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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

São Paulo fica em 1º em raking de burocracia para abertura de empresas

São Paulo é o Estado onde é mais difícil obter as informações necessárias para a abertura de empresas, segundo levantamento feito pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) mapeando a burocracia existente.
Em São Paulo, os pesquisadores precisaram fazer 102 ligações para reunir todos os dados sobre custos, taxas e procedimentos. O local mais fácil foi a Paraíba, onde foram necessários 12 telefonemas.

Para Cristiano Prado, gerente de Infraestrutura e Novos Investimentos da Firjan, falta pessoal qualificado.“Os órgãos são estruturados, as ligações são atendidas, mas as pessoas não sabem prestar as informações e transferem os interessados de um setor ao outro”, disse.

Outra questão pesquisada foi o custo da abertura de uma empresa. São Paulo é apenas o sétimo local mais em conta no país, com custo estimado em R$ 1.711. A média nacional é de R$ 2.038, mas varia até 274% entre os Estados.

Em comparações internacionais, a posição do Brasil é desfavorável em relação a outras economias emergentes. O custo de abertura de uma empresa no país é o triplo da média de Rússia, Índia e China. Em relação à América do Sul, o custo do Brasil é o dobro do da Colômbia.

*com informações da Folha de S.Paulo

Secretaria da Educação cancela programa recém-lançado para premiar estudantes em reforço de matemática

Em um intervalo de apenas alguns dias, a Secretaria da Educação de São Paulo anunciou a polêmica medida de dar dinheiro para que estudantes com notas baixas participassem de aulas de reforço e revogou o chamado vale-presente, antes mesmo que ele fosse adotado.
O vale de R$ 50,00 para os estudantes ‘em recuperação’ de matemática provocou indignação entre pais, professores e especialistas e foi mais um dos muitos projetos de Educação lançados no Estado, sem ouvir a comunidade escolar e sem levar a consideração o processo de ensino/aprendizagem dos milhares de estudantes da rede pública.
São mais de 5 milhões de alunos e aproximadamente 220 mil professores submetidos a projetos eleitoreiros e oportunistas. “Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico”, diz a repórter especial da Folha de S.Paulo, Laura Capriglione em artigo publicado na edição desta terça-feira (17/08).
Indignada, a presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, a deputada petista Maria Lúcia Prandi, protestou hoje em plenário contra a falta de projetos e a irresponsabilidade do governo tucano com a Educação.
As reportagens mais recentes publicadas no site da Bancada do PT são um indicador do tamanho do problema: “Descumprimento de metas nas gestões Serra/Alckmin agrava crise do ensino médio em SP”, “Governo Serra desviou R$ 660 milhões do ensino básico” e “Em São Paulo, alunos terminam o ensino médio com conhecimento de 8ª série”.
Leia aqui a íntegra do artigo “A insustentável leveza”, de Laura Capriglione (Folha de S.Paulo, 17/08/2010)
Insustentável leveza
É de estarrecer a forma como se comporta o governo do Estado de São Paulo quando o assunto é educação. Agora, uma medida que se chegou a apresentar como revolucionária cai por terra antes mesmo de ser aplicada. Trata-se do chamado "vale-presente" -a Secretaria da Educação daria R$ 50 a alunos que, em dificuldades com matemática, não faltassem a aulas de reforço.
Houve quem visse no "presente" propósitos eleitoreiros, outros acusaram-no de premiar o fracasso escolar (bons alunos não concorreriam ao benefício), outros ainda de ser antieducativo, já que, ao prazer do aprendizado, que deveria ser o alvo do processo pedagógico, se anteporia a força da grana.
Ocioso, agora, discutir as objeções. O que assombra é a leveza beirando a irresponsabilidade com que o secretário Paulo Renato Souza anunciou o cancelamento do programa, ontem, na Folha: "É um projeto que está muito cru", disse ele. "Muito cru", secretário?
Tem sido assim a condução da educação pública paulista. Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico.
E não melhoram, como o próprio Paulo Renato foi obrigado a reconhecer à vista dos resultados do último Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo): "Numa avaliação média, eu diria que tivemos uma estagnação", admitiu, confrontado com o fato de que a performance em matemática no ensino médio chegou a regredir entre 2008 e 2009.
Em português e matemática, a nota dos alunos do 3º ano do ensino médio atesta que eles têm competência abaixo da que seria esperada para alunos da 8ª série do ensino fundamental. São 15,5 anos de administrações tucanas em São Paulo.
Uma criou a Escola da Família, outra desidratou-a. Primeiro se trombeteou que professores temporários sem qualificação para lecionar seriam demitidos. Depois o propósito foi abandonado. "Minha primeira obrigação é garantir aula", disse o secretário, como se alguém discordasse.
Até uma incrível parceria entre a cantora pop Madonna e a Secretaria da Educação chegou a ser alardeada, com direito a foto do secretário e do então governador José Serra em troca de sorrisos com a "Material Girl".
A ideia era aplicar um tal "programa educacional baseado em princípios cabalísticos" na rede pública. "Não é propriamente um programa formal, mas para desenvolver psicologicamente. Para enfrentar melhor a vida", disse Serra à época. Foi só a mãe de Lourdes Maria voltar para casa e nunca mais se falou no assunto. Seria tudo uma piada se não se tratasse das vidas e esperanças de tantos jovens.
LAURA CAPRIGLIONEé repórter especial da Folha.

Corregedoria liga chefe da Polícia Científica a fraude em concurso

Folha de S. Paulo
Investigação conclui que prova para fotógrafo foi fraudada com a participação de Celso Perioli

A Corregedoria da Polícia Civil de SP confirmou que houve fraude no concurso público para contratação de fotógrafos para o IC (Instituto de Criminalística) e que as irregularidades tiveram participação do chefe da Polícia Científica, Celso Perioli.

No final do ano passado, candidatos ligados a funcionários do IC foram aprovados irregularmente num concurso que teve 17,6 mil inscritos. Após denúncias da imprensa, o secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, anulou a segunda fase do concurso.
Mesmo não respondendo a grande parte das questões da prova oral, eles foram selecionados com altas notas entre os 128 aprovados.

Os nomes de três deles foram registrados pelo jornal Folha de S. Paulo em cartório oito dias antes de o "Diário Oficial" divulgar a lista de aprovados. Na época, a Folha revelou -com base em funcionários que participaram do concurso- que uma senha irregular guiava a fraude.

