Serra afirmou que, se eleito, vai tratar todos da mesma maneira independentemente da filiação partidária
Foto: ObritoNews/Cacalos Garrastazu /Divulgação
O candidato à presidência da República, José Serra (PSDB), demonstrou irritação na tarde desta quarta-feira (13), em Porto Alegre (RS), ao ser novamente questionado por jornalistas sobre o caso do ex-assessor Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Na saída de uma reunião que manteve com o candidato derrotado do PMDB ao governo, José Fogaça, Serra disse que não tinha nada para comentar a respeito do caso do assessor. "Considero um preconceito odiento (sic) se referirem a uma pessoa com este apelido", declarou o candidato. Questionado sobre o que o levou a negar, inicialmente, que conhecia o assessor, ele justificou dizendo que havia sido perguntado pelo apelido.
FLAVIA BEMFICA
Direto de Porto Alegre
Segundo Serra, não houve desvio de dinheiro em sua campanha. "A Dilma (Rousseff, do PT) está preocupada com o desvio de dinheiro na minha campanha, o que não aconteceu. Eu já estou preocupado com o desvio de dinheiro na Casa Civil". Em seguida, Serra começou a criticar a imprensa e o jornalista Sérgio Bueno do Valor Econômico que havia feito a pergunta. "Eu sei que no caso vocês não têm interesse na Casa Civil, naquilo que foi desviado e etc. O seu jornal pelo menos não tem".
Após as declarações, uma das assessoras de Serra encerrou a conversa. Fogaça, que estava ao lado do candidato, fez um comentário diretamente para Serra, ao que ele respondeu em voz alta. "Mas o Valor também é meio assim (gesticulou). Não é só ele (o jornalista), não". Depois do comentário de Serra, o jornalista disse: "isso é preconceito, candidato". Ao que Serra respondeu: "não é preconceito. Vocês fazem manchete para o PT botar no horário eleitoral".
Antes do encontro com Fogaça, que aconteceu na antiga casa de campanha do candidato do PMDB, no bairro Bela Vista, Serra havia feito um discurso defendendo a liberdade de imprensa junto a apoiadores no Hotel Everest. Durante o evento, o tucano se esquivou de todas as perguntas sobre o ex-assessor.
"Para nós, liberdade e democracia não são instrumento de retórica e a liberdade de imprensa é indispensável. Eu reclamo da imprensa às vezes, mas vou lutar até a morte para que sejam livres no que dizem. Democracia é respeitar aqueles que não estão de acordo".
Crítico do inchaço da máquina, tucano aposta na iniciativa privada para administrar
Thiago Faria, do R7
Enquanto o candidato José Serra (PSDB) torna a crítica ao inchaço da máquina pública e o loteamento de cargos no governo federal uma das bandeiras de campanha, a administração do tucano em São Paulo teve como uma de suas marcas as terceirizações. De acordo com dados do Sisgeo (sistema de gerenciamento do orçamento paulista), despesas com contratações de serviços que poderiam ser feitos por servidores do governo, mas foram repassados a terceiros, como limpeza, segurança, vigilância, além de repasses a entidades conveniadas, cresceram 40% de 2006 a 2009.
Julia Chequer/R7
Em sabatina no R7, tucano disse que vai acabar com inchaço da máquina
Questionado sobre as tercerizações, em sabatina ao R7, na última quinta-feira, o candidato tucano preferiu dizer que, se eleito, vai combater o inchaço da máquina acabando com "desperdícios". Ele admitiu que na esfera federal há funcionários demais, mas aponta que o problema está nos cargos comissionados (que não precisam de concursos), e não nos funcionários públicos. Serra afirmou que abriu 110 mil vagas em concursos no Estado, quando governou São Paulo.
Essa marca da administração tucana de optar por repassar a terceiros funções que antes eram exercidas pelo Estado foi sentida logo que Serra sentou na cadeira de governador, em 2007. Em seu segundo dia de mandato, o tucano assinou um decreto determinando o enxugamento em 15% os gastos com funcionários em cargos de comissão ou função de confiança. Atualmente, dos quase 450 mil funcionários do governo, apenas 6.239 (1,4%) são comissionados.
