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sábado, 11 de setembro de 2010

Imprensa em Silêncio: Empresa de filha de Serra expôs dados de 60 milhões de brasileiros, revela revista

Decidir.com, que se dedicava a encontrar a “oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”, contou com silêncio de BC, Banco do Brasil e Ministério da Fazenda


Publicado em 11/09/2010, 10:50
Última atualização às 11:06

São Paulo – Durante 20 dias, os dados fiscais de 60 milhões de brasileiros ficaram expostos à visitação pública na internet. Foi em janeiro de 2001, graças à ação da Decidir.com, empresa que tinha entre os sócios Verônica Serra, hoje promovida a ponto central da campanha do pai, José Serra, devido à violação de seu sigilo.
A revista Carta Capital deste fim de semana revela, na reportagem Sinais trocados, o intrincado episódio, que ficou sem resposta do Banco Central e do Ministério da Fazenda, ambos sob controle do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. O presidente da Câmara naquele momento, Michel Temer (PMDB), pediu em vão ao presidente do BC, Armínio Fraga, que explicasse a violação, que permitiu também o acesso dos dados do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF).
O jornal Folha de S. Paulo chegou a falar sobre o caso, mas sem citar Verônica Serra e sua sócia, Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, e sem dar sequência aos fatos. De acordo com a reportagem de Leandro Fortes, levar adiante outra investigação envolvendo Serra, que já figurava em uma apuração sobre desvio de dinheiro das privatizações, poderia enterrar as pretensões do tucano de ser candidato à Presidência no ano seguinte – daí o silêncio dos meios de comunicação de grande circulação.

Decidir.com

A Decidir.com teria obtido acesso aos dados de milhões de brasileiros graças a uma operação inexplicada com o Banco do Brasil, também sob a presidência de um tucano, Paolo Zaghen. A empresa, inativa desde 2002 no país, dedicava-se supostamente a “orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas”. Mas, na própria página da corporação, havia outra explicação: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado.” Nas palavras de Leandro Fortes, tratava-se de um balcão facilitador montado nos Estados Unidos tendo como sócias a filha do então ministro da Saúde e a irmã de um banqueiro que participou ativamente das privatizações do governo FHC.
De acordo com o livro Os porões da privataria, que será lançado em 2011 pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., a Decidir.com foi financiada basicamente pelo Banco Opportunity, de Dantas, e rapidamente transferiu sua sede e parte de seu patrimônio, de R$ 10 milhões, para um paraíso fiscal. As duas Verônicas, Dantas e Serra, decidiram deixar a “empresa-camaleão” em março de 2001. Durante, portanto, a “operação-abafa” feita em torno do caso.

Leia a matéria completa: 
http://issuu.com/sejadverdade/docs/carta_capital

Liminar do TST ameniza, mas não muda condenação de Shell e Basf por crime em Paulínia

Condenadas a pagar R$ 1,1 bilhão pelo tratamento médico das vítimas de contaminação, empresas conseguiram, provisoriamente, reduzir o valor para R$ 100 milhões. Como não houve julgamento do mérito, está mantida a condenação
Publicado em 10/09/2010, 18:34
São Paulo – O Tribunal Superior do Trabalho (TST) concedeu, na quinta-feira (9), benefícios processuais às empresas Shell e Basf. Uma liminar, assinada pelo presidente do tribunal, ministro Milton de Moura França, reduz de R$ 1,1 bilhão para R$ 100 milhões o valor a ser pago pelas empresas para custear  tratamentos médicos e indenizações a ex-trabalhadores da fábrica que produziu agrotóxicos em Paulínia (SP). O caso ocorreu de 1974 a 2002 e, desde então, se arrasta na Justiça.
Na prática, a redução não afeta as decisões anteriores. "Como não houve julgamento do mérito da questão, está mantida a condenação", explica Vinícius Cascone, advogado da Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq) formada pelos ex-trabalhadores da Shell/Basf. "A mudança é que, como o valor da ação foi provisoriamente reduzido, a multa em caso de recurso pelas empresas fica proporcionalmente menor”, pontua. Ele considera normal a decisão das empresas de recorrer, independentemente dos valores. O caso só será encerrado depois de o plenário do TST julgar o mérito da questão.
Em agosto passado, a Justiça do Trabalho de Paulínia condenou as indústrias a pagar, desde então, o tratamento médico de todos os ex-trabalhadores. A decisão determinou que cada ex-trabalhador e cada um dos filhos recebam R$ 64,5 mil, valor calculado com base nos gastos médios que os trabalhadores tiveram durante o período em que a ação tramitou.
Ambas foram condenadas também ao pagamento de indenização por danos morais causados à coletividade, no valor de R$ 622,2 milhões com juros e correção, revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Para o ex-trabalhador Antonio de Marco Rasteiro, a luta continua apesar das dificuldades. “Se pensam que vamos desistir, estão enganadas”, diz.Como ele conta, até agora, de concreto, as vítimas praticamente nada receberam, exceto um protocolo de atendimento na já sobrecarregada rede pública da região de Campinas.
De 1974 a 2002, a fábrica de agrotóxicos localizada no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, contaminou o solo e as águas subterrâneas com produtos químicos como o aldrin, endrin e dieldrin, compostos por substâncias potencialmente cancerígenas. Trabalhadores e moradores da região foram expostos ao material. Até agora, segundo o sindicato, 56 ex-trabalhadores morreram de câncer.
No começo dos anos 1990, quando a Basf comprou a fábrica da Shell, uma consultoria ambiental internacional constatou a existência de contaminação do solo e dos lençóis freáticos, o que a obrigou a uma autodenúncia à Procuradoria do Meio Ambiente daquele município. No documento, a Shell reconhecia a contaminação.