São notas de "A" a "C" que foram registradas clandestinamente durante uma entrevista secreta realizada minutos antes da prova oral.

Essa anotação era feita no verso do prontuário do candidato e encaminhado para a banca de teste. O grau de dificuldade das perguntas e até as notas eram baseados nessas notas. Um "A" significava ser um amigo ou parente. Um "C" era a senha para pessoal "sem perfil".

Os concorrentes "altamente recomendados", como aqueles registrados pela reportagem em cartório, tinham um "A+" e aprovação praticamente garantida.

Cruzamento feito pela Corregedoria revelou que 75 concorrentes receberam nota "A+". Desses, 95% deles foram aprovados. Por outro lado, 164 receberam nota "C": apenas 8% passaram.

A Corregedoria confirmou a existência dessas senhas nos testes de todos os 343 candidatos submetidos à entrevista. Desse total, 25% foram anotados por Perioli.
Procurado, Perioli, que continua como chefe da Polícia Científica, não quis falar.
Além dele, outros quatro policiais são citados como envolvidos no caso.

O então diretor do IC, José Domingos Moreira das Eiras, é um deles. Ele perdeu o cargo após a Folha revelar a fraude -um parente dele estava entre os beneficiados.

No documento enviado à Promotoria, a Corregedoria confirma a existência da fraude, recomenda o cancelamento da fase do concurso, mas não indicia ninguém -apesar de citar os nomes dos envolvidos. A Folha apurou que caberá aos promotores o indiciamento (acusação formal) de parte da banca.

fonte: Folha de S. Paulo - 17/8/2010

Falta acessibilidade nas estações de trem e Metrô em São Paulo

O Estado de S. Paulo

Seis anos após decreto federal, 73 das 148 paradas de trem e metrô na capital e na Grande São Paulo continuam sem elevador

Seis anos após o Decreto federal n.º 5296/2004, que tornou obrigatório a todo o sistema de transporte do País instalar itens que garantam a acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, várias estações de trem e Metrô da Região Metropolitana de São Paulo ainda não têm esses equipamentos.

O governo federal deu dez anos para que tudo esteja adaptado e o governo do Estado de São Paulo garante que cumprirá o prazo, que vai até 2014.

Hoje, contudo, 73 das 148 estações - de trem e de Metrô - não têm elevador, item básico de acessibilidade. Usuários de algumas estações também sofrem com falta de rampas, que facilitariam a locomoção. As escadarias ainda são o principal meio de acesso às estações - as escadas rolantes, instaladas principalmente nas estações do Metrô, pouco ajudam. Elas não são consideradas item de acessibilidade segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Um dos casos que mais chamam a atenção é a Estação de Metrô da Vila Mariana. O distrito da zona sul é o que tem o maior número de idosos com mais de 75 anos em São Paulo - pouco mais de 8 mil, segundo a Fundação Seade. Lá, idosos e cadeirantes enfrentam inúmeras dificuldades para entrar e sair da estação, pela falta de elevador ou de rampas.

Morador do bairro, o aposentado Mário Masukura, de 84 anos, lamenta ter de enfrentar tantos obstáculos. "Tendo elevador seria muito melhor. Na escada, tenho de ir devagar, apoiando na bengala."

A dona de casa Maria da Glória Tocantis, de 55, que anda com o auxílio de muletas em razão de deficiência física, prefere forçar os braços a arriscar-se na escada rolante. "Lá passa todo mundo correndo. Tenho medo de cair."

Trens

As condições são diferentes da recém-inaugurada Estação Paulista, da Linha 4-Amarela, onde há diversos itens de acessibilidade. Ou das estações da Linha 9-Esmeralda da CPTM.

Ela, contudo, é uma exceção entras as linhas de trem, ainda mais problemáticas que as do Metrô. Algumas são antigas, de época em que acessibilidade não era tema discutido antes de se construir um prédio público.

Na Estação Imperatriz Leopoldina (Linha 8-Diamante), da década de 30, por exemplo, o usuário tem de subir lances de escada para chegar à estação e, só então, descer até a plataforma.

"É um martírio diário", afirma o aposentado Antonio Moraes, de 71 anos. Ele diz que só não adere ao transporte individual porque não tem condições financeiras de manter um automóvel.

Mesmo estações relativamente novas, como a José Bonifácio (Linha 11-Coral), na zona leste, impõem dificuldades. Pessoas em cadeiras de rodas relatam que não se arriscam a passar sozinhas por uma rampa construída na estação, com medo de tombar. Só passam com ajuda.

Os usuários da CPTM apontam ainda a dificuldade imposta pela distância entre a plataforma e o trem, que dificulta o acesso de pessoas em cadeira de rodas sem auxílio.

Dificuldades

A vereadora Mara Gabrilli (PSDB), autora de diversos projetos de lei voltados à população com mobilidade reduzida, afirma que a acessibilidade deve ser garantida, ainda que haja dificuldades para a realização de obras. "As estações da CPTM são muito antigas. Mas isso não pode ser desculpa. Se a Acrópole (região elevada na cidade de Atenas, na Grécia) tem, por que as estações da CPTM não podem ter?", questiona.

O QUE DEVE HAVER NAS ESTAÇÕES:
Rampas
Corrimãos
Elevadores
Guias rebaixadas
Comunicação visual com o Símbolo Internacional de Acesso (SIA)
Comunicação sonora
Piso antiderrapante
Mapa tátil
Banheiros exclusivos
Piso tátil de alerta e rota tátil

fonte: O Estado de S. Paulo - 17/8/2010

Obras de limpeza do Tietê estão atrasadas e superfaturadas


O trabalho de limpeza do Tietê para retirada de resíduos do fundo do rio prometido pelo governo do Estado para fevereiro só teve início em junho. O compromisso de elevar os investimentos para o desassoreamento do rio foi firmado no início de fevereiro, após a revisão do programa de manutenção da calha do rio.
O governo do Estado dividiu o serviço em quatro lotes e repassou para as empresas: Enterpa, TCU (Triunfo Comércio e Engenharia Ltda); DP Barros Arquitetura e Construção Ltda; e ETC (Empreendimentos e Tecnologia em Construções Ltda). Entre janeiro e julho/2009, os gastos com este serviço foram de R$ 14,2 milhões e no mesmo período deste ano somam R$ 30,4 milhões. Um diferença a mais de 113,16%.