Já o gasto com terceirizações só cresceu. Em 2006 – último ano da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) – o governo gastou R$ 7,95 bilhões. No ano seguinte, primeiro de Serra no Palácio dos Bandeirantes, o valor saltou para R$ 8,53 bilhões, com altas sucessivas nos anos seguintes: R$ 9,61 bilhões em 2008 e R$ 10,26 bilhões em 2009. Serra deixou o governo em abril deste ano para disputar a Presidência.
Para fazer o cálculo, foram considerados todos os serviços que seriam de responsabilidade do Estado e os que ele paga alguém (empresas) para fazer. Além dos serviços já citados, também entram na conta repasses a organizações sociais, como as que administram hospitais públicos, a entidades de assistência a presos e também as terceirizações de leitos, ou seja, quando o governo paga uma espécie de aluguel a um hospital privado por internações de pacientes.
Solicitado pelo R7, o governo não informou um valor oficial destes gastos, nem quantos empregados terceirizados prestam serviço para o Estado atualmente. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Gestão afirma não haver um controle, pois as contratações são referentes a serviços e quem decide se vai usar uma ou cem pessoas para realizá-los são as próprias empresas contratadas.
Governo federal
Em eventual vitória em outubro, Serra não deve encontrar obstáculos caso queira adotar seu modo de administrar no governo federal. De acordo com Jorge Kayano, pesquisador do Instituto Pólis, as terceirizações, embora criticadas, são cada vez mais adotadas como forma de gestão.
- Há toda uma polêmica em cima de modelos de gestão, mas, no fundo, a procura é por modelos que sejam alternativos ao modelo da administração direta, que é considerado ultrapassado, mas ao mesmo tempo ainda é dominante na administração pública.
Professor de gestão pública da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Carlos Raul Etulain diz que a terceirização da administração pública é uma alternativa viável para suprir demandas sociais que o Estado não dá conta, mas que é preciso tomar cuidado.
- Essas alternativas, desde que sejam transparentes e bem geridas, são viáveis. Mas é importante lembrar que não existe só um modelo, mas vários que vão se adaptando de acordo com as necessidades de cada setor e de cada demanda. Entretanto, em todos devem ser exigidos a transparência, única forma de se evitar a corrupção.
O problema, ressalta Kayano, é que repassar serviços essenciais à população para a iniciativa privada, como o atendimento na saúde, representa um reconhecimento de que o Estado é incapaz de realizar aquele tipo de serviço.
- O autorreconhecimento de falência ou incapacidade de gestão é um problema do ponto de vista da administração publica, porque se alguém reconhece a sua incapacidade, nem deveria estar lá.
O texto publicado abaixo mostra o caminho de um dos emails caluniosos contra Dilma Rousseff. O referido email, segundo pesquisa realizada pelo jornalista Tony Chastinet, teria partido de um site mantido pela extrema-direita – www.tribunanacional.com.br. Entre os responsáveis pelo registro do site, aparece Zoltan Nassif Korontai. O texto diz que Korontai seria também o responsável por um outro site chamado www.projetovendabrasil.com.br. E, de fato, quando se digita “projeto venda brasil + Korontai”, o Google traz a página, com a informação “página pessoal de Zoltan Nassif Korontai”.
No entanto, acabo de receber mensagem do senhor Evandro Kuhnen, que aponta imprecisão nessa afirmação. Segundo ele, o www.projetovendabrasil.com.br não tem qualquer ligação com Zoltan Korontai, nem com as campanhas difamatórias das últimas semanas:
“Zoltan Nassif Korontai não é administrador do site, muito menos do projeto, quiçá tem participação na empresa que administra o mesmo. Ele na verdade é um dos muitos clientes e que pode ter utilizado o sistema de mala direta para encaminhar algum e-mail recebido com este teor. Sendo assim, o senhor também menciona Frederich Resende, responsável pelo desenvolvimento do site, o que não lhe implica nenhuma responsabilidade sobre as calunias.”
