros, apostilas, computadores, merenda, entre outras coisas. Escolham as mais distantes, evitem as mais próximas ou as consideradas "melhores" pelo padrão FDE. E cheguem sem avisar, principalmente. Depois, divulguem amplamente os resultados. Duvido que tudo esteja o mar de rosas que a Secretaria da Educação de São Paulo anuncia nas propagandas.



Viomundo — Qual a sua avaliação dos tais Caderno do Aluno [tem também o Caderno do Professor], que são apostilas como as de cursinho pré-vestibular?
NaMaria — Os Caderno do Aluno são considerados materiais pedagógicos. Apoiado pelo mesmo pessoal que o acompanha desde o MEC, o Paulo Renato achou bacana ter essas apostilas. A FDE fez licitações para a impressão [serviços gráficos], contratou professores especialistas em cada área, montou equipe interna de técnicos e mandou ver, como oNaMaria mostrou (aqui) em novembro de 2009.



O estarrecedor, como sempre, foi a quantidade de dinheiro entregue às seis gráficas ganhadoras, entre elas aquela metida com o vazamento do ENEM, a Plural, do grupo Folha. Até novembro de 2009, a Secretaria da Educação, via FDE, havia entregado às empresas quase R$84 milhões [valores não atualizados]. A Plural foi a que mais recebeu: R$28 milhões. Fez inclusive apostilas que não estavam no edital. O levantamento precisa ser atualizado em 2010, algumas gráficas saíram, outras entraram e os valores certamente são outros. É preciso acrescentar muito dinheiro à essa conta.


CADERNO DO ALUNO - GRÁFICASCONTRATO / LINK D.O.VALOR
Caderno do aluno - Editora FTD (Artes e Ciências)~ 36/2912/08/05 ~ verNaMariaNews12.554.353,96
Caderno do aluno - Ibep (Geografia e Filosofia)~ 36/2912/08/05 ~ verNaMariaNews12.996.463,72
Caderno do aluno - Esdeva (Física e História)~ 36/2912/08/05 ~ verNaMariaNews13.572.846,25
Caderno do aluno - Multiformas (Matemática e Sociologia, mas caiu fora - fica Plural)~ 36/2912/08/05 ~ verNaMariaNews3.386.494,74
Caderno do aluno - Posigraf (Inglês e Química)~ 36/2912/08/05 ~ verNaMariaNews13.286.501,68
Caderno do aluno - Plural (Bio/Port/Mat/Sociol/Educ.Física)~ 36/2912/08/05 + 36/1641/09/05 ~ verNaMariaNews28.113.283,98

PARCIAL83.909.944,33


Viomundo — O que sabe mais dos tais Caderno do aluno?
NaMaria — Além do mapa com dois Paraguais, de eles terem sido encontrados em caçambas de lixo, os alunos criaram sites com as respostas. Por exemplo, recentemente teve o caso do link que levava os alunos ao impróprio Naked News em vez de site de conjunto de jornais. O NaMaria foi o primeiro a divulgar isso, lembra-se?



Os professores da rede também criticam abertamente a qualidade desses materiais. Pelo que observo na internet, a maioria não os utiliza em sala de aula, mas representantes da FDE já anunciaram a continuidade das publicações – sabe-se lá até quando. É um belo negócio, esse do ensino apostilado.



Viomundo — As editoras privilegiadas por essas compras têm também gráfica. É só coincidência?
NaMaria — As compras gráficas realmente merecem carinho especial. Se a SEE-SP tivesse gráfica, ela seria das maiores do Brasil. O estado tem a Imprensa Oficial, que poderia — e é usada pela SEE – mas nada se compara aos contratos com empresas privadas. Por exemplo, a Positivo começou como gráfica e hoje, muito graças à Secretaria da Educação de São Paulo, é uma gigante na informática. Para comprovar, basta seguir a história da empresa no DO desde o começo da informatização mais pesada do estado. A Positivo tem a Posigraf, que presta serviços de milhões e milhões à SEE-SP. Não podemos esquecer que bobina de papel é dinheiro disfarçado, faz milagres em eleições, sabia?



Viomundo — E as assinaturas dos jornais Folha e Estadão, Veja, Nova Escola, IstoÉ, Época...?
NaMaria — Dizem que são "materiais" para uso nas salas de professores, na administração e, claro, como apoio em sala de aula. Mas novamente não sabemos como isso se dá, nem qual a justificativa legal para tais compras. Como esses contratos dispensam licitação, não aparecem em DO, embora devessem. Por isso não sabemos a justificativa. Dá só para a gente imaginar – e ninguém pode reclamar se imaginarmos errado.