Em investida em SP, Lula acusa elite paulista de barrar acesso à universidade


Publicado em 10/09/2010, 17:38
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (10) que a “elite paulista que governou o estado de São Paulo nunca se importou em colocar os pobres na universidade”. A declaração foi feita em Suzano, a 51 quilômetros da capital, no segundo dia consecutivo de agenda de Lula no estado. Na quinta-feira (9), o presidente esteve em um comício em Ribeirão Preto.
Lula discursou durante a inauguração do Campus Suzano do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) fez ataques à política do PSDB, que governa o estado há 16 anos. Segundo ele, apenas 96 mil paulistas estudam em universidades públicas, número inferior ao de inscritos no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de baixa renda.
“O estado que tem mais indústria, a maior renda per capita e só tem 96 mil alunos estudando em universidade (pública) é uma vergonha, sobretudo para a elite que sempre governou o estado de São Paulo”, disse.
Lula falou ainda que os governantes que possuíam diplomas universitários e títulos de mestrado e doutorado não queriam que os outros tivessem a mesma oportunidade educacional. Ele destacou a construção, durante seu governo, de 14 universidades federais e disse que alguns presidentes não fizeram sequer uma instituição de ensino superior.
De acordo com Lula, o povo brasileiro está "mais exigente" e não quer apenas emprego, deseja ser mão-de-obra qualificada. "Nós os mortais desse país, sempre tratados como cidadãos de segunda categoria, não queremos só ser pedreiro, temos o direito de ser médicos, engenheiros, professores", finalizou.

Lula critica pedágios de SP em comício

Em Ribeirão Preto, o presidente diz que "São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira"
Publicado em 10/09/2010, 13:00
Última atualização às 16:00
Lula critica pedágios de SP em comício
Mercadante e Lula em comício em Ribeirão Preto (Foto: Cesar Ogata)
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da silva afirmoum na noite de quinta-feira (9), em comício em Ribeirão Preto, que o candidato petista Aloízio Mercadante ao governo paulista precisa ser eleito para implantar no estado o mesmo projeto bem sucedido no governo federal. Ele citou o fortalecimento da economia do país e a criação de oportunidades para milhões de brasileiros.
“Eu apoio esse companheiro porque acho que São Paulo precisa experimentar uma outra coisa. São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira. O século XXI merece coisa melhor”, defendeu Lula. O candidato do PT ao governo de São Paulo discursou para mais de oito mil pessoas na  Esplanada do Theatro Pedro II, no centro de Ribeirão Preto, e garantiu que a educação será sua prioridade.
Mercadante também criticou o descaso do atual governo paulista. “Eles só fazem coisa boa para poucos. Os cinco milhões de alunos (da rede estadual de ensino) não vão entrar na Etec (Escola Técnica Estadual), não vão entrar na Faculdade de Tecnologia (Fatec), não vão entrar na Universidade de São Paulo (USP) e não têm perspectiva no mercado de trabalho”, disse. 

O presidente Lula e o Mercadante criticaram duramente o abuso dos pedágios em São Paulo. "Eles têm de explicar como é que fazem um pedágio daqui a São Paulo, 300 quilômetros, custar R$ 46. E nós, do governo federal, de São Paulo a Belo Horizonte, 570 quilômetros, custar apenas R$ 7,70. Daria para fazer estrada até com o meio fio de diamante", afirmou Lula.