Contratos ilegais

A Bancada do PT denuncia que os novos contratos são ilegais. “A lei das licitações diz que os aditamentos não podem ultrapassar 25% do valor inicial. O governo deveria ter feito uma nova licitação ou mantido os preços no limite permitido”, afirmou o líder da Bancada, deputado Antonio Mentor.

Para Mentor, a decisão de acelerar é eleitoral. “O governo segue o calendário eleitoral. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) tem apontado irregularidades, mas os relatórios não têm andamento na Assembleia Legislativa porque a maioria é governista”, explica o deputado.

Atraso prejudica

A limpeza é fundamental para garantir espaço à água da chuva, evitando o transbordamento do rio e a inundação das marginais. Para funcionar, porém, o programa deve, segundo especialistas, englobar os afluentes do Tietê e terminar até novembro. Nas últimas enchentes ocorridas na cidade, rios como o Tamanduateí e o Aricanduva também transbordaram.

O geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos explica que “a programação da limpeza deve ter uma meta de acordo com a previsão pluviométrica, que indica chuvas mais fortes a partir de novembro, quando o rio deve estar livre”. A medição mensal, segundo o geólogo, deve levar em conta os rios que despejam água no Tietê. “Eles descarregam sujeira”, afirma.
*com informações do jornal Agora São Paulo

SP registra déficit de 33% no número de médicos em hospitais municipais

Em hospital na zona leste, apenas metade das vagas estão ocupadas

Publicado em 18/08/2010
São Paulo - Relatório da Autarquia Municipal Hospitalar da capital paulista aponta que os hospitais administrados pela prefeitura trabalham com déficit de 33% no número de médicos. O levantamento de agosto deste ano, realizado pelo órgão que gerencia os hospitais da prefeitura, contabilizou que do quadro previsto de 4.015 médicos, 1.341 postos estão em aberto, o que equivale a um terço das vagas.
A pior situação, de acordo com o relatório, foi encontrada no hospital Dr. Benedito Montenegro, conhecido como hospital do Jardim Iva, em Sapopemba, zona leste. A unidade funciona com metade do número de médicos previstos. Dos 135 médicos necessários, apenas 65 prestam serviços. Na prática, há mais vagas abertas do que médicos atendendo a população no local.
O quadro de outros profissionais da saúde também segue incompleto na rede municipal. Além de médicos, faltam 568 auxiliares de enfermagem, 52 assistentes sociais, 67 dentistas e 89 enfermeiras nos hospitais municipais.
Em respota ao jornal Agora São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde argumenta que a população procura cada vez menos as filas de emergências dos hospitais, optando pelo atendimento na Assistência Médica Ambulatorial (Ama). O órgão afirma ainda que este ano a prefeitura contratou 756 médicos, em sistema de emergência.

Moradores acusam Dersa de usar 'força bruta' para remover famílias na Grande São Paulo

Por: Fábio Oscar, especial para a Rede Brasil Atual

Publicado em 17/08/2010
São Paulo - Moradores do Jardim Oratório, em Mauá, na região do ABC, acusam a Dersa de usar excessos na remoção de famílias em áreas onde será construída a continuação do trecho sul do rodoanel. A população reclama que as indenizações são muito baixas e que não vão ter para onde ir.
Para forçar a saída dos moradores, a Dersa teria usado uma imobiliária, a Construterra, para conseguir a retirada. As obras de extensão da avenida Papa João 23 e interligação com a avenida Jacu-Pêssego, na Capital, envolvem uma área ocupada por famílias de sem-terro. 
De acordo com moradores e lideranças comunitárias, os  funcionários da imobiliária percorrem o bairro desde 2009 para oferecer casas sem documentação em outros bairros. Segundo eles, corretores acompanharam visitas de assistentes sociais, o que deveria acontecer apenas no momento de negociação de valores das indenizações.
Com informações do ABCD Maior

Alckmin mantém liderança em SP, aponta Vox Populi

Em pesquisa sobre preferência partidária, PT lidera em São Paulo, seguido por PSDB e PMDB

Publicado em 16/08/2010
São Paulo - Pesquisa Vox Populi/Band/IG, divulgada nesta segunda-feira (16), aponta o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, em primeiro lugar na disputa, com 49% das intenções de voto. Aloizio Mercadante (PT) aparece em segundo lugar com 17%. Celso Russomanno (PP) tem 9%, Fábio Feldmann (PV) e Paulo Búfalo (PSOL) aparecem com 1%.
A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos. O Vox Populi ouviu 1.500 pessoas entre os dias 7 e 10 de agosto. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TER-SP) com o número 70.041/10.
A diferença entre Alckmin e Mercadante subiu de 19 pontos percentuais em julho para 22 em agosto. O candidato do PSDB está em primeiro lugar em todas as faixas etárias, níveis de escolaridade, faixas de renda e regiões do estado de São Paulo.
Na pesquisa espontânea, o tucano tem 21% das intenções de voto e o petista 7%. Os dados também mostram que Mercadante não alcança o potencial de transferência de votos do presidente Lula no estado. Segundo o Vox Populi, 20% dos paulistas votariam com certeza no candidato apoiado por Lula, 32% dependendo do candidato, 15% não votariam e 30% não levam em conta a indicação do presidente. O PT foi escolhido como partido de preferência de 20% dos entrevistados seguido do PSDB com 8% e PMDB com 3%.

Marta lidera

Na disputa ao Senado, Marta Suplicy (PT) lidera com 34%. Romeu Tuma (PTB) tem 19%, Netinho de Paula (PC do B) e Orestes Quércia (PMDB) têm 16%, e aparecem embolados no 2º lugar, empatados tecnicamente. O candidato comunista subiu três pontos percentuais desde o último levantamento.
Ciro Moura (PTC) tem 11%, Moacir Franco (PSL) foi de 6% em julho para 8% e ultrapassou Aloizio Nunes Ferreira (PSDB), que caiu de 7% para 5%.