JORNAIS IMPRESSOSCONTRATO / LINK D.O.VALOR
5.449 assinaturas da Folha de São Paulo~ 15/0200/09/04 ~12/mai/20022.704.883,609
5.200 assinaturas da Folha de São Paulo - Proj. Sala de Leitura~ 15/00550/10/04 ~8/jun/20102.581.280,00
5.449 assinaturas do Estado de São Paulo~ 15/0199/09/04 ~15/mai/20092.691.806,00
5.200 assinaturas do Estado de São Paulo - Proj. Sala de Leitura~ 15/00545/10/04 ~28/mai/20102.568.800,00

PARCIAL10.546.769,60

EDITORA BRASIL 21 - REVISTA ISTO ÉCONTRATO / LINK D.O.VALOR
5.449 assinaturas Revista Isto É~ 15/0358/09/04 ~19/mai/20091.260.898,00
5.200 assinaturas da Revista Isto É~ 15/00548/10/04 ~27/mai/20101.203.280,00

TOTAL2.464.178,00


Quer outro exemplo de absurdo? Há um certo curso de idiomas que está acontecendo agora, outro projeto-piloto. A SEE-SP contratou algumas empresas particulares para fazer o que os professores da rede deveriam fazer: ensinar idiomas aos alunos estaduais. Mas como o projeto chama-se Programa de Aperfeiçoamento em Idiomas, fica parecendo que está tudo correto. Mas ele é muito estranho. Além de uma das empresas, a Multi Treinamento e Editora Ltda, estar em todo canto, pagam mais às empresas terceirizadas do que aos professores públicos. O NaMaria está pesquisando isso.



Viomundo — Da perspectiva de educação tem sentido a compra desse papelório?
NaMaria — Nem todas as compras parecem ter sentido. Sobretudo as feitas sem licitação, como aquelas das assinaturas de Veja, IstoÈ, Época, Folha, Estadão, El País e jornais do interior que mostrei no blog (aqui).



Há pedidos de informação na Assembleia. Há casos em investigação no Ministério Público de São Paulo. Mas não se sabe muita coisa, pois não publicam, demoram demais.



O fato é que o Tribunal de Contas aprova a maioria dessas compras sem ressalvas, julgam "regulares" e ponto. Quando ocorre o inverso, raras vezes, algo se passa que acabam bem da mesma forma, justificam-se as compras e tal. Mas como não temos acesso público às justificativas, sejam quais forem, a incógnita permanece.



Não há tanta transparência assim quanto dizem. Qual o sentido de se comprar só a Veja sendo que há a Carta Capital no mercado também? Por que apenas a Nova Escola se temos a Carta na Escola? Por que não licitar entre as editoras? Qual o sentido de gastar muitos milhões em Microsoft se há softwares livres ou outros que fazem o serviço melhor que os da Microsoft? Por que lançar um programa de venda de computadores para professores e nas máquinas estarem instalados o sistema operacional e as montanhas de tranqueiras da Microsoft que jamais serão usadas?



Ou seja: lançam um programa de "computadores mais baratos" e eles são de marca fornecedora da FDE há séculos (Positivo, por exemplo), com sistema operacional Microsoft e por aí vai. Por que criar apostilas cujos conteúdos são um tanto problemáticos, além de caríssimas, em vez de manter os livros aprovados pelo MEC e ao gosto do professor e seu currículo? Creio que estas e outras perguntas deveriam ser respondidas pelos professores e, logicamente, pelos alunos.



Viomundo — E a Globo onde entra nessas compras da FDE?
NaMaria — Via Fundação Roberto Marinho. Aí, há as apostilas do Telecurso, além dos cursos técnicos comprados pelo Estado. Ou através da Editora Globo, que vende livros, revistas… Pelo que achei até agora temos o pequeno valor de R$54.184.737,71 – entre os anos de 2005 e 2010. Bom, né?


FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO - TELECURSO etc.CONTRATO / LINK D.O.VALOR
Programa de Formação Técnica e Qualificação Profissional-CEETEPS~ Proc.3238/05-Contrato 245/05 ~ 30/dez/200517.882.398,00
Projeto TELECURSO TEC-Gestão de Pequenas Empresas, semipresencial, até 50 mil alunos~ 15/0356/08/04 - inicial ~10/abr/200818.021.962,00
Projeto TELECURSO TEC-Gestão de Pequenas Empresas, semipresencial, até 50 mil alunos~ 15/0356/08/04 -Aditamento 1 ~10/dez/20082.399.634,00
Projeto TELECURSO TEC-Gestão de Pequenas Empresas, semipresencial, até 50 mil alunos~ 15/0356/08/04 -Aditamento 2 ~30/abr/2010valor no DO??
Curso Técnico de Gestão de Pequenas Empresas-TelecursoTec (Ed.IBEP Gráfica)~15/0710/08/05 ~18/jul/20082.479.997,00
CEET Paula Souza - Aquisição de livros e kits de DVD's (Editora Gol)~ Proc.2340/10-Contrato113/10 ~18/mai/2010400.750,00
Publicações e DVD’s Novo Telecurso Ensino Fundamental (Editora Gol)~ 15/0514/09/05 ~26/ago/20094.000.000,00
Publicações e DVD’s Novo Telecurso Ensino Médio (Ed. IBEP Gráfica)~ 15/0533/09/05 ~29/ago/20098.999.994,71

