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sábado, 11 de setembro de 2010

Liminar do TST ameniza, mas não muda condenação de Shell e Basf por crime em Paulínia

Condenadas a pagar R$ 1,1 bilhão pelo tratamento médico das vítimas de contaminação, empresas conseguiram, provisoriamente, reduzir o valor para R$ 100 milhões. Como não houve julgamento do mérito, está mantida a condenação
Publicado em 10/09/2010, 18:34
São Paulo – O Tribunal Superior do Trabalho (TST) concedeu, na quinta-feira (9), benefícios processuais às empresas Shell e Basf. Uma liminar, assinada pelo presidente do tribunal, ministro Milton de Moura França, reduz de R$ 1,1 bilhão para R$ 100 milhões o valor a ser pago pelas empresas para custear  tratamentos médicos e indenizações a ex-trabalhadores da fábrica que produziu agrotóxicos em Paulínia (SP). O caso ocorreu de 1974 a 2002 e, desde então, se arrasta na Justiça.
Na prática, a redução não afeta as decisões anteriores. "Como não houve julgamento do mérito da questão, está mantida a condenação", explica Vinícius Cascone, advogado da Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq) formada pelos ex-trabalhadores da Shell/Basf. "A mudança é que, como o valor da ação foi provisoriamente reduzido, a multa em caso de recurso pelas empresas fica proporcionalmente menor”, pontua. Ele considera normal a decisão das empresas de recorrer, independentemente dos valores. O caso só será encerrado depois de o plenário do TST julgar o mérito da questão.
Em agosto passado, a Justiça do Trabalho de Paulínia condenou as indústrias a pagar, desde então, o tratamento médico de todos os ex-trabalhadores. A decisão determinou que cada ex-trabalhador e cada um dos filhos recebam R$ 64,5 mil, valor calculado com base nos gastos médios que os trabalhadores tiveram durante o período em que a ação tramitou.
Ambas foram condenadas também ao pagamento de indenização por danos morais causados à coletividade, no valor de R$ 622,2 milhões com juros e correção, revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Para o ex-trabalhador Antonio de Marco Rasteiro, a luta continua apesar das dificuldades. “Se pensam que vamos desistir, estão enganadas”, diz.Como ele conta, até agora, de concreto, as vítimas praticamente nada receberam, exceto um protocolo de atendimento na já sobrecarregada rede pública da região de Campinas.
De 1974 a 2002, a fábrica de agrotóxicos localizada no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, contaminou o solo e as águas subterrâneas com produtos químicos como o aldrin, endrin e dieldrin, compostos por substâncias potencialmente cancerígenas. Trabalhadores e moradores da região foram expostos ao material. Até agora, segundo o sindicato, 56 ex-trabalhadores morreram de câncer.
No começo dos anos 1990, quando a Basf comprou a fábrica da Shell, uma consultoria ambiental internacional constatou a existência de contaminação do solo e dos lençóis freáticos, o que a obrigou a uma autodenúncia à Procuradoria do Meio Ambiente daquele município. No documento, a Shell reconhecia a contaminação.

Em investida em SP, Lula acusa elite paulista de barrar acesso à universidade


Publicado em 10/09/2010, 17:38
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (10) que a “elite paulista que governou o estado de São Paulo nunca se importou em colocar os pobres na universidade”. A declaração foi feita em Suzano, a 51 quilômetros da capital, no segundo dia consecutivo de agenda de Lula no estado. Na quinta-feira (9), o presidente esteve em um comício em Ribeirão Preto.
Lula discursou durante a inauguração do Campus Suzano do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) fez ataques à política do PSDB, que governa o estado há 16 anos. Segundo ele, apenas 96 mil paulistas estudam em universidades públicas, número inferior ao de inscritos no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de baixa renda.
“O estado que tem mais indústria, a maior renda per capita e só tem 96 mil alunos estudando em universidade (pública) é uma vergonha, sobretudo para a elite que sempre governou o estado de São Paulo”, disse.
Lula falou ainda que os governantes que possuíam diplomas universitários e títulos de mestrado e doutorado não queriam que os outros tivessem a mesma oportunidade educacional. Ele destacou a construção, durante seu governo, de 14 universidades federais e disse que alguns presidentes não fizeram sequer uma instituição de ensino superior.
De acordo com Lula, o povo brasileiro está "mais exigente" e não quer apenas emprego, deseja ser mão-de-obra qualificada. "Nós os mortais desse país, sempre tratados como cidadãos de segunda categoria, não queremos só ser pedreiro, temos o direito de ser médicos, engenheiros, professores", finalizou.