Prefeitura de SP "beira o descaso" ao barrar conferência de saúde, diz vereadora



Promessa de realizar conferência municipal de saúde se arrasta há meses, o que prejudica organização do setor. Conselheiro de saúde critica resistência da gestão municipal a aceitar a participação social
Publicado em 16/08/2010, 15:15
Última atualização às 17:01
Prefeitura de SP "beira o descaso" ao barrar conferência de saúde, diz vereadora
(Foto: Paulo Pepe)
São Paulo - Há quase três anos à frente da Secretaria Municipal de Saúde, Januário Montone, não participou de nenhuma reunião do Conselho Municipal de Saúde. O secretário também contabiliza críticas por não ter realizado a 15ª Conferência Municipal de Saúde, afirma o coordenador da Comissão Executiva do Conselho Municipal de Saúde da capital paulista, Frederico Soares de Lima. Além de aguardar a participação do secretário de saúde no conselho da área, a capital paulista também espera há mais de um ano pela Conferência Municipal de Saúde.
Após frustrar as expectativas de que ocorreria em 2009, a etapa municipal foi prometida pelo secretário para o primeiro trimestre de 2010. Entretanto, seis meses depois nada aconteceu. "Falta vontade do gestor de fazer a conferência", classifica o coordenador. A última edição  ocorreu em setembro de 2007.
Para o ativista de saúde, a falta de empenho da prefeitura na realização da 15ª Conferência Municipal de Saúde revela a face antidemocrática da gestão municipal. "Parece que a participação democrática atrapalha a intenção deles", define. "A gestão municipal ignora práticas participativas", reitera.
Segundo a vereadora Juliana Cardoso (PT), da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher da Câmara de Vereadores de São Paulo, o "desinteresse e a falta de transparência da Prefeitura beiram o descaso". “A atual gestão tem dificuldades para dialogar com os setores populares e parece que tem medo do povo”, comentou a vereadora Juliana Cardoso.
“Isso demonstra o autoritarismo da Prefeitura, já que as conferências são conquistas sociais previstas em leis nas esferas federal, estadual  e municipal”, critica a parlamentar. A reportagem daRede Brasil Atual procurou a Secretaria Municipal de Saúde, mas o órgão não respondeu até às 15h desta segunda-feira (15).

A conferência

O principal objetivo da conferência, segundo Lima, é ouvir os usuários e elaborar políticas públicas para a saúde com base nas necessidades da população. "A comunidade organizada na base faz pré-conferências e leva suas reivindicações para a etapa municipal. O que é necessário em termos de políticas para melhorar a saúde e lá é submetido à aprovação ou não", explica o conselheiro. "O que é aprovado na conferência deveria no mínimo ser considerado pelo gestores e ser contemplado no plano municipal de saúde", detalha Lima.
Conselho Municipal de Saúde

  • O conselho é composto de 64 membros, 32 titulares e 32 suplentes.
  • 50% dos conselheiros representam os usuários; 25%, os trabalhadores na saúde e outros 25%, o governo municipal.
  • O secretário Municipal de Saúde é o presidente nato do conselho.
Enquanto a conferência não acontece, o conselheiro expõe que a saúde no município não reflete a necessidade dos usuários. "O que temos hoje é um plano feito por técnicos da gestão sem considerar as conferências para que esse plano contemple minimamente a necessidade da base", constata. Como exemplo, ele cita a demora entre o primeiro atendimento aos usuários e o tratamento necessário à população. "Há casos de exame ou consulta de especialidade que demora mais de um ano", conta Lima.
"A gente tem de ir discutindo apontando e vendo de que forma resolver. Mas sem ouvir a base fica difícil ter uma gestão mais adequada da saúde", opina o conselheiro.

Pressão

Para pressionar a realização da conferência, Lima pediu intervenção da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher da Câmara de Vereadores de São Paulo. Ofício do coordenador da Comissão Executiva do Conselho Municipal de Saúde, de 28 de junho de 2010, solicita diretamente à Casa Legislativa a publicação no Diário Oficial do Município, das decisões da reunião do Conselho Municipal de Saúde. A publicação das deliberações é de responsabilidade de Montone, mas não ocorre há vários anos. "(O secretário) não homologou nenhuma resolução feita pelo conselho. E foram diversas", enumera.
Entre as decisões do Conselho Municipal de Saúde estão a convocação da 15ª Conferência Municipal de Saúde e que as deliberações sejam balizadoras do Plano de ações da prefeitura de 2010 a 2013. O conselho também decidiu reprovar o plano municipal de saúde de 2008 e 2009 e o relatório de gestão de 2007 e 2008 e pedir a apresentação do relatório de gestão de 2009. "O plano municipal de saúde foi apresentado em meados de abril de 2009, faltando sete meses para terminar. Por isso, o conselho decidiu não aprovar", explica o coordenador.

Adiamento

De acordo com Lima, a justificativa da secretaria para adiamentos consecutivos da conferência seria a impossibilidade de fornecer apoio logístico ao conselho para a realização do encontro. "Disseram que não era uma questão financeira, mas de apoio logístico", aponta. O conselho precisa do apoio de técnicos da prefeitura para a realização da conferência.
Apesar disso, em janeiro, a prefeitura realizou um encontro com conselheiros de base da saúde, para o qual mobilizou 1.500 pessoas. "Providenciaram ônibus, local, tudo para realizar o encontro, mas para a conferência não podem mobilizar técnicos", diz Lima. "Essa justificativa foi por água abaixo, quando mobilizaram toda a rede de atenção básica da cidade para o 'megaevento', sem a participação do conselho municipal", descreve.

Associações de apoio a pessoas com síndrome de Down repudiam críticas de Serra em debate

Por: Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual

Publicado em 10/08/2010
São Paulo - A Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down publicou nota de repúdio às declarações feitas pelo candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, durante o debate entre presidenciáveis realizados pela Band. Na semana passada, o tucano criticou a política do governo federal para as pessoas com deficiências.
Ao questionar a candidata do PT, Dilma Rousseff, no primeiro bloco do debate, Serra acusou o governo federal de ter perseguido as entidades civis que atendem pessoas com deficiência e que teria tentado impedir que as Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) funcionassem como escolas. 
"Manifestamos a nossa indignação e repudiamos as declarações do senhor José Serra, no debate realizado no dia 5 de agosto de 2010, por contrariar todos os avanços duramente conquistados por entidades, pessoas com deficiência e familiares, ao questionar e instigar contra o direito à educação inclusiva garantido por Lei", diz a nota da federação (leia a íntegra), divulgado na segunda-feira (9).
O site da entidade diz ainda que o governo atual trabalha, por meio da Secretaria Especial do Ministério da Educação, "em conformidade com as legislações e disponibilizando recursos para a equiparação de direitos e igualdade de condições" para os necessitados de educação especial. 
A repercussão negativa das acusações de Serra foi também respondidas pelo próprio Ministério da Educação. No dia seguinte ao debate, sexta-feira (6), publicou nota oficial relatando que as Apaes e as instituições especializadas receberão um total de R$ 293 milhões até o fim deste ano.
Pais e familiares de pessoas com deficiência, em especial com Síndrome de Down, também distribuíram protestos e repúdios em blogs e redes sociais pela internet.