TOTAL54.184.737,71

ED. GLOBO - REVISTAS ÉPOCA e GALILEUCONTRATO / LINK D.O.VALOR
5.449 assinaturas Revista Época~ 15/0354/09/04 ~21/mai/20091.190.061,60
5.200 assinaturas Revista Época~ 15/00546/10/04 ~11/jun/20101.202.968,00
18.284 assinaturas Revista Galileu - 2 exemplares/ classe de 4ª série e 4ª série PIC~15/0176/09/04 ~24/abr/20091.918.722,96

TOTAL4.311.752,56


Viomundo — Todas essas compras são feitas sem licitação, mesmo? Isso não seria irregular?
NaMaria — A maioria é sem licitação. A lei da inexigibilidade de licitação – artigo 25 inciso I, da Lei 8666/93, permite isso. A questão é que os contratos, mesmo sem licitação, e a respectivas justificativas deveriam estar no Diário Oficial. Pelo menos esses negócios ficariam mais transparentes. Mas isso não acontece na maioria dos casos. Como eu já disse: as outras secretarias até publicam no DO, a Educação, raramente. Estranho, não é?



Poderíamos pensar em "ilegalidade" já que frequentemente há similares no mercado. Mas isso não é respeitado ou considerado.



Por outro lado, como se explica a compra por licitação dos materiais do Telecurso da Fundação Roberto Marinho para as escolas técnicas e os supletivos? O NaMaria tratou disso (aqui). Por que fazer licitação para um material que somente a Fundação Roberto Marinho faz? Por que sempre entre as mesmas três gráficas licenciadas?



A gente tem de se esforçar e crer que são totalmente legais ou o mundo estaria perdido. Mas é preciso analisar mais profundamente. Por exemplo, há casos de licitações bastante estranhos. O certame para fazer "eventos" é um deles. Tudo indicava um ganhador, uma empresa campeã de contratos, a Objetiva, que é do Eduardo Graziano — irmão do Xico Graziano, funcionário público do governo FHC (assim como o irmão), e depois do Serra. A Objetiva sempre levava todas no mundo governamental, é muito influente.



Por mais que eu leia o DO, os editais e tudo mais, menos entendo esse caso. Nós publicamos no NaMaria o lançamento do edital em 18/agosto/2009 e contamos parte da história, baseada nos documentos oficiais. Apostamos na Objetiva, porque o histórico da empresa sugeria a vitória certa. Mas, no final ela perdeu. Publicamos novo texto com maiores levantamentos. Às vezes quem perde é mais empolgante do que quem ganha. Realmente foi algo "inexplicável", entende?



Os editais, quando há licitação e são dispostos ao público, mostram muito mais do que se imagina. As compras de software, sempre Microsoft, são impressionantes. Há especificações tão "específicas" que sugerem que são dirigidas.



Aliás, se lermos com atenção as entrelinhas desses "projetos", acompanharmos o que rezam os editais e conversarmos com professores e alunos, fica patente a filosofia da SEE-SP. Primeiro, vêm os "negócios", depois o planejamento.



Viomundo — E agora?
NaMaria — Estamos diante de uma situação, cada vez mais preocupante. Há, por exemplo, um grupo de fornecedores específicos que estão no estado há muito tempo. Mesmo com reclamações, multas, serviços péssimos, eles continuam. As empresas camaleão também estão presentes. Empresas que fazem negócios em nome de outras que foram de fato ganhadoras, também – é o caso das antenas parabólicas, do Alckmin, que tem no blog. Ou seja: há uma espécie de terceirização até nisso.