Por esse motivo, retiro nesse momento os parágrafos do texto que faziam referência ao sitewww.projetovendabrasil.com.br.
(Rodrigo Vianna)
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ESCLARECIMENTO IMPORTANTE 2:
Agora na parte da noite fiquei ciente da matéria que consta meu nome dizendo que sou responsável pelo site. www.tribunanacional.com.br, na verdade eu prestava serviço de hospedagem para esse site. Na época que peguei o site para hospedar acabei deixando no registro.br meu ID como técnico, mas todas as matérias divulgadas no site é de Inteira responsabilidade de “Ingo Schmidt” o site foi transferido para locaweb e pelo que sei ele tiraram do ar. Já fiz a alteração do ID técnico do site www.tribunanacional.com.br para me desvincular totalmente. Rodrigo peço que por favor me desvincule da noticia divulgada no seu blog. Muito Obrigado pela compreensão
Zoltan Nassif Korontai
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Não é difícil rastrear os caminhos da boataria que atingiu Dilma Rousseff, poucas semanas antes do primeiro turno. A campanha do PT parece não ter levado a sério a ameaça. E a boataria e as calúnias prosseguem.
O jornalista Tony Chastinet – colega com quem tive o prazer de dividir o prêmio Vladimir Herzog em 2007, e com quem produzi a série de reportagens sobre as centrais clandestinas de tortura durante a ditadura – fez um levantamento minucioso sobre a origem de um desses e-mails caluniosos. Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas.
Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita. Gente com nome, sobrenome e endereço. Confiram…
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O CAMINHO DA CALÚNIA
por Tony Chastinet
Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.
Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site www.tribunanacional.com.br.
Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste linkhttp://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.
O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.
Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).
Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.
Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.
Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.
No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.
“Monica Serra já fez um aborto e sou solidária à sua dor”, afirma ex-aluna da mulher do presidenciável Serra
O silêncio do candidato Serra diante da reclamação formulada pela adversária, Dilma Rousseff (PT) – de que fora acusada pela mulher dele, a ex-bailarina e psicoterapeuta Sylvia Monica Allende Serra, de “matar criancinhas” –, causou indignação em Sheila Canevacci Ribeiro, a ponto de levá-la até sua página em uma rede social, onde escreveu um desabafo que tende a abalar o argumento do postulante ao Palácio do Planalto acerca do tema que divide o país, no segundo turno das eleições.
A coreógrafa Sheila Ribeiro relata, em um depoimento emocionado, que a ex-professora do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Monica Serra relatou às alunas da turma de 1992, em sala de aula, que foi levada a fazer um aborto “no quarto mês de gravidez”.
Ex-alunas de Monica Serra confirmam relato sobre aborto
Colega de Sheila Ribeiro, a professora de Dança de um instituto federal de Brasília, que preferiu não ter o seu nome citado “por medo do que essa gente pode fazer”, afirmou, lembra que no primeiro semestre de 1992, no segundo período que cursava na Unicamp, o depoimento de Monica Serra a impressionou. Ela estava sentada no chão em uma sala de dança, onde não há móveis e apenas um grande espelho e a barra de exercícios, ao lado das colegas Kátia Figueiredo, que mora atualmente na Suécia, Ana Carla Bianchi, Ana Carolina Melchert e Érika Sitrângulo Brandeburgo, entre outras estudantes, residentes aqui no país.
– Eu confirmo aqui o depoimento da Sheila Ribeiro. Foi aquilo mesmo. A professora Monica Serra nos relatou que havia feito um aborto em um período difícil da vida do casal, durante a ditadura militar. Foi um fato tocante, que marcou a todas nós.
Lembro-me que o assunto surgiu quando ela falava sobre a dissociação do corpo e a imagem corporal, que até hoje dirige meu comportamento – disse.