Para Plínio, competição entre professores criada por Serra na educação de SP é uma "indignidade"

Crítica é à política para escolas públicas, com disputa entre professores por reajuste. O candidato do PSOL prometeu quadruplicar atendidos pelo Bolsa Família
Por: Suzana Vier e Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 09/08/2010
Para Plínio, competição criada por Serra na educação de SP é uma "indignidade"
São Paulo – O candidato à Presidência da República Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) criticou a política de educação implantada em São Paulo pelo ex-governador e atual concorrente ao Planalto, José Serra (PSDB). Para Plínio, a gestão tucana criou uma competição sem sentido entre professores da rede pública.
"O Serra vem aí depois e vocês vão ver o que ele fez na educação pública de São Paulo", cutucou. "Para o professor receber aumento, a sala dele tem de competir com outras salas; tudo para ganhar R$ 200. Isso é uma indignidade", prosseguiu.
A referência é ao modelo de reajuste adotado na gestão estadual em que apenas uma parcela dos docentes recebem reajustes, baseados no desempenho de seus alunos e da escola. "Serra inventou o 'bicho' (prêmio, no jargão do futebol) na educação em São Paulo", comparou.
As declarações foram feitas durante o evento "Candidatos à Presidência falam aos empreendedores do Brasil", promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Além do candidato do PSOL, Serra e Marina Silva (PV) passaram pelo evento. Dilma Rousseff (PT), o nome governista na disputa, cancelou sua participação. À noite, a candidata é a primeira presidenciável a participar de entrevista no Jornal Nacional, da Rede Globo.
No evento, o presidente da entidade, Alencar Burti, entregou ao candidato as "Propostas para o Próximo Presidente", um conjunto da revista Digesto Econômico, publicada pela entidade, que soma 600 páginas.
Durante os 90 minutos em que falou aos empresários, Plínio mandou recorrentes "abraços aos companheiros da associação comercial", uma ironia ao fato de dialogar com uma plateia avessa a seu ideário. "Alimento a esperança de conseguir muitos votos aqui", repetiu, tirando risos da audiência. A sério, porém, fez a ressalva de que, apesar de ser do PSOL e de defender o socialismo, isso não será implantado de uma hora para outra, mas é uma questão de décadas.
Entre suas propostas para os empresários, Plínio citou Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) como uma das ações que beneficiariam o setor produtivo. "Vocês vão vender muito", prometeu. A Alba é uma plataforma de integração regional em padrões contrários aos de mercado, da qual participam Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia e outros países centro-americanos.
Outra frente de ações para os empreendedores seria "segurar a China, para ela não acabar com vocês", disse o candidato, buscando um diálogo com o público.

Bolsa Família

O concorrente do PSOL manteve seu discurso de apontar a desigualdade social como principal alvo das políticas de um eventual governo encabeçado por ele. Seu "programa drástico de distribuição de renda" inclui reforma agrária e redução da jornada de trabalho, entre outras medidas.
Ele criticou o modelo do Bolsa Família e afirmou ser desejável quadruplicar em quantidade, mas reduzir o tempo de permanência no programa de transferência de renda. Isso "para não fazer do pobre um 'freguês'". Apontado como assistencialista por setores à esquerda e à direita em eleições passadas, o Bolsa Família é raramente alvo de críticas na campanha deste ano.
Plínio voltou a defender limites de 500 hectares para as propriedades rurais no país. Também lamentou os ataques sofridos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e convidou os participantes a visitar um acampamento para "ver o que tem debaixo da lona preta, a um calor de 40º".

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Na prática a teoria é outra: tucanos paulistas criticam aeroportos federais mas deixam de investir nos aeroportos estaduais.


(do Transparência São Paulo). O chamado "caos aéreo" tem voltado à pauta do debate presidencial, com acusações da oposição sobre a lentidão dos investimentos federais nos aeroportos administrados pela INFRAERO. Poucos sabem , porém, que o governo do Estado de São Paulo, através do DAESP (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) administra 31 aeroportos no interior do Estado, entre eles os aeroportos de importantes cidades, como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Marília, Bauru e Araçatuba.
Pesquisando a execução orçamentária do Estado de São Paulo, descobrimos que o governo paulista deixou de investir mais de R$ 125 milhões previstos na modernização da infraestrutura aeroportuária do Estado no período de 2000 a 2009, quase 30% dos valores previstos.
Neste período, os investimentos nos aeroportos administrados pelo governo do Estado, que deveriam ser da ordem de R$ 430 milhões, foram de apenas R$ 304 milhões.

Após fracasso na educação, governo paulista pretende "dar" dinheiro para que alunos façam reforço escolar.

(da Folha de SP) É de estarrecer a forma como se comporta o governo do Estado de São Paulo quando o assunto é educação.
Agora, uma medida que se chegou a apresentar como revolucionária cai por terra antes mesmo de ser aplicada. Trata-se do chamado "vale-presente" -a Secretaria da Educação daria R$ 50 a alunos que, em dificuldades com matemática, não faltassem a aulas de reforço.
Houve quem visse no "presente" propósitos eleitoreiros, outros acusaram-no de premiar o fracasso escolar (bons alunos não concorreriam ao benefício), outros ainda de ser antieducativo, já que, ao prazer do aprendizado, que deveria ser o alvo do processo pedagógico, se anteporia a força da grana.
Ocioso, agora, discutir as objeções. O que assombra é a leveza beirando a irresponsabilidade com que o secretário Paulo Renato Souza anunciou o cancelamento do programa, ontem, na Folha: "É um projeto que está muito cru", disse ele. "Muito cru", secretário?
Tem sido assim a condução da educação pública paulista.
Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico.
E não melhoram, como o próprio Paulo Renato foi obrigado a reconhecer à vista dos resultados do último Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo): "Numa avaliação média, eu diria que tivemos uma estagnação", admitiu, confrontado com o fato de que a performance em matemática no ensino médio chegou a regredir entre 2008 e 2009.
Em português e matemática, a nota dos alunos do 3º ano do ensino médio atesta que eles têm competência abaixo da que seria esperada para alunos da 8ª série do ensino fundamental.
São 15,5 anos de administrações tucanas em São Paulo.
Uma criou a Escola da Família, outra desidratou-a. Primeiro se trombeteou que professores temporários sem qualificação para lecionar seriam demitidos. Depois o propósito foi abandonado. "Minha primeira obrigação é garantir aula", disse o secretário, como se alguém discordasse.
Até uma incrível parceria entre a cantora pop Madonna e a Secretaria da Educação chegou a ser alardeada, com direito a foto do secretário e do então governador José Serra em troca de sorrisos com a "Material Girl".
A ideia era aplicar um tal "programa educacional baseado em princípios cabalísticos" na rede pública. "Não é propriamente um programa formal, mas para desenvolver psicologicamente. Para enfrentar melhor a vida", disse Serra à época. Foi só a mãe de Lourdes Maria voltar para casa e nunca mais se falou no assunto. Seria tudo uma piada se não se tratasse das vidas e esperanças de tantos jovens.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O "homem-bomba" dos tucanos paulistas.