O fato é que, embora tenhamos dinheiro e profissionais para tornar a educação pública de São Paulo equivalente às melhores existentes no mundo, os "negócios" tornaram-na um lixo. É necessária uma devassa nos contratos da FDE e da SEE-SP. Quem vai fazer isso com isenção e seriedade necessárias? Lanço aqui no Viomundo este desafio.



sábado, 16 de outubro de 2010

79 falcatruas de Paulo Preto, o homem-bomba de Serra

79 FALCATRUAS DE PAULO PRETO, O HOMEM-BOMBA DE SERRA

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O ex-diretor de engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado de tráfico de influência, desvio de dinheiro público e improbidade administrativa, capitaneou algumas das principais obras do governo de José Serra. Ele foi o responsável pela medição e pagamentos a empreiteiras contratadas para construir o trecho sul do Rodoanel, pela expansão da avenida Jacu-Pêssego e pela reforma na Marginal Tietê.
No currículo do engenheiro constam 11 anos de serviços prestados ao PSDB. Trabalhou no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso como assessor especial da Presidência, no programa Brasil Empreendedor Rural. Assumiu a diretoria da Dersa em 2005, primeiro de Relações Institucionais e, depois, de Engenharia.
O ex-governador José Serra, após ter refrescado sua memória e reconhecido que, sim, sabia quem era Paulo Preto, fez questão de frisar que seu ex-funcionário havia recebido, em 2009, o prêmio Engenheiro do Ano, do Instituto de Engenharia.
Porém, o que Paulo Preto deixou para a população paulista foram obras repletas de irregularidades, que, inclusive, já ocasionaram a morte de duas pessoas.



Rodoanel



O trecho sul do Rodoanel custou R$ 5 bilhões e é alvo de suspeitas e denúncias de instituições fiscalizadoras como o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público, que apontam a obra como um gigantesco ninho de superfaturamento e irregularidades de todo tipo.
Essa obra teve seu processo de construção acelerado para uso na campanha eleitoral. Sem uma efetiva fiscalização por parte do Estado, houve ajustes frequentes de preços ao longo da execução, alteração nos materiais utilizados e no projeto da obra.
Pelo projeto básico, por exemplo, deveriam ser usadas fundações de concreto conhecidas como tubulões para sustentar os vãos livres dos viadutos do trecho sul do Rodoanel. Mas os construtores trocaram esse material por duas mil vigas pré-moldadas, mais baratas – como as que desabaram sobre a Rodovia Régis Bittencourt em 13 de novembro de 2009, poucas horas depois de instaladas, esmagando três veículos e ferindo três pessoas.
A troca de material usado na construção, contudo, foi apenas uma das 79 irregularidades classificadas como “graves” em relatório emitido pelo Tribunal de Contas da União, em 29 de setembro de 2009, com base em duas auditorias feitas em 2007 e 2008, nos cinco lotes da obra.
Até hoje, seis meses depois de inaugurado, o trecho sul segue com problemas. Além da ausência de barreiras e acessos, falta de sinalização, câmeras de monitoramento, telefones de emergência, sistema de drenagem. A questão da segurança foi negligenciada. Há também o problema da iluminação, que ainda é obtida através de geradores. Duas pessoas já morreram em acidentes agravados por esses problemas.



Nova Marginal



"Pode ser mortal", diz o engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em referência aos riscos de acidentes provocados pela falta de guardrails nas novas pistas da Marginal do Tietê, inauguradas há seis meses.
A chamada Nova Marginal Tietê foi entregue praticamente sem sinalização e monitoramento nas vias. A falta de faixas e placas confundiam os motoristas e os colocam em risco de acidentes.
O líder da Bancada do PT na Assembleia, deputado Antonio Mentor, inclusive conseguiu a anulação das multas aplicadas na Nova Marginal devido à falta de sinalização.
Os motoristas enfrentam ainda um outro problema na Nova Marginal, que é ausência de iluminação em alguns trechos. Até agora, o sistema foi instalado em apenas 12,9 dos 23 quilômetros.
Também faltam acessos. No Complexo do Tatuapé, por exemplo, falta mais uma ponte para o trânsito de veículos que saem da Avenida Salim Farah Maluf em direção às rodovias Castelo Branco ou Ayrton Senna. A previsão de entrega dessa ponte é somente para o final do ano.
Vale lembrar também que ao anunciar o projeto de construção da Nova Marginal, o governador José Serra disse que o custo seria de R$ 800 milhões. Depois a obra passou para R$ 1,3 bilhão e finalmente, foi anunciado que a obra vai custar R$ 1,9 bilhão, ou seja, 137% a mais do revelado inicialmente.



Jacu-Pêssego



O prolongamento da avenida Jacu-Pêssego se arrasta desde 1996. A previsão inicial era abrir para o tráfego junto com a inauguração do trecho sul do Rodoanel, em abril, mas foi adiada por várias vezes.
No final de setembro, o jornal O Estado de S. Paulo percorreu a obra, orçada em R$1,9 bilhão, e verificou que ainda não estava finalizada. Apesar de parte da sinalização já estar pintada no chão, não havia placas nem semáforos. No canteiro central, o cenário era de muitas pedras. A via também não tinha retornos e as entradas para outras avenidas não estavam prontas.
Também não havia faixa para pedestres e as duas passarelas estavam em construção. Por fim, a iluminação estava deficiente e, em alguns trechos, postes ainda estavam sendo instalados.
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Integrantes da festa de comemoração da eleição do Deputado estadual Celso Giglio (PSDB) espancam fiscais em Osasco


Imagens mostram agressão a fiscais em Osasco



Grupo atacou seis agentes de trânsito na cidade da Grande SP.
Eles levaram socos e pontapés enquanto multavam carros.