Lula critica pedágios de SP em comício

Em Ribeirão Preto, o presidente diz que "São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira"
Publicado em 10/09/2010, 13:00
Última atualização às 16:00
Lula critica pedágios de SP em comício
Mercadante e Lula em comício em Ribeirão Preto (Foto: Cesar Ogata)
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da silva afirmoum na noite de quinta-feira (9), em comício em Ribeirão Preto, que o candidato petista Aloízio Mercadante ao governo paulista precisa ser eleito para implantar no estado o mesmo projeto bem sucedido no governo federal. Ele citou o fortalecimento da economia do país e a criação de oportunidades para milhões de brasileiros.
“Eu apoio esse companheiro porque acho que São Paulo precisa experimentar uma outra coisa. São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira. O século XXI merece coisa melhor”, defendeu Lula. O candidato do PT ao governo de São Paulo discursou para mais de oito mil pessoas na  Esplanada do Theatro Pedro II, no centro de Ribeirão Preto, e garantiu que a educação será sua prioridade.
Mercadante também criticou o descaso do atual governo paulista. “Eles só fazem coisa boa para poucos. Os cinco milhões de alunos (da rede estadual de ensino) não vão entrar na Etec (Escola Técnica Estadual), não vão entrar na Faculdade de Tecnologia (Fatec), não vão entrar na Universidade de São Paulo (USP) e não têm perspectiva no mercado de trabalho”, disse. 

O presidente Lula e o Mercadante criticaram duramente o abuso dos pedágios em São Paulo. "Eles têm de explicar como é que fazem um pedágio daqui a São Paulo, 300 quilômetros, custar R$ 46. E nós, do governo federal, de São Paulo a Belo Horizonte, 570 quilômetros, custar apenas R$ 7,70. Daria para fazer estrada até com o meio fio de diamante", afirmou Lula.

Estavam presentes no comício os candidatos ao senado Netinho de Paula (PCdoB) e Marta Suplicy (PT), a presidenciável Dilma roussef não compareceu porque estava com o seu primeiro  neto, Gabriel, que nasceu horas antes, em Porto Alegre (RS).

Em sabatina, Serra volta a atacar blogs e TV Brasil


Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual
Publicado em 10/09/2010, 13:20
Em sabatina, Serra volta a atacar blogs e TV Brasil
O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, durante sabatina promovida pelo jornal "O Globo", na sede do periódico, no centro do Rio (Foto: Rafael Andrade/Folhapress)
Rio de Janeiro – Entrevistado por colunistas do jornal O Globo em sabatina realizada nesta sexta-feira (10) no auditório da sede do jornal, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, negou que já soubesse da quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra antes da campanha eleitoral. O tucano, no entanto, entrou em contradição ao admitir que falou sobre o caso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro, quando ainda não havia sequer sido escolhido candidato por seu partido.
Indagado sobre o caso pelo jornalista Ricardo Noblat, Serra afirmou: “Eu só tive consciência do caso agora. A minha primeira reação não foi de divulgar, você geralmente não quer envolver familiar, só que me pareceu inevitável. Eu, por mim, não teria nem divulgado. Não estou dando muita importância a isso, é uma crítica”, disse Serra.
Minutos antes, no entanto, o candidato tucano havia admitido que sabia da quebra de sigilo há pelo menos sete meses. “Em janeiro, aniversário de São Paulo, eu disse ao Lula que seria candidato. A conversa girou em torno disso. No final eu passei cópias do blog dele e da Dilma (Rousseff). O blog tinha coisas sujas a respeito da minha família. Eu dei pra eles as cópias e disse: se a gente vai começar a falar de família... Isso ocupou 5% do tempo da conversa”.
Serra acusou o PT de bancar “blogs sujos” na internet que teriam vazado dados obtidos com a quebra dos sigilos de Verônica e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. O tucano voltou a citar a TV Brasil, criada pelo atual governo como parte do que ele considera uma trama contra ele. “Tem uma industria de blogs mantida pelo PT. Por exemplo, a TV Brasil que paga blogs que se dedicam à difamação. Você pode ter quebras de sigilos e tal, mas no caso deles, do Eduardo Jorge, foi em função de campanha”, disse.
Antes, o candidato tucano já havia feito esse tipo de acusação. Em agosto, ele usou o termo "blogs sujos" para qualificar páginas na internet que fazem campanha pela candidata governista. Segundo o oposicionista, os autores são remunerados pelo governo federal, usando inclusive a TV pública criada em 2006.
Indagado pelo jornalista Jorge Bastos Moreno sobre uma eventual união política entre petistas e tucanos no futuro, Serra demonstrou que, com a polarização desta campanha, trata-se de uma possibilidade remota. “Não conheço esses tucanos (que desejam a aliança com o PT), devem ser mais exóticos que o natural. Tem uma diferença entre PT e PSDB muito grande”, disse.
O tucano garantiu que, se eleito presidente, “a parte política estará bem conduzida” mesmo que tenha que governar com minoria no Congresso. “Conheço a vida parlamentar e tenho certeza que conseguirei elevar satisfatoriamente a questão política no Congresso, embora as forças majoritárias sejam deles. O Congresso no governo Lula foi o mais fraco desde (o governo) Collor. (Para) tudo lá tem que compor a maioria e isso fica mais caro. Acho que levo de outra maneira”, projetou.
Outra promessa de Serra foi fazer a reforma política e implantar o voto distrital nos municípios com mais de 200 mil habitantes. “Começaria por aí, já na próxima eleição. Eleito, vou me jogar a partir de janeiro para fazer isso. Deputados em geral são ligados a prefeitos de cidades médias e pequenas. Prefiro um tipo de voto distrital misto porque uma coisa é uma cidade mais homogênea”, disse o tucano.
Ainda no tema da reforma política, Serra também defendeu o voto em lista, em que os votos são dados aos partidos ou coligações, que definem a ordem de entrada dos candidatos conforme o número de cadeiras conquistadas. “A campanha eleitoral seria muito mais a questão da chapa e haveria um debate maior. Resolve o problema de oligarquia partidária? Não, mas melhora o custo da campanha”, disse.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Governo Serra representou um retrocesso na reforma agrária no Estado de SP.