Confira abaixo matéria do Jornal da Record sobre Paulo "Preto", o homem-bomba tucano, conforme definiu a própria Veja Online.
A reação dos tucanos Alberto Goldman e Sérgio Guerra explicam o perigo que Paulo "Preto" representa para os "esquemas" tucanos no Estado de SP e no Brasil.
Conforme a própria reportagem da Record mostrou, as ligações de Paulo "Preto" com recursos de "caixa dois" e propinas são bem anteriores a esta última denúncia.
Na operação "Castelo de Areia", deflagrada pela Polícia Federal para investigar obras públicas superfaturadas e doações ilegais de campanha, Paulo "Preto" já aparece citado, recebendo mais de R$ 1,6 milhão referente a "acertos".
Diante do caso Paulo "Preto", o candidato Serra mudou de atitude três vezes sobre o assunto em três dias.
Primeiro, perguntado no debate da Band, preferiu "fugir" do tema.
Depois, perguntado em comício em Goiás, disse que não conhecia Paulo "Preto".
Finalmente, depois que Paulo "Preto" deu entrevista à Folha de SP ameaçando o candidato Serra, o mesmo mudou mais uma vez de posição e saiu em defesa de "Preto".
Serra diz que são factóides da imprensa. Cabe lembrar que a denúncia partiu de Eduardo Jorge (vice presidente nacional do PSDB), Evandro Lossaco (Tesoureiro Adjunto do PSDB) e José Anibal (deputado federal do PSDB e ex- lider do partido no Congresso).
Em quem confiar no PSDB?
A grande mídia tem que investigar a fundo o assunto.
O país deve saber quem fala a verdade: o candidato a presidente do PSDB ou diversas lideranças políticas do partido.
“Não sei quem é Paulo Preto; é um factóide”, diz Serra em GO
O candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, disse na tarde desta segunda-feira (11), em Goiânia, que desconhece Paulo Vieira de Souza, ex-diretor do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) na gestão tucana em São Paulo (conhecido como Paulo Preto), que teria sumido com R$ 4 milhões de campanha eleitoral – questionamento feito pela candidata petista Dilma Rousseff neste domingo (10) em debate promovido pela Rede Bandeirantes .
“Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factóide criado para que vocês (imprensa) fiquem perguntando”. Serra disse ainda que não iria gastar horas de um debate nacional discutindo “bobagens”.
Citado por petista em debate por suposto caixa 2, engenheiro exige que candidata mostre provas e que tucanos o defendam
“Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”, afirma ele a dirigentes do PSDB
ANDRÉA MICHAEL
DE SÃO PAULO
Citado pela candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) como o homem que “fugiu” com R$ 4 milhões da campanha de José Serra (PSDB), o ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, cobrou em entrevista à Folha que a petista apresente provas e que o tucano o defenda.
Paulo Preto, como o ex-executivo da empresa estatal é conhecido, disse que todas as suas “atitudes” foram informadas a Serra. Por isso, afirma, o tucano deveria responder às acusações que ele vem sofrendo.
“Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder [...] Acho um absurdo não ter resposta, porque quem cala consente”.
No domingo, Paulo Preto foi citado por Dilma durante o debate da TV Bandeirantes para atacar Serra. A petista disse que o rival deveria “se lembrar” de “seu asses sor que fugiu com R$ 4 milhões, dinheiro da sua campanha”
As denúncias contra o ex-executivo foram publicadas inicialmente pela “IstoÉ”. Segundo a revista, tucanos relataram que Preto teria arrecadado a quantia, não declarada pelo PSDB. Tanto Preto quando o partido negam.
Apesar de cobrar explicações de Dilma, o ex-diretor afirma que não vai processá-la. “Ela foi pautada por falsas informações publicadas.”
Por meio de sua assessoria, Dilma disse que as referências feitas por ela foram publicadas pela imprensa e são de conhecimento público. A assessoria de Serra não respondeu a recado deixado no início da noite de ontem. Inconformado por ter sido retirado da direção da Dersa, segundo diz, por ex-colegas do governo de São Paulo, ele manda um recado para antigos companheiros:
“Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”.