Câmeras de monitoramento de um posto de gasolina de Osasco, na Grande São Paulo, podem ajudar a polícia a identificar o grupo que agrediu seis agentes de trânsito no dia 6 deste mês. O crime ocorreu na Avenida dos Autonomistas, uma das principais da cidade, enquanto os funcionários multavam carros estacionados em local proibido. Os suspeitos da agressão participavam de uma festa em um comitê eleitoral.
Imagens também foram captadas do sistema de monitoramento de trânsito das ruas de Osasco. Dois dos agentes tiveram o nariz quebrado e um deles vai ter que passar por cirurgia. Os funcionários aplicavam multas em veículos que faziam fila dupla. As cenas vão ajudar a polícia na identificação dos agressores.
Elas mostram uma multidão partindo para cima dos fiscais de trânsito, que levam socos e chutes. Alguns caem no chão. "Foi um verdadeiro terror", disse Geraldo Silva, um dos agredidos.
Em nota, a assessoria de imprensa do deputado estadual eleito Celso Giglio (PSDB) informou que os envolvidos na agressão eram "penetras da festa" e que eles não têm envolvimento com o comitê ou o candidato.

Metade da PM de São Paulo já pode se aposentar pelo regime especial

Diário de São Paulo
Segurança -  07/10/2010 15h20

Cerca de 50 mil policiais seriam beneficiados pela mudança
Tahiane Stochero


Uma decisão inédita do Tribunal de Justiça (TJ) paulista está fazendo dezenas de policiais militares procurarem seus comandantes anunciando que irão passar para a reserva.
Isso porque um mandado de injunção  (texto que disciplina um assunto quando não há lei sobre o tema) concedeu ao sargento Eliseu Pessoa da Silva, do batalhão de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, o direito à aposentadoria especial, com salário integral, após 25 anos de serviço.
A medida, segundo apurou o DIÁRIO, afeta cerca de 50 mil policiais paulistas - metade do efetivo total da corporação do estado.
Atualmente, pela lei militar de 1970, os PMs do estado só podem se aposentar após 30 anos de farda. Após esta decisão, o cabo Daniel Coutinho, que serve em Campinas, também obteve o direito, segundo a advogada que os defendeu, Josiê Souza. "Eu percebi que a aposentadoria especial por riscos era um direito dos PMs. O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia se manifestado favorável em outros casos, como de policiais civis e de uma enfermeira", diz Josiê.
A briga judicial existe devido à falta de uma lei específica que discipline a aposentadoria especial dos servidores públicos. A Constituição de 1988 prevê o direito aos trabalhadores que atuam em situações de risco à saúde e exposição a produtos químicos, mas determinou que uma lei complementar fixasse as regras do benefício. Tal lei, porém, ainda não foi elaborada pelo governo federal.
"O policial militar ou civil, em razão da periculosidade do trabalho, já recebe adicional por portar arma e estar exposto ao risco de morte. Mas, diante da inércia da regulamentação sobre o direito exposto na Constituição, o STF decidiu que a  aposentadoria especial fosse aplicada também aos PMs", diz Marta Gueller, advogada especializada em previdência.
"No estado, a decisão diz que a aposentadoria deve ser requerida administrativamente e, se negada, a autoridade está passível de prisão por descumprir ordem judicial", acrescenta a advogada. A decisão vale para todos que já completaram 25 anos de serviço e quiserem se aposentar. O DIÁRIO apurou que, na PM, isso equivale a cerca de 50 mil policiais - metade do efetivo total da corporação.
Segundo o coronel Ernesto de Jesus Herrera, diretor financeiro da PM, o departamento de pessoal está negando todos os pedidos de aposentadoria especial. "A lei estadual 260  determina 30 anos para a inatividade do PM. Por ser militar, as regras são diferentes dos civis. Os policiais agora estão protocolando requerimentos nos batalhões, exigindo este direito", afirma Herrera.
Na intranet da corporação, o comandante-geral, coronel Alvaro Camilo, pediu que os PMs não entrassem com o pedido de inatividade e esperassem o "posicionamento oficial do Executivo". O Palácio dos Bandeirantes, que arcará com as despesas de um processo de demissão em massa na PM, disse que "a Procuradoria-Geral do Estado analisa o caso e irá se manifestar judicialmente.
Atividades que já ganharam o direito
Auxiliar de enfermagem.  
Policial civil 
Oficial de Justiça.
Delegado de polícia 
Operador de raio-x 
Servidores do Ministério da Agricultura
Técnicos da comissão de energia nuclear
Guarda civil
O que é aposentadoria especial?
Direito que o trabalhador tem de ir para inatividade remunerada após 15, 20 ou 25 anos de atuação sob condições insalubres ou de periculosidade. O benefício é analisado caso a caso e validado por um exame que comprova o emprego sob condições perigosas.