(da Veja online) Como diretor de Engenharia do Dersa, Paulo Vieira de Souza, também conhecido pelo apelido de Paulo Preto, foi responsável pelas grandes obras viárias do governo de São Paulo nos últimos três anos. Seu trabalho lhe rendeu, em dezembro de 2009, o prêmio de profissional do ano do Instituto de Engenharia de São Paulo. Em 1º de abril deste ano, ele festejou a inauguração do trecho sul do Rodoanel. Oito dias depois, no entanto, foi demitido de seu cargo. A decisão da cúpula da Dersa foi unânime. A nota no Diário Oficial, publicada no dia 21 de abril, não informa a causa da exoneração – e a assessoria de imprensa da empresa afirma apenas que foi uma "decisão de governo". Mas razões extra-oficiais não faltam. Vieira de Souza aparece em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia, que investigou a empreiteira Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. Pelo menos quatro desses documentos, obtidos com exclusividade por VEJA.com, trazem indícios de que o engenheiro era destinatário de propinas da construtora. Um dos papéis mostra quatro pagamentos mensais de 416.500 reais, com data inicial de 20 de dezembro de 2007. A Castelo de Areia foi suspensa, em janeiro deste ano, por uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Vieira de Souza, estranhamente, não foi indiciado na primeira fase da operação, e talvez nunca venha a ser. Mas, em ano eleitoral, tornou-se um "homem-bomba".

Ele tem estreitas ligações políticas e pessoais com Aloysio Nunes Ferreira Filho, ex-secretário da Casa Civil de São Paulo e candidato do PSDB-SP ao Senado. Vieira de Souza e Aloysio se conhecem há mais de 20 anos. Quando, no ano passado, o tucano sonhou em ser o candidato de seu partido ao governo de São Paulo, Vieira de Souza foi apresentado como seu "interlocutor" junto ao empresariado. A proximidade entre os dois é tão grande que a família dele contribuiu para que o ex-secretário comprasse seu apartamento. A filha do engenheiro, a advogada Priscila Arana de Souza, e sua mãe, Ruth de Souza, fizeram um empréstimo de 300.000 reais ao tucano — dos quais a advogada arcou com 250.000 reais, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo em dezembro. "A filha dele me emprestou um dinheiro para eu comprar um imóvel, pois eu queria fechar negócio e não podia esperar sair o financiamento do banco. Paguei à Priscila no ano passado mesmo, em três ou quatro prestações. Tenho meus cheques todos registrados. Está tudo correto e documentado", diz Aloysio. A assessoria do ex-secretário enviou uma relação de seis cheques de três bancos diferentes, relacionados ao pagamento da dívida. Cinco deles são de 2008: dois no valor de 50.000 reais, um no valor de 60.000 reais, um de 81.000 reais e o último, de 19.000 reais. Há também um cheque de 50.000 reais de maio de 2009.

Na versão de Aloysio, a demissão do amigo Vieira de Souza até parece voluntária. "Ele pretendia deixar o governo após a inauguração do Rodoanel", diz. "Foi inaugurado e ele saiu." Souza é mais duro ao falar do assunto. Atribui a demissão a atritos causados pelo seu estilo de trabalho, de dura cobrança de prazos. "Sempre disse que o Rodoanel tinha dia e hora para acabar. E isso incomoda", afirma. "Mas não importa. O Brasil inteiro sabe que o protagonista do Rodoanel fui eu. Não faz diferença se estou dentro ou fora do governo." O engenheiro rebate a tese de que sua exoneração poderia estar ligada às investigações sobre a Camargo Corrêa. "Não tem nada contra mim na Operação", diz ele.

Vieira de Souza tem razão em relação ao relatório final da PF. Seu nome tem uma única menção breve no documento, e ele não faz parte do rol dos indiciados. No relatório de inteligência, que serviu de base para o inquérito, a história é outra. É lá que estão reproduzidos os papeis que sugerem que ele recebeu propina da construtora. As obras do Rodoanel apareciam nas anotações com a sigla ARO, decifrada com informações retiradas do computador da secretária pessoal de Pietro Bianchi, diretor da Camargo, empresa que cuidou do lote 4 do trecho Sul, orçado em 500 milhões de reais. Esse mesmo relatório de inteligência traz dezenas de menções a políticos dos mais diferentes partidos. Há inclusive uma extensa lista de doações eleitorais registradas como "sem recibo" – uma forma oblíqua de definir o caixa dois.

A Operação Castelo de Areia foi deflagrada em março de 2009. A informação de que a investigação tinha potencial para abalar as carreiras de diversos políticos e administradores públicos veio à tona logo em seguida. A PF afirmou que trataria desses assuntos em um momento posterior. Passaram-se nove meses, nada aconteceu e a operação foi suspensa pela Justiça, quase como num passe de mágica. O fato de que os indícios coletados pela PF não ganhem consequências práticas é pernicioso. Ao contrário do que Vieira de Souza diz, existe, sim, material contra ele nos arquivos da PF. Material suficiente para que o Ministério Público Federal em São Paulo considerasse necessária uma investigação mais aprofundada sobre ele. Mas a questão não é apenas punir aqueles que merecerem castigo. Quando informações desse tipo ficam no limbo, caso daquelas que constam dos relatórios de inteligência da PF e sem mais nem menos desaparecem dos relatórios finais que embasam a abertura de inquéritos, cria-se espaço para que entrem em campo os fabricadores de dossiês — um tipo de fauna que insiste em reaparecer das trevas em anos eleitorais.