Autodeclarado arrogante, o engenheiro nega ter arrecadado recursos para o partido, mas diz que criou as melhores condições para que houvesse aporte de recursos em campanhas.
Isso porque, diz ele, deu a palavra final e fez os pagamentos no prazo às empreiteiras que atuaram nas grandes obras de São Paulo, como o Rodoanel, a avenida Jacu-Pêssego e a ampliação da Marginal.
“Ninguém nesse governo deu condições das empresas apoiarem [sic] mais recursos politicamente do que eu [...]“
Ultramaratonista, ele renega o apelido Paulo Preto e diz que, desde criança, sabia o que seria na vida: “rico”.
O engenheiro reafirma sua amizade pelo senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes (PSDB), de quem foi assessor durante o governo FHC. Aloysio informou que não irá se pronunciar.
Preto virou réu em ação penal depois de mandar avaliar um bracelete de diamantes comprado sem nota fiscal. A joia havia sido furtada.
À Folha, ele afirma que foi vítima de uma armação política por trás do ev ento. “Armaram e eu caí, tudo bem. Mas esse negócio de caixa dois, isso não.”
Para os "marinistas" incautos, a corrupção no estado de SP "corre solta", conforme já destacamos em outro artigo ("Mar de lama em SP"). Neste relatório de escândalos pouco investigados pela grande imprensa, encontram-se 19 casos.
Um deles, refere-se ao esquema de "caixa dois" dos tucanos paulistas, operado por Paulo "Preto", diretor do DERSA, responsável pelas obras do Rodoanel e da Marginal Tietê (vitrines eleitorais de Serra) e amigo pessoal de Aloísio Nunes (secretário da Casa Civil do governo Serra).
Paulo "Preto" teria arrecadado R$ 4 milhões das empreiteiras que fazem as obras do Rodoanel e da Marginal Tietê, antes do período eleitoral. Este dinheiro, portanto, seria do famoso "caixa 2". Mais ainda, segundo denúncia dos próprios tucanos, Paulo "Preto" teria embolsado este valor.
Paulo "Preto" foi exonerado do governo uma semana depois da inauguração do Rodoanel.
Apresentamos esta denúncia, feita pela Revista Isto É e pelo site Veja Online em 23 de maio deste ano. A grande imprensa preferiu não repercutir e aprofundar a investigação sobre o assunto.
Mais de quatro meses depois, quando o tema volta ao debate eleitoral, os tucanos ainda não conseguem apresentar defesa consistente.
No debate da TV Bandeirante, Serra preferiu não comentar o assunto. Aloísio Nunes (senador eleito por SP), presente ao debate, preferiu se retirar da platéia. Depois, em comício em Goiás, Serra disse não conhecer Paulo "Preto".
De duas uma:
Se não conhece, não tinha o menor controle sobre seu governo, já que Paulo "Preto" comandou as principais obras de seu governo e é amigo pessoal de seu "braço direito" (Aloísio Nunes).
Se conhece, então "mentiu".
O escândalo é sério e, talvez, um dos maiores testes para a imprensa brasileira.
Ela deve provar se é "livre e independente" ou se é apenas "livre". Os antecedentes, por enquanto, indicam a segunda opção.
Prefeitura diz que há recursos de secretarias destinados a ações nas regionais
A proposta orçamentária da Prefeitura de São Paulo para 2011 prevê reduzir verbas de subprefeituras localizadas em regiões pobres da capital. Por outro lado, áreas com moradores de maior renda média devem receber mais dinheiro, segundo o projeto de lei 444, entregue pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal no final do mês passado.