Reportagem telefonou seis vezes e enviou cinco e-mails para a assessoria. Recebeu uma mensagem com a seguinte afirmação: "Não há como responder".

Colaboraram LIGIA MESQUITA e MARCUS PRETO , de São Paulo
OUTRO LADOAssessoria da psicóloga não responde à Folha
DE SÃO PAULO
A assessoria da psicóloga Monica Serra, mulher de José Serra, não respondeu aos questionamentos feitos pela Folha a respeito do relato de suas ex-alunas.
Folha procurou Monica Serra pela primeira vez na manhã de anteontem. Segundo sua assessoria, ela havia viajado para o Chile e não seria possível localizá-la naquele momento.
Entre quinta-feira e ontem, a reportagem telefonou seis vezes e enviou cinco e-mails para a assessoria. Recebeu uma mensagem com a seguinte afirmação: "Não há como responder".

Mulher de Serra disse que fez aborto, afirmam ex-alunas (parte 2) - verdade ou mentira? armadilha?

Neste sábado o portal de notícias R7 divulgou em manchete e a Folha através da coluna de Monica Bergamo a informação de que a esposa de Serra, segundo suas ex-alunas, teria feito um aborto.

É possível que a própria campanha de José Serra esteja por trás desta informação. Há a possibilidade de que a campanha tucana esteja planejando desmentir tal informação e, com isso, danificar a reputação dos veículos que divulgaram a notícia; a internet também pode ser o alvo tucano: descredibilizando a internet, os grandes veículos de comunicação poderiam voltar a operar com força total durante a campanha eleitoral sem temerem o contraponto da rede de computadores.

É preciso muito cuidado neste momento.

 

Mulher de Serra disse que
fez aborto, afirmam ex-alunas

Candidato diz ser contra aborto por "valores cristãos" e é questionado por mulheres
Do R7
A mulher de José Serra, Monica Serra, disse que fez um aborto quando estava no exílio com o marido, segundo ex-alunas dela do curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A informação, publicada neste sábado (16) no jornal Folha de S.Paulo, é da colunista Mônica Bergamo.

O candidato tucano diz ser contra o aborto por "valores cristãos", que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias. Esse discurso é questionado por essas mulheres, segundo o jornal.

De acordo com a colunista, a publicação localizou uma ex-aluna de Monica, que confirmou a informação sob a condição de anonimato. Segundo essa professora de dança em Brasília, Monica disse ter feito o aborto por causa da ditadura.

Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher.

A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, mas não obteve retorno.

O jornal relata ainda que, um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo passado (10), a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, outra ex-aluna de Monica, postou uma mensagem em seu Facebook para deixar sua "indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema.
- Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética.

Ela escreveu, segundo a Folha, que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher". A colunista relata outro questionamento de Sheila: "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"
A reportagem do R7 procurou as assessorias de imprensa da campanha de José Serra e de sua mulher. Mas, em nenhum dos casos, obteve retorno. Foram deixadas mensagens nas caixas postais dos assessores às 10h14 e às 10h22, respectivamente.



Folha de S. Paulo - 16/10/2010 - Sábado
Leia a matéria abaixo reproduzida.
Assinante do jornal: clique aqui
Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna
Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por "valores cristãos", que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de "matar criancinhas".
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.

OUTRO LADO
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para "deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto". A mensagem foi replicada em outras páginas do site e em blogs.
"Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático", escreveu Sheila no Facebook. "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"
À Folha a bailarina diz que "confirma cem por cento" tudo o que escreveu. Sheila afirma que não é filiada a partido político. Diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, estará no Líbano, onde participará de performance de arte.
Se estivesse no Brasil, optaria por Dilma Rousseff (PT). Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).
Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar "preocupada" com a filha, mas afirma que a criou para "ser uma mulher livre" e que ela "agiu como cidadã".
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.
"Ela não confessou. Ela contou", diz Sheila Canevacci. "Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética."


Colaboraram LIGIA MESQUITA e MARCUS PRETO , de São Paulo
OUTRO LADO
Assessoria da psicóloga não responde à Folha

DE SÃO PAULO
A assessoria da psicóloga Monica Serra, mulher de José Serra, não respondeu aos questionamentos feitos pela Folha a respeito do relato de suas ex-alunas.
A Folha procurou Monica Serra pela primeira vez na manhã de anteontem. Segundo sua assessoria, ela havia viajado para o Chile e não seria possível localizá-la naquele momento.
Entre quinta-feira e ontem, a reportagem telefonou seis vezes e enviou cinco e-mails para a assessoria. Recebeu uma mensagem com a seguinte afirmação: "Não há como responder".