Governo de SP vê custo 3 vezes maior para metrô que previsto por Serra.

(do IG) Proposta de implantar 400 quilômetros de metrô custaria R$ 45 bilhões, segundo tucano; cálculo do governo de SP chega a R$ 160 bi.

A proposta feita pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, de implantar 400 quilômetros de metrô no País, pode custar três vezes mais que o previsto pelo tucano, se levada em consideração a fórmula usada pela própria administração estadual para estimar a verba absorvida por projetos na área. Em campanha nesta quinta-feira (12), Serra afirmou que a expansão das linhas em nove capitais brasileiras demandaria R$ 45 bilhões. Segundo o governo, comandado por Serra até o início deste ano, o investimento pode chegar a R$ 160 bilhões.
De acordo com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, o preço do quilômetro de uma linha de metrô varia entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. Os números oscilam conforme o volume de área a ser desapropriada, com o valor imobiliário de cada cidade ou região, com a geologia do solo e a quantidade de trens e estações necessários para cada linha.

Na última quinta-feira, durante passeio pela Linha Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Zona Sul da capital paulista, Serra afirmou ser “perfeitamente possível” fazer 400 quilômetros de metrô em nove capitais, com investimento de R$ 45 bilhões.

O candidato disse, ainda, que os recursos viriam do Tesouro Nacional, dos Estados, dos municípios, da iniciativa privada e também de financiamentos nacionais e estrangeiros.

Serra foi procurado para comentar os custos do projeto, mas a assessoria de campanha do candidato informou que só ele falaria sobre o tema, mas que, no momento, não pode atender à reportagem do iG por estar em campanha em Salvador (BA).

Obras do Rodoanel, da Marginal Tietê e da Jacú-Pêssego produzem "caixa 2" para campanhas tucanas. Arrecadador dos recursos é acusado de se apropriar de 4 milhões.

(da Revista Isto É).Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto), acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha.
Nas últimas semanas, o engenheiro Paulo Vieira de Souza tem sido a principal dor de cabeça da cúpula tucana. Segundo oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB ouvidos por ISTOÉ, Souza, também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra. Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como mover um processo judicial. “Ele arrecadou por conta própria, sem autorização do partido. Não autorizamos ninguém a receber dinheiro de caixa 2. As únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido na arrecadação são o José Gregori e o Sérgio Freitas”, afirma o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB. “Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais”, confirma um ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência.
Segundo dois dirigentes do primeiro escalão do partido, o engenheiro arrecadou “antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual”. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores. “Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas”, afirmou à ISTOÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido, na quarta-feira 11.

O suposto desvio de recursos que o engenheiro teria promovido nos cofres da campanha tucana foi descoberto na segunda-feira 2. Os responsáveis pelo comitê financeiro da campanha de Serra à Presidência reuniram-se em São Paulo a fim de fechar a primeira parcial de arrecadação, que seria declarada no dia seguinte à Justiça Eleitoral. Levaram um susto quando notaram que a planilha de doações informava um montante muito aquém das expectativas do PSDB e do esforço empenhado pelos tucanos junto aos doadores: apenas R$ 3,6 milhões, o equivalente a um terço do montante arrecadado pela candidata do PT, Dilma Rousseff. Ciosos de seu bom trânsito com o empresariado, expoentes do PSDB não imaginavam ter recolhido tão pouco. Sinal de alerta aceso, deflagrou-se, então, um processo de consulta informal às empresas que já haviam se comprometido a contribuir. O trabalho de checagem contou com a participação do tesoureiro José Gregori e até do candidato José Serra e logo veio a conclusão: Paulo Preto teria coletado mais de R$ 4 milhões, mas nenhum centavo foi destinado aos cofres do partido, oficialmente ou não. Iniciava ali o enredo de uma história nebulosa com potencial para atingir o seio do PSDB às vésperas das eleições presidenciais. “Além de representar uma quantia maior do que a arrecadada oficialmente até agora, o desfalque poderá atrapalhar ainda mais o fluxo de caixa da campanha”, explica um tucano de alta plumagem, que já disputou quatro eleições pelo partido. Segundo ele, muitas vezes as grandes empreiteiras não têm como negar contribuições financeiras, mas, nesse caso, ganharam um forte argumento: basta dizer que já contribuíram através do engenheiro, ainda que não o tenham feito.