Agora os vereadores devem propor alterações ao orçamento, que traz uma previsão de quanto e como a prefeitura vai gastar no ano que vem. O projeto de lei deve ser votado e aprovado até o final deste ano. O valor da proposta orçamentária teve um aumento de 24,5% em relação ao projeto aprovado neste ano pela Câmara – de R$ 27,8 bilhões para R$ 34,6 bilhões. Apesar disso, as subprefeituras como um todo vêm perdendo dinheiro desde 2009.
As 31 subprefeituras da capital receberam R$ 1,2 bilhão em 2009. Neste ano, esse valor passou para R$ 898 milhões - queda de 22,69%. Em 2011, a prefeitura propõe mais uma redução. Dessa vez, de 1,59%, o que representa mais de R$ 4 milhões.
As subprefeituras com a população mais pobre, localizadas na periferia da capital, foram as que mais perderam. A reportagem do R7 cruzou os dados da proposta orçamentária com a renda média por morador das áreas das subprefeituras, segundo levantamento da ONG Rede Nossa São Paulo baseado em dados do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).
Das 12 subprefeituras em que o ganho médio mensal é inferior a R$ 1.000, nove perderam verba em relação a 2010. Uma delas é a de M'Boi Mirim (zona sul), que deve perder um quarto do orçamento, segundo a proposta da prefeitura. A região recebeu R$ 38,7 milhões neste ano, mas, para 2011, a prefeitura quer destinar R$ 29,2 milhões - valor gasto pela subprefeitura de janeiro a setembro.
Outra região que perdeu dinheiro foi a de São Miguel Paulista (zona leste), onde está localizado o Jardim Romano, região que enfrenta graves problemas de alagamento. Houve perda de 0,1% na verba dessa subprefeitura (R$ 23 mil). A perda é maior se considerada a inflação - no acumulado dos últimos 12 meses até setembro, o índice oficial do governo registrou aumento de 4,7%.
Na outra ponta, das oito subprefeituras que têm renda média superior a R$ 1.500, a prefeitura quer aumentar a verba de cinco delas. A região de Pinheiros, que abrange algumas das regiões mais nobres da cidade, como os Jardins, receberá mais 18,3% de verba em relação a 2010, segundo o projeto de lei. Neste ano, o orçamento é de R$ 25,4 milhões, enquanto que a proposta para 2011 é de R$ 30,1 milhões.
A professora Odete Medauar, titular de direito administrativo da faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), diz não ver lógica na tentativa de tirar dinheiro das regiões mais pobres. Para ela, que é especialista em direito público, as classes sociais mais altas dependem menos do governo, logo, não seria necessário investir mais nessas regiões.
- Eu não vejo sentido para isso. Está na Constituição Federal que um dos objetivos do Estado brasileiro é atenuar ou suprimir as desigualdades. Um dos papéis do poder público é fazer essa diferença ficar cada vez menor.
O economista Cícero Liberal Yagi, da Rede Nossa São Paulo, concorda com Odete, mas ressalva que ainda dá tempo de os vereadores alterarem o orçamento. A proposta da prefeitura deve ser apreciada pelo parlamento ainda neste ano.
O líder da bancada petista na Câmara, José Américo, disse em entrevista ao R7 que vai articular para evitar que a proposta orçamentária seja aprovada com essas reduções nas regiões mais pobres. Américo qualificou as alterações como um “Robin Hood ao contrário” – ao invés de tirar dinheiro dos ricos, como o personagem da literatura, a prefeitura tiraria dos mais pobres.
Outro lado Procurada pela reportagem, a Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento) afirma que houve um aumento geral de 12% na verba destinada para as subprefeituras.
O R7, no entanto, chegou a outros números. Fazendo a soma do aprovado no orçamento de 2010 para as 31 subprefeituras, o valor total é de R$ 898.429.957, enquanto que a mesma conta na proposta para 2011 dá R$ 884.108.349 - diminuição de 1,59%. A reportagem mandou um e-mail com esses dados para a Sempla, mas não houve resposta até a publicação desta matéria.
Na mesma nota, a pasta ressalta que "há recursos alocados em outras secretarias que são destinadas às ações nas subprefeituras".