Estavam presentes no comício os candidatos ao senado Netinho de Paula (PCdoB) e Marta Suplicy (PT), a presidenciável Dilma roussef não compareceu porque estava com o seu primeiro  neto, Gabriel, que nasceu horas antes, em Porto Alegre (RS).

Em sabatina, Serra volta a atacar blogs e TV Brasil


Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual
Publicado em 10/09/2010, 13:20
Em sabatina, Serra volta a atacar blogs e TV Brasil
O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, durante sabatina promovida pelo jornal "O Globo", na sede do periódico, no centro do Rio (Foto: Rafael Andrade/Folhapress)
Rio de Janeiro – Entrevistado por colunistas do jornal O Globo em sabatina realizada nesta sexta-feira (10) no auditório da sede do jornal, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, negou que já soubesse da quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra antes da campanha eleitoral. O tucano, no entanto, entrou em contradição ao admitir que falou sobre o caso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro, quando ainda não havia sequer sido escolhido candidato por seu partido.
Indagado sobre o caso pelo jornalista Ricardo Noblat, Serra afirmou: “Eu só tive consciência do caso agora. A minha primeira reação não foi de divulgar, você geralmente não quer envolver familiar, só que me pareceu inevitável. Eu, por mim, não teria nem divulgado. Não estou dando muita importância a isso, é uma crítica”, disse Serra.
Minutos antes, no entanto, o candidato tucano havia admitido que sabia da quebra de sigilo há pelo menos sete meses. “Em janeiro, aniversário de São Paulo, eu disse ao Lula que seria candidato. A conversa girou em torno disso. No final eu passei cópias do blog dele e da Dilma (Rousseff). O blog tinha coisas sujas a respeito da minha família. Eu dei pra eles as cópias e disse: se a gente vai começar a falar de família... Isso ocupou 5% do tempo da conversa”.
Serra acusou o PT de bancar “blogs sujos” na internet que teriam vazado dados obtidos com a quebra dos sigilos de Verônica e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. O tucano voltou a citar a TV Brasil, criada pelo atual governo como parte do que ele considera uma trama contra ele. “Tem uma industria de blogs mantida pelo PT. Por exemplo, a TV Brasil que paga blogs que se dedicam à difamação. Você pode ter quebras de sigilos e tal, mas no caso deles, do Eduardo Jorge, foi em função de campanha”, disse.
Antes, o candidato tucano já havia feito esse tipo de acusação. Em agosto, ele usou o termo "blogs sujos" para qualificar páginas na internet que fazem campanha pela candidata governista. Segundo o oposicionista, os autores são remunerados pelo governo federal, usando inclusive a TV pública criada em 2006.
Indagado pelo jornalista Jorge Bastos Moreno sobre uma eventual união política entre petistas e tucanos no futuro, Serra demonstrou que, com a polarização desta campanha, trata-se de uma possibilidade remota. “Não conheço esses tucanos (que desejam a aliança com o PT), devem ser mais exóticos que o natural. Tem uma diferença entre PT e PSDB muito grande”, disse.
O tucano garantiu que, se eleito presidente, “a parte política estará bem conduzida” mesmo que tenha que governar com minoria no Congresso. “Conheço a vida parlamentar e tenho certeza que conseguirei elevar satisfatoriamente a questão política no Congresso, embora as forças majoritárias sejam deles. O Congresso no governo Lula foi o mais fraco desde (o governo) Collor. (Para) tudo lá tem que compor a maioria e isso fica mais caro. Acho que levo de outra maneira”, projetou.
Outra promessa de Serra foi fazer a reforma política e implantar o voto distrital nos municípios com mais de 200 mil habitantes. “Começaria por aí, já na próxima eleição. Eleito, vou me jogar a partir de janeiro para fazer isso. Deputados em geral são ligados a prefeitos de cidades médias e pequenas. Prefiro um tipo de voto distrital misto porque uma coisa é uma cidade mais homogênea”, disse o tucano.
Ainda no tema da reforma política, Serra também defendeu o voto em lista, em que os votos são dados aos partidos ou coligações, que definem a ordem de entrada dos candidatos conforme o número de cadeiras conquistadas. “A campanha eleitoral seria muito mais a questão da chapa e haveria um debate maior. Resolve o problema de oligarquia partidária? Não, mas melhora o custo da campanha”, disse.

Privatizações

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