(da revista do MST) continuidade da administração do PSDB no estado de São Paulo significa o aprofundamento do neoliberalismo, a consolidação de um plano de privatização de serviços públicos, a piora da qualidade do ensino público e o acirramento da violência contra a classe trabalhadora.
A avaliação é de Gilmar Mauro, integrante da coordenação nacional do MST. “A permanência do tucanato no estado de São Paulo é a permanência do projeto neoliberal e de criminalização do MST”, afirma.
Segundo o dirigente do MST, houve um retrocesso em relação à arrecadação de terras devolutas e à estruturação do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) na gestão de Serra, em comparação ao período do governador Mario Covas, entre 1995 e 2001.
Em entrevista à Página do MST, Gilmar apresenta uma avaliação das políticas do governo Serra em relação à Reforma Agrária. Ele aponta o crescimento do processo de repressão das lutas sociais durante sua gestão e o estímulo dado ao modelo agrícola de exportação, em detrimento da produção de alimentos. “São Paulo virou um grande canavial”, disse.
Confira abaixo a entrevista.

MST - Na sua avaliação, como o governo Serra tratou a questão agrária e o MST à frente do governo do Estado de São Paulo?
Gilmar Mauro - Um primeiro aspecto é nunca conseguimos fazer uma reunião com o Serra quando ele era governador. A única que fizemos foi com secretários de governo. Está tudo praticamente paralisado, todos os processos de arrecadação de terras. Não há iniciativa nenhuma do governo do estado em arrecadar. Prova disso é que os trabalhadores do Instituto de Terras do Estado de São Paulo fizeram uma greve recentemente, porque há um desmonte do órgão por parte do governo Serra. Então, no que se refere à Reforma Agrária não foi feito nada. Esta é a verdade. Nem quanto ao acompanhamento de assentamentos nem quanto à arrecadação de terras. No estado de São Paulo, não avançamos em absolutamente nada.

MST - Como você avalia o trabalho do Itesp, o órgão responsável pela Reforma Agrária no estado?
Gilmar Mauro - O Itesp tem sido desmontado ao longo dos anos. No período Covas [governador entre 1995 e 2001] ele foi bastante incrementado. Tinha uma estrutura grande: técnicos, equipes de arrecadação. Havia uma ofensiva do governo estadual no sentido de arrecadar terras devolutas, principalmente no Pontal do Paranapanema. Com a entrada do Alckmin [entre 2001 e 2006], ainda houve alguma continuação, mas com um ritmo muito lento. No final do seu segundo governo, já não havia mais nada. Com a entrada do Serra, as atividades de arrecadação ficaram paralisadas. Houve desmonte, inclusive, do ponto de vista de condições de trabalho para os técnicos. Não existe nada de política agrária no estado de São Paulo por parte do governo Serra.