Até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo. Ele atuou como diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), estatal paulista responsável por algumas das principais obras viárias do País, entre elas o Rodoanel, empreendimento de mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão – ambas verdadeiros cartões-postais das campanhas do partido. No caso do Rodoanel, segundo um dirigente do PSDB de São Paulo, cabia a Paulo Preto fazer o pagamento às empreiteiras, bem como coordenar as medições das obras, o que, por força de contrato, determina quanto a ser pago às construtoras e quando. No Diretório Estadual do partido, nove entre dez tucanos apontam a construção do eixo sul do Rodoanel como a principal fonte de receita de Paulo Preto. Outro político ligado ao Diretório Nacional do PSDB explica que a função do engenheiro na Dersa aproximou Paulo Preto de empreiteiras como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Mendes Júnior, Carioca e Engevix.
Losacco, um dos coordenadores das campanhas de Serra e de Geraldo Alckmin em 2006, afirma que o elo principal de Paulo Preto com o PSDB é Aloysio Nunes Ferreira, ex-secretário da Casa Civil de Serra e atual candidato do partido ao Senado por São Paulo. O próprio engenheiro confirma uma amizade de mais de 20 anos com Aloysio (leia entrevista abaixo). De acordo com um importante quadro do PSDB paulista, desde 2008 Paulo Preto estava “passando o chapéu” visando ao financiamento da pré-candidatura de Aloysio ao governo do Estado. “Não fizemos nenhuma doação irregular, mas o engenheiro Paulo foi apresentado como o ‘interlocutor’ do Aloysio junto aos empresários”, disse à ISTOÉ o diretor de uma das empreiteiras responsáveis por obras de remoção de terras no eixo sul do Rodoanel. Geraldo Alckmin acabou se impondo e obtendo a legenda para disputar o governo estadual, mas até a convenção do partido, em junho, a candidatura de Aloysio era considerada uma forte alternativa tucana, pois contava com o apoio do então governador José Serra e da maioria dos secretários. O engenheiro, segundo um membro da Executiva Nacional do partido, agia às claras junto a empresários e a prefeitos do interior de São Paulo. Falastrão, contava vantagens aos companheiros e nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Prometia mundos e fundos num futuro governo Aloysio. E quando Aloysio deixou a Casa Civil de Serra, muitos passaram a torcer por sua exoneração, o que aconteceu sob a batuta do governador Alberto Goldman.
Losacco, que foi secretário-geral do PSDB paulista até 2007, afirma que desde 2008 alertava a cúpula do partido sobre os movimentos de Paulo Vieira na Dersa. “Esse tipo de pessoa existe na administração pública. Tem a facilidade de achacar e não tem o menor controle. Todo mundo já sabia há muito tempo disso”, conta o dirigente tucano. Diante desses alarmes, a cúpula do partido chegou a cogitar a saída dele da estatal rodoviária há mais de um ano. Mas recuou. “O motivo (do recuo) eu não sei. Deve ter um motivo. Mas no governo às vezes você não consegue fazer tudo o que você quer. Você tem contingências que o obrigam a engolir sapo. E eu acho que esse deve ter sido o caso. Agora, de alguma maneira essa coisa toda vai ter que ser apurada. Sabemos da seriedade que o governo tem, mas infelizmente fica sujeito a esse tipo de gente”, acrescentou Losacco. Segundo o tesoureiro-adjunto do PSDB, o empresário acaba cedendo, pois “entende que o cara tem a caneta e que pode atrapalhar os negócios”. Os motivos que teriam levado Paulo Preto a dar o calote no PSDB ainda estão envoltos em mistério. Mas, entre os tucanos, circula a versão de que o partido teria uma dívida com o engenheiro contraída em eleições passadas. Na entrevista concedida à ISTOÉ, Paulo Preto nega que tenha feito qualquer tipo de arrecadação e desafia os caciques tucanos a provar essas denúncias.

“Acho muito pouco provável que isso tenha acontecido sem que eu soubesse”, disse Aloysio à ISTOÉ. “Não posso falar sobre uma coisa que não existiu, que é uma infâmia”, completou. No PSDB, porém, todos pelo menos já ouviram comentários sobre o suposto desvio praticado por Paulo Preto nos cofres tucanos. “Fiquei sabendo da história desse cara ontem”, disse o deputado José Aníbal (SP), ex-líder do partido na Câmara, na terça-feira 10. “Parece mesmo que ele sumiu. Desapareceu. Me falaram que ele foi para a Europa. Vi esse cara na inauguração do Rodoanel.” De fato, depois de deixar a Dersa, o engenheiro esteve na Espanha e só voltou ao Brasil há poucos dias. Na cúpula do PSDB, porém, até a semana passada poucos sabiam que Paulo Preto havia retornado e o tratavam como “desaparecido”.

As relações de Aloysio e Paulo Preto são antigas e extrapolam a questão política. Em 2007, familiares do engenheiro fizeram um empréstimo de R$ 300 mil para Aloysio. No final do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil afirmou que usou o dinheiro para pagar parte do apartamento adquirido no bairro de Higienópolis e que tudo já foi quitado. Apontado como um profissional competente e principal responsável pela antecipação da inauguração do rodoanel, Paulo Vieira de Souza chegou a ser premiado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo em dezembro de 2009. O engenheiro não é filiado ao PSDB, mas tem uma história profissional ligada ao setor público e há 11 anos ocupa cargos de confiança nos governos tucanos. No segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi assessor especial da Presidência e trabalhou quatro anos no Palácio do Planalto, como coordenador do Programa Brasil Empreendedor. Em São Paulo, também atuou na linha 4 do Metrô e na avenida Jacu Pêssego, ambas obras de grande porte e também cartões-postais das campanhas tucanas, a exemplo do rodoanel e da marginal Tietê.
Paulo Preto foi exonerado da Dersa oito dias depois de participar da festa de inauguração do Rodoanel, ao lado dos principais líderes do partido. A portaria, publicada no “Diário Oficial” em 21 de abril, não explica os motivos da demissão do engenheiro, mas deputados tucanos ouvidos por ISTOÉ asseguram que foi uma medida preventiva. O nome do engenheiro está registrado em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. No inquérito estão planilhas que listam valores que teriam sido pagos pela construtora ao engenheiro. Seriam pelo menos quatro pagamentos de R$ 416,5 mil entre dezembro de 2007 e março do ano seguinte. Apesar de o relatório de inteligência da PF citar o nome do engenheiro inúmeras vezes, Paulo Preto não foi indiciado e, em janeiro, o inquérito da Operação Castelo de Areia foi suspenso por causa de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça. O temor dos tucanos é que durante a campanha eleitoral a liminar seja suspensa e a Operação Castelo de Areia volte ao noticiário.

Outro episódio envolvendo o ex-diretor da Dersa foi sua prisão em flagrante, em junho deste ano, na loja de artigos de luxo Gucci do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Solto um dia depois, ele passou a responder em liberdade à acusação de receptar um bracelete de brilhantes avaliado em R$ 20 mil. Paulo Preto e o joalheiro Musab Fatayer foram à loja para avaliar o bracelete, que pretendiam negociar. Desconfiado da origem da joia, o gerente da loja, Igor Augusto Pereira, pediu para que o engenheiro e Fatayer aguardassem. Ao cruzar informações sobre o bracelete negociado, o gerente da Gucci descobriu que aquela joia havia sido furtada da loja em 7 de maio. Em seu depoimento, o gerente da Gucci disse para a polícia que foi Paulo Preto quem entregou o bracelete para que ele o avaliasse. O ex-diretor da Dersa alegou ter recebido a joia de Fatayer e que estava disposto a pagar R$ 20 mil por ela.

O eventual prejuízo provocado por Paulo Preto pode não se resumir ao caixa da campanha. Um dos desafios imediatos da cúpula tucana é evitar que haja também uma debandada de aliados políticos, que pressionam o comando da campanha em busca de recursos para candidaturas regionais e proporcionais. Além disso, é preciso reconquistar a confiança de eventuais doadores, que se tornarão mais reticentes diante dos arrecadadores do partido.

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