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Relações de Paulo Preto com Serra: enredo de contradições, mistério e ....muita grana de caixa 2

IstoÉ - Edição 2136 - 14/05/2010
O poderoso Paulo Preto - Parte 1
Desde que a candidata do PT, Dilma Rousseff, pronunciou o nome de Paulo Preto no debate realizado pela Rede Bandeirantes no domingo 10, Serra se viu envolvido em um enredo de contradições e mistério do qual vinha se esquivando desde agosto passado, quando ISTOÉ publicou denúncia segundo a qual o engenheiro Paulo Souza, ex-diretor da estatal Dersa na gestão tucana em São Paulo, era acusado por líderes do seu próprio partido de desaparecer com pelo menos R$ 4 milhões arrecadados de forma ilegal para a campanha eleitoral do PSDB.
O homem acusado pelo PSDB de dar sumiço em R$ 4 milhões da campanha tucana faz ameaças e passa a ser defendido por Serra.
Saiba mais
 
IstoÉ - Edição 2136 - 14/05/2010
Serra não explica o porquê da permanência de Paulo Preto à frente da estatal durante seu governo - Parte 2
Já Paulo Preto Dersa, na entrevista à “Folha”, fornece alguns dados importantes. O ex-diretor do Dersa disse que sempre criou as melhores condições para que houvesse aporte de recursos em campanhas, por ter feito os pagamentos em dia às empreiteiras terceirizadas que atuaram nas grandes obras de São Paulo, como o rodoanel, a avenida Jacu-Pêssego e a ampliação da Marginal. “Ninguém nesse governo deu condições de as empresas apoiarem mais recursos politicamente do que eu”, afirmou Paulo Preto.
De fato, Paulo Preto teve um peso enorme na gestão tucana em São Paulo. Os contratos administrados pelo engenheiro estavam entre as principais obras do País, somando R$ 6,5 bilhões. De acordo com relatório do TCU, obtido por ISTOÉ, o ex-diretor chegou a pagar às empreiteiras não apenas no prazo, mas também de maneira antecipada. Os auditores do tribunal recomendaram ajustes ao que consideram uma conduta indevida de Paulo Preto, pois sempre há o risco de as empresas receberem todo o pagamento sem garantias de cumprimento das obras.
Leia mais
 
CartaCapital - Edição - 14/05/2010
Quem é Paulo Preto - por Cynara Menezes
Aparece o factoide que sumiu com 4 milhões. Chama-se Paulo Preto e é velho colaborador de Serra e Aloysio Nunes Ferreira.
Numa eleição em que o jornalismo dito investigativo só atuou contra a candidata do governo, Dilma Rousseff serviu como “pauteira” para a imprensa. O pauteiro é quem indica quais reportagens devem ser feitas – e, se não fosse por causa de Dilma, Vieira de Souza nunca chegaria ao noticiário. Nos dias seguintes ao debate, finalmente jornais e tevês se preocuparam em escarafunchar, mesmo sem o ímpeto habitual quando se trata de denúncias a atingir a candidatura governista, um escândalo que envolvia o tucanato. A acusação contra Vieira de Souza, vulgo “Paulo Preto” ou “Negão”, apareceu pela primeira vez em agosto, na revista IstoÉ.
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CartaCapital - Edição - 14/05/2010
Pandora inesgotável - Sérgio Guerra e Agripino Maia no meio da corrupção do Distrito Federal - por Leandro Fortes
As investigações sobre a Máfia Demo-tucana que atuava no governo Arruda no Distrito Federal prosseguem. Na mira da PF, os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Sérgio Guerra (PSDB-PE).
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E agora, Malafaia?


O Provocador

Marco Antonio Araujo


Nesse show de horror que se tornou nossa campanha eleitoral, descobri um oportunista no altar. O nome do cidadão é Silas Malafaia e comanda o horário eleitoral, ops, religioso das madrugadas da Band.
Nesta semana, com sua camisa emprestada do Britto Jr., o pastor conclamou seus fiéis a votarem em José Serra porque o candidato do PSDB seria contra a união dos homossexuais, ao contrário do PT.
Acompanhe um trecho editado da pregação, vale a pena:





Sob o manto da Band, na calada da noite, o homem aparece esbravejando ignorância e preconceito. Desculpe, mas se tivesse um pouco de juízo, ele deveria maneirar.
E se vivêssemos em um país com Justiça Eleitoral, alguém mandaria o tal cristão calar a boca. Ele faz propaganda com uma cara mais dura do que badalo de catedral.
Declarou voto em José Serra, esgrimindo os argumentos mais toscos e tenebrosos.
Jogou na fogueira Dilma e o PT, para das cinzas desses pecadores ungir o motivo celestial de sua opção partidária: repito, a candidata de Lula apoiaria os direitos dos homossexuais e o Serra, não.
Depois de abençoar a todos nós com o que bem entendeu, deixou claro em seu obscuro raciocínio que Serra é "o mais preparado" para dirigir este país. Amém.
E ontem, dia 14, o que é que vimos em todos os jornais? O candidato do PSDB reiterando seu apoio incondicional à união estável entre homossexuais.
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E agora, Malafaia? Vai exorcizar a democracia? Vai condenar às trevas o rebanho que te sobrou?
Deus é Pai!

"Este é um problema meu, como governador. Não tenho de dar explicações, nem a você (repórter), nem a ninguém." - Diz Goldman (vice de Serra em SP) sobre Paulo Preto



“O Luiz Carlos Azenha postou, agora há pouco, a matéria da Record – na Globo isso não é assunto – sobre o caso “Paulo Preto” – Paulo Vieira de Souza, o ex-responsável pelas obras do Rodoanel, acusado pelos próprios dirigentes tucanos de ter se apropriado de R$ 4 milhões recolhidos como “caixa-2″ para a campanha de Serra.
É inacreditável a desfaçatez do ex-vice de Serra e atual governador de São Paulo, Alberto Goldman, sobre as razões para a demissão de Paulo Preto do Dersa, oito dias depois da inauguração:
- Este é um problema meu, como governador. Não tenho de dar explicações, nem a você (repórter), nem a ninguém.
Então está bem. A população não tem o direito de saber das razões do senhor Goldman, mas tem de ouvir, logo a seguir, o senhor Sérgio Guerra dizer que se trata de uma conspiração.
E amanhã, será que os nossos jornais terão ido à Rua Dr. Eduardo Souza Aranha, 255, onde o sr. Paulo teria um apartamento de luxo. Ou ao Detran, para saber se ele tem um Jaguar blindado. Ou à polícia, para saber do bracelete que teria procurado avaliar para comprar e que era roubado.
Aliás, as declarações de bens do senhor Paulo Vieira são, como as de todos os funcionários que exercem cargo comissionado, não são cobertas pelo sigilo legal."

PT acusa Paulo Souza de tráfico de influência quando Serra era governador em São Paulo

Tatiana Farah
SÃO PAULO - Alvo do último debate , quando a candidata do PT, Dilma Rousseff, o acusou de ficar com R$ 4 milhões da campanha tucana, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, é acusado agora pelo PT de tráfico de influência em sua gestão no governo de São Paulo, quando o governador era o candidato José Serra (PSDB). A bancada do PT na Assembleia Legislativa acusou a filha de Paulo Souza, a advogada Priscilla Arana de Souza Zahan, de representar empreiteiras que tinham negócios com a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário SA) quando seu pai era diretor da empresa pública, entre 2006 e este ano. Entre os negócios está o Rodoanel, uma das vitrines da campanha tucana.
Segundo documentos do TCU, Priscila é uma das advogadas constituídas no processo 011.868/2007-6, que analisou as contas da construção do Trecho Sul do Rodoanel. Feita em parceria com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a obra da Dersa foi denunciada pela auditoria da Fiscobras 2007 de diversas irregularidades, entre elas sobrepreço e repasse de R$ 32 milhões do Ministério dos Transportes além do contrato inicial.
Priscila é advogada do escritório Edgar Leite Advogados Associados desde 2006, segundo a denúncia feita nesta quarta-feira. Paulo Souza foi diretor de dois setores na Dersa. Primeiro, assumiu a área de Relações Institucionais e, em 2007, foi nomeado diretor de Engenharia, sendo responsável pelo pagamento às construtoras e fiscalização das obras. Ele deixou o governo seis dias depois da saída de José Serra para concorrer à Presidência.
Com cerca de 500 páginas de documentos, entre contratos e publicações do Diário Oficial e dos jornais, a bancada petista pede a abertura de um processo de improbidade administrativa contra Paulo Souza e Serra.
Paulo Souza, por meio de seu advogado, José Luiz de Oliveira Lima, negou que Priscila tenha trabalhado para a Dersa, mas não respondeu sobre a acusação de que ela trabalhe para as empreiteiras contratadas. Para o advogado, não haveria "impedimento legal" para que a advogada atuasse em contratos com o governo.

Privatizações

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Memórias do Saqueio: como o patrimônio construído com o trabalho e os impostos do povo paulista foi vendido
 
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