MST - Qual é a tarefa do Estado em relação à arrecadação das terras devolutas?
Gilmar Mauro - São necessárias várias iniciativas. A primeira é a vontade política de arrecadar, ir para a região, como no governo Covas. É terra do Estado, vamos arrecadar e transformar em Reforma Agrária. A segunda é através das Procuradorias de Justiça: estimular a Procuradoria do estado a entrar com os pedidos de reivindicação dessas áreas, para que possam tomar a medida chamada de reivindicatória. Antes disso, ainda há uma série de tarefas que precisam ser tomadas do ponto de vista jurídico. Essas iniciativas são muito poucas no governo Serra. Pouquíssimas. O que a gente sabe é que havia várias ações judiciais – inclusive, acabou de sair uma decisão considerando devolutas terras do Pontal do Paranapanema, mas isso é fruto de um trabalho anterior, feito há muito tempo atrás. O engraçado é que o governo, em vez de fazer isso, mandou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei para regularizar o grilo no Pontal e em todo o estado. Então, além de não arrecadar terras, o governo Serra buscou regularizar o grilo.

MST - Qual foi o comportamento da polícia nas ações que envolveram trabalhadores do campo e da cidade sob o governo Serra?
Gilmar Mauro - Primeiro, é preciso lembrar que não há interesse nenhum em fazer a Reforma Agrária por parte do governo Serra e do tucanato em geral. Eles são contra a Reforma Agrária. Depois, as ações policiais, nos últimos tempos - diferentemente de algum tempo atrás, quando havia algum tipo de diálogo-, têm acontecido de forma muito mais violenta, com um processo de repressão bastante intenso. Aliás, não só conosco, mas com professores, com a própria Polícia Civil, trabalhadores urbanos, das favelas.

MST - Quais as características do agronegócio em São Paulo? Como vem evoluindo a produção de etanol?
Gilmar Mauro - São Paulo passou a ser um grande canavial. A monocultura da cana e a do eucalipto são as que predominam em todo o Estado, com a diminuição do plantio de café, de laranja e de outros tipos de produção, inclusive da pecuária. Com esse avanço da cana e do eucalipto, a pecuária migra para a região Centro-Oeste, que tem um bioma importante que está sendo destruído e, principalmente, para a região amazônica. Hoje o Brasil tem 175 milhões de cabeças de boi migrando para o Norte e Centro-Oeste do país, provocando a destruição ambiental daqueles biomas importantes. São Paulo virou um grande canavial e um grande eucaliptal. Essa tem sido a postura de apoio do governo ao agronegócio. O impacto ambiental disso já está sendo sentido pela população: as secas, as mudanças de temperatura.

MST - Segundo dados do Incra, existem em São Paulo 12.291 propriedades nas mãos de estrangeiros. Como avalia essa questão?
Gilmar Mauro - O grande agronegócio vem investir no Brasil porque, do ponto de vista competitivo, na lógica de produção de mercadorias e de competição internacional, o Brasil tem vantagens comparativas muito grandes. Possui água em abundância, terras férteis, sol... Enquanto o eucalipto, nos países baixos da Europa, vai levar 15, 20 anos pra dar corte, aqui em São Paulo ou na Bahia vai produzir em cinco ou seis anos. Então, as empresas do grande capital internacional estão cada vez mais investindo no Brasil, seja na aquisição de propriedades ou no controle de toda a produção. Isso tende a ser intensificado por causa dessa política de exportação de commodities que o país adotou, não só em São Paulo. Mas é evidente que o Estado de São Paulo interessa muito ao grande capital. Por isso, há esse número grande de propriedades nas mãos de estrangeiros.
Agora, se não houver uma política de Reforma Agrária de fato que substitua essa política de assentamentos dificilmente conseguiremos reverter esse quadro num curto espaço de tempo. E mais ainda aqui em São Paulo, onde não há interesse nenhum nesse sentido. No caso do Pontal, por exemplo, há tentativas de regularização de terras públicas que passam cada vez mais para o controle de grandes empresas. O processo de monopolização da terra não tem se modificado no decorrer dos anos.

MST - O que significaria uma nova vitória da candidatura tucana no Estado?
Gilmar Mauro - Seria a consolidação de um projeto de privatização de vários serviços públicos. São Paulo está cheio de pedágios, não tem mais por onde andar sem pagar. Esse é um processo de privatização das estradas, em que o direito de ir e vir está sendo retirado. Outro é um projeto educacional extremamente complicado. Um exemplo são as escolas dos assentamentos no Estado, que hoje padecem de inúmeros problemas. Nós temos no MST crianças que têm de levantar às 4h da manhã para poder chegar às escolas com transporte extremamente precário. Do ponto de vista da repressão e criminalização, também existe uma intensificação, e a prova disso é a incapacidade do governador Serra em dialogar com os setores da classe trabalhadora em luta. Os próprios prefeitos do PSDB dizem que têm muita dificuldade em dialogar com o Serra. Com relação à Reforma Agrária, a permanência do tucanato no estado de São Paulo é a permanência do projeto neoliberal e de criminalização do MST.

MST - E a eventual vitória da candidatura tucana à presidência, o que pode representar?
Gilmar Mauro - A linha política do Serra é a do grande capital. Mesmo que não haja grandes diferenças nesse aspecto entre o atual governo e um tucano, o que agravaria a situação para o nosso lado é que o governo tucano é antidemocrático. Praticou no período FHC a criminalização dos movimentos sociais. Tomando como exemplo a política de Serra no Estado de São Paulo, que nunca sentou conosco, imagino que em nível nacional isso se repetiria. E haveria um aumento vertiginoso do processo de criminalização da pobreza.

Pressa eleitoral: Governo de SP será multado por "abrir" Marginal do Tietê com falhas na sinalização.

(do Estadão) O Ministério Público Estadual vai cobrar multa de R$ 100 mil por dia da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) por causa da falta de sinalização na Marginal do Tietê. Para o MP, a empresa não cumpriu acordo firmado no início de agosto no qual se comprometia a regularizar a situação até o dia 31. A multa começou a ser calculada a partir dessa data e será acumulada até que a sinalização esteja completa - hoje, o valor já é de R$ 900 mil.

A decisão, inédita, foi baseada em laudo técnico concluído ontem a pedido da promotora Maria Amélia Nardy Pereira, da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. Segundo o estudo, a sinalização horizontal (faixas nas pistas) é o principal problema encontrado. Foram identificados vários trechos já liberados para a circulação de veículos sem as faixas pintadas - um exemplo é o trecho na frente do sambódromo do Anhembi, no sentido Castelo Branco. Além disso, o laudo apontou a ausência de sinais numéricos no solo para orientação e a existência de pinturas antigas nas pistas.

Há também problemas na sinalização vertical, de acordo com o levantamento do MP. Em alguns locais, o excesso de placas sobrepostas confunde o motorista. Em outros, há avisos provisórios mesmo onde as obras já acabaram - como acontece na saída para a Avenida Aricanduva, no sentido Ayrton Senna.

Segurança. A negociação do Ministério Público com a Dersa começou após a inauguração das novas pistas centrais da Marginal do Tietê, em março deste ano. O MP afirma que a circulação de veículos não poderia ter sido liberada sem que a sinalização fosse concluída. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, nenhuma via pode ser aberta ao tráfego se não estiver devidamente sinalizada de forma a garantir a segurança na circulação.

Procurada, a Dersa não se pronunciou ontem. Na semana passada, a empresa havia informado que a "sinalização dos trechos liberados ao tráfego" estava finalizada e que a completa estaria concluída no fim das obras, previsto para dezembro.

 
PARA ENTENDER
A multa diária de R$ 100 mil será cobrada pelo Ministério Público sem necessidade de aprovação da Justiça. Isso porque o valor foi estabelecido em um acordo assinado pela Dersa em agosto. Segundo o MP, o acordo não pode ser revisto e, portanto, a multa acumula até a sinalização estar perfeita. O dinheiro vai para um fundo estadual que deverá aplicá-lo em ações reparadoras ao meio ambiente e ao cidadão. A Dersa pode acionar a Justiça para não pagar a multa alegando ter concluído toda a sinalização.

Marginal do Tietê ainda tem falhas após três meses.

(do Agora SP) O Ministério Público encontrou quase o mesmo número de falhas na sinalização da marginal Tietê três meses após vistoria que gerou um compromisso formal da Dersa (empresa estatal) de regularizar o problema.

'Notificação não chegou'
Foram 54 falhas encontradas em placas e faixas de trânsito no dia 2 de junho e 53 problemas identificados na fiscalização que foi concluída nesta semana, depois que o prazo acordado expirou.
A reportagem não conseguiu verificar quantas das novas falhas registradas são as mesmas de junho.
Com a continuidade dos problemas, a Dersa está sujeita a pagar uma multa de pelo menos R$ 1 milhão. É que hoje completam dez dias desde que o prazo para que o órgão melhorasse a sinalização da via terminou --a multa diária é de R$ 100.

Radares e multas
Até que tudo esteja regularizado, a Promotoria recomendou à CET o desligamento dos nove radares da marginal e a revisão de todas as multas decorrentes das falhas que foram computadas desde a entrega da obra, em março.
Segundo a Promotoria, a estimativa é de que sejam canceladas entre 5.000 e 10 mil multas.
Na semana que vem, a prefeitura deverá informar esse número exato.

Privatizações

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